quarta-feira, 13 de junho de 2018

Nem tudo que brilha é ouro

Documentário da TV suíça sobre a contaminação crônica pelo arsênio liberado em Paracatu pela mineradora transnacional canadense, Kinross Gold Corporation, e a luta de um médico contra ela. Primeira exibição neste domingo, dia 17 de junho de 2018, na SRF: https://m.srf.ch/sendungen/reporter/es-ist-nicht-alles-gold

quarta-feira, 7 de março de 2018

Impossível renovar licença de operação da Kinross em Paracatu


Parecer de 06 de março de 2018


LD Dr.med. D.Sc. Sergio Ulhoa Dani (*)


O objeto deste parecer solicitado a mim pelo FONASC-CBH (Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas) é o último relatório apresentado pela SUPRAM NOR, versando sobre o pedido de LO-Licença de Operação da Kinross Brasil Mineração SA (subsidiária integral da mineradora canadense Kinross Gold Corporation) em Paracatu-MG, Brasil (§).


Os impactos socioambientais da mineração de ouro a céu aberto da Kinross em Paracatu são em boa parte conhecidos e estão documentados em diversos artigos científicos publicados em periódicos especializados nacionais e internacionais e outros meios. Características relevantes deste empreendimento incluem:


1. a destruição e degradação de importantes recursos hídricos numa região caracterizada pela escassez sazonal de água que afeta a manutenção dos processos ecológicos e produtivos e o abastecimento humano;

2. as estimadas 1.000.000 (um milhão) de toneladas de arsênio inorgânico liberadas das rochas sulfetadas da mina – em decorrência das atividades da mineração que incluem alterações físico-químicas da rocha minerada e seus compostos (desagregação, pulverização, oxidação, hidratação, solubilização, volatilização etc.) – e acumuladas em duas barragens de rejeitos situadas em vertente de água de importância estratégica nacional, a bacia do Rio São Francisco;

3. a contaminação ambiental pelo arsênio inorgânico liberado pela mineração é persistente e progressiva;

4. a proximidade de regiões densamente habitadas, bem como produtoras e consumidoras de alimentos, incluindo a própria capital federal, Brasília-DF é de alto risco para o consumo de alimentos produzidos na região de contaminação ambiental provável pelo arsênio disseminado pela mineração, além do perigo geológico e de eventuais ações criminosas e terroristas potencialmente facilitadas pelo arsênio acumulado nas barragens (o recente desastre da barragem de Mariana-MG ainda não totalmente esclarecido, ou no mínimo com esclarecimentos não divulgados, esmaece diante de um desastre envolvendo as barragens de Paracatu. No caso de Mariana, envolvendo rejeitos de mineração de ferro, existe a esperança da recuperação da Bacia do Rio Doce; no caso de Paracatu, envolvendo rejeitos da mineração de ouro, há risco real de contaminação permanente e irreversível de parte sensível do território nacional, notadamente partes da bacia do Rio São Francisco, e deslocamento da população deste território, tornado inabitável por tempo indeterminado, devido à contaminação pelo arsênio, dada a afinidade deste elemento tóxico a certos metais e à sua capacidade de substituir o fósforo em diversas vias metabólicas, gerando os chamados "ciclos fúteis");

5. a população residente em torno do empreendimento minerário da Kinross em Paracatu está cronicamente exposta ao arsênio liberado pela Kinross, em quantidade suficiente para ser causa provável de doenças e mortes. Em uma série de pacientes expostos cronicamente ao arsênio em Paracatu e examinados por mim, a concentração de arsênio no compartimento ósseo está aumentada de quatro (4) a 1.725 (mil, setecentas e vinte e cinco) vezes em comparação à mediana das concentrações de arsênio no compartimento ósseo reportadas em diferentes populações-controles ao redor do mundo (Dani 2017a; Dani & Walter 2018);

6. a degradação ambiental visível e a contaminação antropogênica do ambiente pelo arsênio em Paracatu estão cientificamente documentadas, são indisputáveis, consistentes com a intoxicação crônica do compartimento humano e suas manifestações clínicas e epidemiológicas (a Kinross sistematicamente nega esses fatos, apresentando relatórios contraditórios financiados por ela própria, preparados por pessoal sem qualquer competência médica usando metodologia inadequada);

7. a violação dos direitos universais e constitucionais, como o direito à vida e ao ambiente ecologicamente equilibrado, pela Kinross, vem sendo denunciada há anos, no Brasil e no exterior, sem qualquer responsabilização criminal da Kinross até o momento (Above Ground & Justiça Global, 2017).

