domingo, 14 de maio de 2017

Pesca-e-solta vai dar sáude ao rio, diz o governo


Uma propaganda da Prefeitura de Paracatu e do governo do Estado de Minas Gerais anuncia "Rio Paracatu, Vida Saudável." Trata-se de um programa de substituição do "pesca-e-come" pelo "pesca-e-solta". 

O título da campanha do governo é desproporcional ao seu conteúdo, chega a ser mentiroso. O rio Paracatu está tão assoreado em decorrência dos desmatamentos e mau manejo dos solos agrícolas; tão contaminado em decorrência da mineração e da urbanização mal controladas, que o pouco peixe que se encontra nele nem deveria ser consumido. 

Chega a ser sarcástico o título dessa propaganda. Os homens no governo não dão o peixe, e agora querem ensinar a pescar! Essa é a resposta do governo para salvar a vida e a saúde do rio? 

Deviam, pelo menos, ter vergonha na cara e parar de nos tratar de burros e idiotas. A solução para a agonia do rio Paracatu exige visão sistêmica e ações eficazes sobre as causas, não sobre os efeitos.

sábado, 6 de maio de 2017

Número real de mortes pela inalação de arsênio da mineração está oculto, dizem cientistas americanos

Alex Keil e David Richardson, dois cientistas do Departamento de Epidemiologia da Universidade da Carolina do Norte, USA, reavaliaram a ligação entre a inalação de arsênio por trabalhadores da mineração contratados entre 1938 e 1955 nos Estados Unidos, e múltiplas causas de morte desses trabalhadores até o ano de 1990. 

Eles estimaram que a eliminação da exposição ao arsênio no ambiente de trabalho poderia ter evitado 22 mortes à idade de 70 anos para cada 1.000 trabalhadores. Dessas 22 mortes, eles estimaram que 7 seriam devidas às doenças do coração, 4 devidas aos cânceres do trato respiratório, e 11 devidas a outras causas. 

Isso significa que uma mineração que tivesse exposto, por exemplo, 3 mil funcionários diretos e indiretos ao arsênio pode ter causado a morte de 66 pessoas nos Estados Unidos, onde geralmente os controles são mais rígidos que em outros países.

Os autores do estudo também mostraram que a tendenciosidade das análises de exposição ocupacional feitas anteriomente pode ter mascarado as associações entre a exposição e seus efeitos sobre a saúde. 

Os resultados enfatizam a necessidade de considerar todas as rotas de exposição ao arsênio nos estudos de avaliação de risco ao longo prazo.

Referência:

Keil AP, Richardson DB. 2017. Reassessing the link between airborne arsenic exposure among anaconda copper smelter workers and multiple causes of death using the parametric g-formula. Environ Health Perspect. 125:608-614.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Televisão francesa mostra desastres ambientais e humanitários causados por mineradora canadense em Paracatu, Brasil

Paris, 12 de abril de 2017

A France Télévisions pôs no ar o documentário "L'or à tout prix" ("Ouro a qualquer preço") sobre os impactos socioambientais da maior mina de ouro do Brasil, a mina de ouro a céu aberto de Paracatu, operada pela mineradora canadense Kinross Gold Corporation / Kinross Brasil Mineração SA. 


O realizador do documentário, Zinedine Boudaoud entrevistou diversos moradores contaminados pelo arsênio liberado pela Kinross, muitos deles gravemente enfermos. Ele conversou também com cientistas, como o geólogo Márcio José dos Santos e o médico Sergio Ulhoa Dani, que há anos estudam e denunciam a contaminação ambiental e as doenças e mortes causadas pelas atividades da Kinross em Paracatu.


Entre as autoridades de Paracatu, o prefeito da cidade, Olavo Remígio Condé negou a existência dos problemas causados pela Kinross. O promotor de justiça de Paracatu, Paulo Campos Chaves, cuja filha foi contratada como advogada pela Kinross, negou-se a conceder entrevista.


Um documentário magistral que serve para informar toda a comunidade francófona, inclusive do Canadá, país de origem da Kinross Gold Corporation.


O documentário pode ser assistido em https://www.youtube.com/watch?v=wxWd5V6calc



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http://www.francetvpro.fr/france-o/programmes/2188467
Francetv pro  Ô
TEMPS FORT SEMAINE 15
INVESTIGATIÔNS — « LA SOIF DE L'OR »
L'OR À TOUT PRIX
Magazine d’investigation  Inédit  Mercredi 12 avril 2017 à 20.55 

Cette semaine, Investigatiôns enquête à Paracatu, au Brésil, sur la plus vaste mine d’or à ciel ouvert au monde ! Cette mine de 110 km² ressemble à un monstre énorme qui dévore chaque jour un peu plus la ville et ses habitants touchés par de nombreuses pathologies.

Paracatu est une ville brésilienne de 84 000 habitants située dans l'État du Minas Gerais. Elle est surnommée « la cité de l’or », mais devrait plutôt être appelée « la cité de l’arsenic ». Le nombre de cas de cancers et d’autres maladies graves y croît anormalement. Les pathologies répertoriées sont graves : cancers de toutes sortes, graves affections neurologiques accompagnées de paralysie, syndrome de Guillain-Barré, troubles auditifs, baisse de l’acuité visuelle...

