quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sergio Ulhoa Dani

Sergio Ulhoa Dani

"Como médico e cientista, tenho a obrigação de manifestar minhas preocupações com relação ao empreendimento da Rio Paracatu Mineração. Diversas medições de variáveis ambientais e contaminantes do ar, dos solos, das águas e das plantas são conduzidas pela própria RPM, ou a seu mando. Essas medições são obrigação da empresa, mas não devem ser feitas pela empresa quando e como ela julgar conveniente, e sim por uma equipe independente e capacitada, com visão científica e crítica, e não com a visão empresarial, defensiva e burocrática da RPM. As medições, como vêm sendo feitas atualmente, parecem servir apenas ao propósito de defesa da empresa junto aos órgãos ambientais e contra possíveis ações judiciais, e não aos propósitos de defesa do meio ambiente e da saúde das pessoas. Paracatu, por diversas razões, ainda não conseguiu atrair e fixar massa crítica de pesquisadores e doutores. Por isso, é tão crítico e absolutamente fundamental a constituição do ITAPAR-Instituto de Tecnologia Ambiental de Paracatu, do Parque Tecnológico e dos fundos para saúde, educação e desenvolvimento social, conforme proposto no relatório publicado na edição de setembro/2007 do jornal "O Lábaro". Existem, na lavra, nos rejeitos, na água da drenagem e na poeira da mineração, substâncias tóxicas que podem provocar sérios danos à saúde se aspiradas ou ingeridas de forma crônica ou cumulativa, como pneumoconioses, alergias, conjuntivites, afecções da pele, câncer, doença renal, anemia, doenças cardiovasculares, distúrbios do sistema nervoso, entre outras . É inaceitável que as medições e análises ambientais desses agentes nocivos sejam feitas pela RPM. As análises e pesquisas químicas, ambientais e médicas devem ser feitas por cientistas e técnicos do ITAPAR, com base científica e conforme planos de amostragem robustos, exaustivos e regulamentados, auditorias e verificações constantes e independentes, equipamentos calibrados e estatísticas adequadas. Do contrário, a RPM domina, como tem acontecido, e perde-se a objetividade e a credibilidade dos dados e sua interpretação. A RPM não pode se intrometer em assuntos tão sérios da vida de Paracatu, isso é inaceitável. Em vez disso, Paracatu é que tem todo o direito de fiscalizar de perto os processos físicos e químicos da RPM que afetam a qualidade de vida na nossa região."