Todo o histórico está registrado em publicações científicas feitas em periódicos indexados de circulação internacional com corpo editorial, ações judiciais e relatórios publicados no Brasil e no exterior, mas as autoridades governamentais têm sido omissas na resposta às indagações e denúncias de fundadas suspeitas a partir das evidências registradas. Por sobre tudo isto paira o risco epidemiológico de contaminação do compartimento humano e os altos custos de restabelecimento da saúde humana, quando possível.

O cenário de perigo, devido ao tempo de maturação do empreendimento, está chegando a limites críticos de intervenção em favor, ainda que cautelar, da saúde e da vida humanas em primeiro lugar e do equilíbrio ambiental em sequência.

Simplesmente não se pode desconhecer os perigos de grande vulto e alcance do empreendimento da Kinross, sensivelmente mais graves que vazamento ou depósito de material radioativo, face à ''invisibilidade'' do arsênio e sua mais difícil detecção no ambiente e nos organismos, bem como à permanência deste elemento no ambiente e sua toxicidade cumulativa sistêmica, em oposição ao decaimento dos elementos radioativos.

Diante de tudo o que já se sabe sobre a mineração de ouro da Kinross em Paracatu e seus efeitos danosos, é impossível renovar a LO-Licença de Operação da mina. Mais do que uma decisão técnica, trata-se de assunto de segurança nacional.

Renovar a LO da Kinross é impossível porque significaria o governo brasileiro autorizar, ou permitir, crime contra o ambiente e a vida, crime contra a paz, ecocídio (Berat 1993; Higgins 2015), equivalente a sujeitar as gerações atuais e futuras a um "campo de concentração" (KGC 2017; Valério 2015).

A Constituição Federal brasileira e as Nações Unidas proíbem esses crimes, daí a renovação da licença da Kinross em Paracatu pode ser interpretado como atentado do governo contra a Constituição por flagrante violação dos princípios, objetivos e direitos individuais e coletivos pertinentes.

Em vez de renovar a LO da Kinross, as autoridades do governo devem responsabilizar os representantes, investidores e acionistas da Kinross e seus apoiadores, inclusive o governo canadense, e exigir deles o saneamento e recuperação ambiental das áreas afetadas pela mineração em Paracatu e região, e a indenização justa do Estado brasileiro pelos danos causados aos povos e territórios, por sua ação ou negligência, no passado, no presente e no futuro.

LD Dr.med. D.Sc. Sergio Ulhoa Dani (*)
Presidente da Fundação Acangau
CSO do Instituto Medawar de Pesquisa Médica e Ambiental

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(*) LD Dr.med. D.S.c Sergio Ulhoa Dani é médico formado pela UFMG-Universidade Federal de Minas Gerais (1991); médico aprovado pelo Brasil (MEC/CFM/CRM, 1991), Alemanha (Deutsche Approbation, 1994) e Suíça (MEBEKO, 2016), com licença para exercício da medicina nestes três países; Doutor em Medicina pela Medizinische Hochschule Hannover-Alemanha (1994); Doutor em Patologia pela UFMG (1996); livre docente em Genética pela Universidade de São Paulo (1999); autor de diversos livros e publicações científicas e médicas em revistas especializadas com corpo editorial e indexadas nos principais bancos de dados científicos e médicos mundiais. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9945441164947263

(§) Kinross Brasil Mineração S.A. - Lavra a céu aberto com tratamento a úmido, minerais metálicos, exceto minério de ferro - Paracatu/MG - PA/Nº 00099/1985/076/2016 DNPM nº 931.299/2009 - Classe 6. Apresentação: Supram NOR.


Referências e leituras sugeridas:


Above Ground & Justiça Global. 2017. Swept aside: An investigation into human rights abuse at Kinross Gold’s Morro do Ouro Mine / Mineração e Violação de Direitos – O caso da empresa Kinross em Paracatu. http://www.global.org.br/blog/justica_global_lanca_relatorio_sobre_violacoes_de_mineradora_canadense/ http://aboveground.ngo/wp-content/uploads/2017/12/Swept-Aside-Kinross-Morro-do-Ouro-report.pdf [acessados 11 Dezembro 2017].

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Alerta Paracatu. 2017. Relatório mostra, no Brasil e Canadá, violações da mineradora Kinross em Paracatu. http://alertaparacatu.blogspot.ch/2017/12/relatorio-mostra-no-brasil-e-canada.html

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domingo, 21 de janeiro de 2018

« Campo de concentração e extermínio »: primeira audiência já está agendada em Paracatu

Paracatu, Brasil – A primeira audiência de mais uma queixa-crime da transnacional Kinross Gold Corporation (Kinross Brasil Mineração SA) contra um cidadão de Paracatu está agendada para o dia 29 próximo. Em julho de 2017, a Kinross entrou com queixa-crime contra Gaspar Reis Batista de Oliveira, pelo uso das expressões “campo de concentração” e “campo de extermínio”, em referencia aos efeitos das atividades da mineradora em Paracatu (KGC 2017). Gaspar Oliveira, cidadão e ex-vereador de Paracatu o popularmente conhecido “Gaspar Chaveiro” assim justifica o uso das expressões que incomodam a Kinross:

“Em Paracatu, ouve-se da boca do povo que a cidade, e especialmente área da mineração da Kinross estao contaminadas por venenos como arsênio e cianeto, tornando-se assim numa espécie de ‘campo de concentração e extermínio’. O sentimento de abandono, desrespeito e falta de proteção que domina a população de Paracatu justifica essas expressões da materialização do estado de exceção, isto é, um lugar ou campo onde a norma legal é suspensa e a exceção é confundida com a regra. Nós não entendemos porque, dada a evidência de dano ao ambiente e à saúde das pessoas, o Estado não nos ofereça proteção, e prefira proteger a atividade economica danosa da Kinross. O cenário da falta de normalidade no nosso território consiste em que a população aqui presente está sujeita ao ‘estado de exceção’ caracterizado pela falta de garantia da inviolabilidade do direito à vida e pela supressão do direito à saúde e ao ambiente ecologicamente equilibrado. Essas circunstâncias apontam para a existência de um processo destrutivo ligado à conduta negligente e omissa dos agentes. O sentimento de perda, insegurança e abandono e a perspectiva de destruição progressiva alcança as pessoas na forma minima da poeira que emana da mina e o próprio aspecto horrendo da degradação da área minerada. A isto somam-se fortes componentes psicológicos, bem como as barreiras econômicas e sociais que impedem a fuga do território e condicionam o confinamento territorial. O efeito da exposição contínua ao arsênio inorgânico liberado pela Kinross em Paracatu é o adoecimento de milhares de pessoas e, consequentemente, o seu extermínio ou morte por doenças causadas pela intoxicação crônica pelo arsênio, incluindo o câncer. A Kinross está bem informada e ciente da quantidade exorbitante de arsênio inorgânico presente nas rochas que ela minera em Paracatu, de que o arsênio inorgânico que ela libera das rochas em Paracatu é tóxico e se acumula no ambiente e nos organismos vivos, inclusive os seres humanos. A Kinross e as instituicoes governamentais brasileiras e canadenses estão suficientemente informadas disso tudo através de inúmeros estudos científicos publicados em revistas especializadas de circulação nacional e internacional, inclusive os relatórios da própria Kinross, e uma Ação Civil Publica da Fundação Acangau que corre contra a mineradora, em Paracatu, desde 2009, entre diversas outras ações. A existência destas ações é explicada pela evidência de contaminação ambiental grave, progressiva e persistente e o aumento de casos de doenças ligadas à intoxicação crônica pelo arsênio em Paracatu, especialmente câncer, bem como abortos espontâneos e doenças neurológicas. A brutalidade da violação dos direitos humanos e difusos pela Kinross em Paracatu está documentada em filmes, reportagens e um relatório recente, publicado simultaneamente no Brasil e no Canadá, pela Justiça Global e Above Ground. Finalmente, não é a primera vez que a Kinross processa seus oponentes, pois o Dr. Sergio Dani também foi processado por ela, na Suíça, em 2015, por razões semelhantes. Acontece que o Ministério Público suíço rejeitou a queixa da Kinross contra o Dr. Sergio e a Justiça suíca encerrou o processo da Kinross contra o Dr. Sergio. Até quando o Ministerio Público brasileiro e a Justiça brasileira vão permitir que a Kinross destrua e contamine o ambiente, prejudiquem as pessoas e depois processe os paracatuenses que não estão satisfeitos com esses abusos?”


Saiba mais:

Above Ground & Justiça Global. 2017. Swept aside: An investigation into human rights abuse at Kinross Gold’s Morro do Ouro Mine. http://aboveground.ngo/wp-content/uploads/2017/12/Swept-Aside-Kinross-Morro-do-Ouro-report.pdf.


http://alertaparacatu.blogspot.ch/2017/12/relatorio-mostra-no-brasil-e-canada.html


KGC (Kinross Gold Corporation/Kinross Brasil Mineração SA). 2017. Kinross Brasil Mineração vs. Gaspar Reis Batista de Oliveira. Processo n.º 0052513-60.2017, Comarca de Paracatu, Brasil.

Solicitada anulação do licenciamento ambiental de barragem da Kinross em Paracatu

Paracatu, MG, Brasil – proprietários de uma gleba de terras soterrada por rejeitos tóxicos de mineração de ouro da transnacional Kinross Gold Corporation (Kinross Brasil Mineração SA) solicitaram, em 27.06.2017, a anulação do licenciamento ambiental da barragem de rejeitos conhecida por « Barragem do Eustáquio ». A barragem destruiu nascentes, inundou e soterrou centenas de hectares em Paracatu.

Instada a se manifestar, por meio do OF/SUPRAMNOR/Nº 2892/2017, datado de 05/07/2017, a mineradora respondeu, via ofício DMA/143/2017, datado de 14/07/2017, que possui a « documentação que comprove a posse ou propriedade de toda a área que sofreu intervenção ambiental para instalação da Barragem do Eustáquio e suas infraestruturas. »

Por meio do OF/SUPRAMNOR/Nº 3448/2017, datado de 14/08/2017, o Sr. Ricardo Rodrigues de Carvalho, Superintendente Regional, acatou as informações oferecidas pela mineradora de que esta detém a propriedade e posse de todas as áreas para formação da Barragem do Eustáquio, o que, segundo os solicitantes, « não soa razoável e viola os princípios ínsitos à Administração Pública, mormente o da legalidade ».

« A mineradora não tinha sido capaz de comprovar a posse/propriedade da área onde detinha um ponto de captação de água num dos afluentes do Eustáquio culminando na edição da Portaria nº 01008 de 27/03/2017 anulando a Portaria nº 03464/2010, de 28/12/2010, porque tal mácula não é suficiente para contaminar o licenciamento ambiental, uma vez que se trata da mesma área utilizada pela Barragem do Eustáquio? », perguntam.

« A novidade é que a referida área instrui uma AÇÃO DE USUCAPIÃO manejada pela KINROSS em trâmite junto à 2ª Vara Cível da Comarca de Paracatu/MG, Processo nº 0093063-34.2016.8.13.0470, para convolar supostos direitos de posse em propriedade, no que imprimiria a legalidade necessária para renovar a licença ambiental da Barragem do Eustáquio e as demais autorizações necessárias para garantir a exploração de suas atividades. »

A USUCAPIÃO pleiteada pela KINROSS refere-se a uma área de 80,6825 (oitenta hectares sessenta e oito ares e vinte e cinco centiares) e perímetro com 4.516,84 m, denominada “Área 117”, localizada na zona rural do município de Paracatu/MG representada por CONTRATO DE CESSÃO DE DIREITOS POSSESSÓRIOS USUCAPIENDOS firmado com MARIA GERALDA DA SILVA VIEIRA, PAULO ROBERTO VIEIRA, GUILHERME SILVA VIEIRA, ROSSANI VIEIRA SILVA E CRISTINI VIEIRA SILVA.

« Contudo, à KINROSS é vedada a aquisição de propriedade rural por usucapião, pois o seu capital social é composto, em sua maioria, por empresas estrangeiras, com sede no exterior, conforme prescreve o art. 8º, da Lei nº 5.709/71 », informam.

Em 16.01.2018 os solicitantes requereram, à SUPRAM, a revisão do entendimento esposado no OF/SUPRAMNOR/Nº 3448/2017, datado de 14/08/2017, reformando-o, para concluir pelo indeferimento da renovação da licença ambiental e da Licença de Operação da Barragem do Eustáquio, dado que a mineradora não possui a necessária propriedade de pelo menos 80,6825 (oitenta hectares sessenta e oito ares e vinte e cinco centiares), bem como lhe é vedada a aquisição da referida área por usucapião, nos exatos termos do art. 1º, § 1º C/C o art. 8º, da Lei nº 5.709/71.
 
Mais informacoes :
EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS MACHADINHO LTDA, Sr. Manuel Eustáquio de Jesus, takinhoptu60@gmail.com
 
Saiba mais sobre os abusos cometidos pela Kinross em Paracatu:
http://alertaparacatu.blogspot.com/2017/12/relatorio-mostra-no-brasil-e-canada.html

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Novas evidências do aumento de doenças e mortes causadas pela mineração a céu aberto


Pesquisa da Universidade de Indiana fornece evidência forte de aumento de doenças e mortes causadas pela mineração a céu aberto

Michael Hendryx, pesquisador da Universidade de Indiana, Estados Unidos da América

Foto: Mina de ouro a céu aberto da Kinross, em Paracatu, MG

« Nosso primeiro estudo descobriu que pessoas que viviam perto de minas a céu aberto apresentaram níveis mais altos de mortalidade e doença. E essa relação persiste, mesmo quando você controla as covariaveis de que as pessoas mais falam, então não é que as pessoas nessas comunidades fumem mais, ou que as taxas são mais altas, ou as taxas de obesidade são mais altas - podemos controlar para elas e ainda vemos um efeito independente sobre uma variedade de resultados de saúde. Não só as pessoas que vivem em regiões mineradoras são menos saudáveis, mas descobrimos que, à medida que os níveis de mineração aumentam, os impactos na saúde se tornam cada vez mais pronunciados.

Descobrimos que as partículas em geral são elevadas em comunidades de mineração em comparação com outras comunidades sem mineração. Quando olhamos para a distribuição de tamanho dessas partículas, eles estavam principalmente no intervalo ultra-fino, o que foi um pouco surpreendente para nós. Quando você pensa sobre a mineração, você pensa no pó da explosão, então eu teria adivinhado que teria sido um material mais grosso como PM 10 [particulate matter 10 micrometros], por exemplo. Na verdade, onde a diferença era maior era nas partículas muito pequenas. Quanto menor a partícula, mais perigosas eles são peso-por-peso, por assim dizer. Porque com partículas pequenas, quase toda ela é superfície. Então, seja qual for o material, ele entrará em contato com o tecido biológico. Além disso, porque são tão pequenas, essas partículas podem penetrar profundamente no tecido pulmonar e podem até mesmo passar dos pulmões para o sistema vascular e, em seguida, ir literalmente a qualquer lugar do corpo.

Se você olhar para a literatura principalmente da Europa - a Europa está à frente de nós sobre isso - eles estão descobrindo que particulas ultrafinas são mais preocupantes para a saúde humana do que partículas como a PM 2.5, para as quais temos padrões. Os EUA não possuem nenhum padrão para particulas ultrafinas. Mas a comunidade científica está à frente da comunidade reguladora sobre isso ao reconhecer sua ameaça.



Foto: Michael Hendryx, pesquisador da Universidade de Indiana, Estados Unidos da América.

O processo de mineração também contamina literalmente bilhões de litros de água em toda a região. Os rejeitos da mineração terminam em imenso aterros ou barragens de rejeitos. Todos os anos, recebo mensagens de pessoas no Facebook, mostrando, por exemplo, descargas de cor estranha que fluem por um riacho de alguém a jusante dessas barragens de rejeitos.

Existe o argumento que a indústria tenta fazer que esses estudos sejam meramente correlacionais. E eles ainda tentam dizer - e eu não sei como eles insistem nisso, porque não está correto - que as causas das doenças e das mortes estão ligadas apenas a questões de estilo de vida como o tabagismo ou a obesidade, mas é claro que não é assim. Quero dizer, mostramos uma e outra vez que não são essas coisas. Portanto, de uma visão estritamente epistemológica, ainda não destrinchamos todas as conexões, mesmo assim, existe uma correlação.

Estamos estudando uma situação em que muitas pessoas estão morrendo e, para nós, dizer que é apenas correlacional e, portanto, devemos continuar estudando até saber mais, consieramos imoral neste momento. 

As áreas de mineração a céu aberto têm taxas de desemprego mais altas e mais pobreza que em qualquer outro lugar da região, porque estas são atividades destruidoras de trabalho, não criadoras de trabalho. Quando você compara a mineração a céu aberto com a mineração subterrânea, a quantidade de mineral produzida por trabalho é muito maior na mineração a céu aberto. Isso é devido ao uso de explosivos e ao uso de maquinaria pesada que substitui o trabalho humano por trabalho mecanizado. Portanto, essas minas podem ser enormes, mas eles requerem poucos empregos.

Explodindo montanhas, desmatando grandes extensões de terra, criando fluxos de poluentes, destruindo estradas de tanto transitar com caminhões, cobrindo a paisagem com poeira, deixando as pessoas doentes - que outros empregadores vão mudar para essa área? Se você não tiver a sorte de ter um desses empregos, provavelmente não obterá nada, ou você talvez tenha um emprego de tempo parcial, porque não há outras oportunidades, a base econômica foi destruída.

A percepção que as pessoas têm é que isso é uma espécie de negociação entre o meio ambiente e o trabalho, e na verdade não é - é uma negociação entre o meio ambiente e os lucros de algumas poucas pessoas.»

Fonte: 

« Our first study found that people who lived near mountain top revomal (MTR) mining sites had higher levels of mortality and illness. And that relationship persists even when you control for the covariants that people talk about, so it’s not that people in those communities smoke more, or that the poverty rates are higher, or obesity rates are higher – we can control for those and we still see an independent effect on a variety of health outcomes. Not only are people who live in mining regions less healthy, but we found that as the levels of mining go up, the health impacts become increasingly more pronounced.

We have discovered that particulate matter as a rule is elevated in mining communities compared to other communities without mining. When we looked at size distribution of these particles, they were mostly the ultra-fine range, which was kind of surprising to us. When you think about mining, you think of the dust from the blasting, so I would have guessed that it would have been coarser material like PM [particulate matter] 10, for example. In fact, where the difference was greater was in the very small particles. The smaller the particle, the more dangerous they are pound-for-pound so to speak. Because with small particles, almost all of it is surface. So whatever the material is, it is going to come into contact with biological tissue. Also, because they’re so small, these particles can penetrate deeply into lung tissue and they can potentially even pass through the lungs and into the vascular system and then go literally anywhere in the body.

So if you look at the literature mostly from Europe — Europe’s ahead of us on this — they are finding that ultra-fines are of greater concern for human health than particles like PM 2.5, which we have standards for. The U.S. doesn’t have any standards for ultra-fines. But the scientific community is ahead of the regulatory community on this in recognizing their threat.

The mining process also contaminates literally billions of gallons of water across the region. The contamination ends up in earthen-lined slurry impoundments. Many times every year, I get messages from people on Facebook, for example, showing strangely colored black or orange discharges flowing down somebody’s creek downriver of these processing sites.

There is the argument that the industry tries to make that these studies are correlational. And they still try to say — and I don’t know how they get away with it, because it is just not factually correct — that it is just lifestyles issues like smoking or obesity, but it’s clearly not. I mean, we’ve shown over and over that it is not those things. So from a strictly epistemological view, we haven’t nailed down all the connections yet, but it is correlational.

We are studying a situation where many people are dying, and for us to say it is only correlational and so let’s keep studying until we know more, I think is immoral at this point.

Mining areas have higher unemployment rates and more poverty that anywhere else in the region because these are job-destroying activities, not job-creating ones. When you compare open cut mining with underground mining, the amount of mineral that is produced per job is much higher at the mountaintop site. That’s because of the use of explosives and the use of this heavy machinery that replaces human labor with mechanized labor. So these sites can be huge, but they require very few jobs.

Blowing up mountains, deforesting large tracts of land, polluting streams, destroying roads from all the trucks going by, coating the landscape in dust, making people sick — what other employers are going to move into that area? If you aren’t lucky enough to have one of those jobs, you’ve probably got nothing, you’ve got maybe a part-time job at the Dollar Store. Because there aren’t other opportunities, the economic base has been destroyed.

The perception that people have is that this is kind of a trade-off between the environment and jobs, and it’s really not — it’s a trade-off between the environment and the profits of a few people. »

Source:
http://e360.yale.edu/features/a-troubling-look-at-the-human-toll-of-mountaintop-removal-mining