L'origine du mal ? L’arsenic libéré dans l’air et dans l’eau par la plus grande mine d’or à ciel ouvert du monde.

La mine est la propriété du groupe canadien Kinross Gold Corporation. C’est la principale source de revenus et d’emplois de toute la région. Mais, depuis 1987, la population locale est exposée à une intoxication massive, même si la compagnie minière comme les autorités politiques et judiciaires, sous influence, la nient. « Attitude irresponsable », selon José Marcio dos Santos, un géologue à la retraite, et l'oncologue Sergio Ulhoa Dani, qui ont démontré la réalité et la gravité de l’intoxication. D’autres lanceurs d’alerte ont été menacés de mort et ont dû s’exiler après s’être exprimés à haute voix. C’est le cas de Rafaela Xavier, une ex-employée municipale. Les malades de Paracatu, eux, réclament aide et justice, mais personne ne les entend.

En Afrique, en Amérique du Nord et du Sud, rien n'a pu arrêter les compagnies minières dans leur soif d’or, d’argent et de platine.

À Paracatu, l’activité minière a commencé il y a trente ans, mais aucune enquête épidémiologique indépendante n'a encore été menée ; aucun procès instruit non plus, en dépit de plusieurs plaintes pour empoisonnement.

La mine est en activité jusqu'en 2036... La contamination n'est pas prête de s'arrêter. 

http://www.programme-tv.net/programme/culture-infos/r39064-investigations/9628979-investigations/#.WPBZjhQdsZg.facebook

Investigatiôns
Au sommaire : "L'or à tout prix" Un documentaire français réalisé par Zinedine Boudaoud en 2017. La plus grande mine d'or à ciel ouvert du monde se trouve près de la ville de Paracatu, dans l'Etat du Minas Gerais, au Brésil. Son exploration génère des emplois et des ressources pour la région, Mais elle inquiète sérieusement les habitants de Paracatu, intoxiqués par les métaux lourds libérés dans l'air. "L'or, une guerre sale" Un documentaire helvético-français réalisé par Daniel Schweizer en 2014. Des exploitations minières d'Amérique du Sud aux enseignes de luxe genevoises, enquête sur les dérives du marché de l'or et ses alternatives «vertes».

Le Figaro - Informations
Genre : Documentaire - Santé  Année : 2017
Résumé de L'or à tout prix
Paracatu est une ville brésilienne de 84 000 habitants située dans l'État du Minas Gerais, au Brésil. Elle est surnommée «la Cité de l'or», mais devrait plutôt être appelée «la Cité de l'arsenic». Le nombre de cas de cancers et d'autres maladies graves y croît anormalement. Les pathologies répertoriées sont graves : cancers de toutes sortes, graves affections neurologiques accompagnées de paralysie, syndrome de Guillain-Barré, troubles auditifs, baisse de l'acuité visuelle. L'origine du mal ? L'arsenic libéré dans l'air et dans l'eau par la plus grande mine d'or à ciel ouvert du monde.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Método SORAS de purificação de água contaminada por arsênio

Como é público e notório, e está comprovado em diversos estudos científicos, a mineração de ouro em rocha arsenopirita conduzida pela Kinross em Paracatu está contaminando o ar, os solos e as águas com arsênio inorgânico altamente tóxico e danoso para a sua saúde.

Enquanto uma solução judicial para o problema não é encontrada, é preciso tomar alguns cuidados para minimizar a exposição ao arsênio. Obviamente, a maioria das pessoas que moram em Paracatu não podem se mudar da cidade, e continuam sujeitas a respirar o veneno, dia e noite.

Algumas pessoas, como os habitantes do Vale do Ribeirão Santa Rita, encontram-se forçadas a consumir água do subsolo que já está gravemente contaminada pela atividade minerária da Kinross, conforme mostramos ano passado [1].

É possível que pessoas vivendo em outras regiões também sejam afetadas, pela influência das barragens de rejeitos da Kinross [2].

De qualquer modo, a água sob influência da mineração não está própria para consumo. 

Se você mora na região impactada pela mineração, ou se usa água de poço contaminada pelo arsênio, recomendamos que você trate a água de beber da seguinte forma (método SORAS-"Solar Oxidation and Removal of Arsenic", desenvolvido pelo suíços Stephan Hug e Martin Wegelin, do Instituto Federal Suíço para Ciência e Tecnolgia Ambiental (EAWAG) [3,4]:

- encha uma garrafa PET transparente com 1 litro da água contaminada pelo arsênio;

- pingue algumas gotas de ácido cítrico (você deve achar no supermercado, pois ele é usado para a preparação de refrescos e doces). Se não encontrar, use 4 a 8 gotas de suco de limão mesmo;

- deixe a garrafa PET deitada ao sol, durante o dia todo; dentro de algumas horas, a parte ultravioleta  da luz do sol, na presença do ácido cítrico e de hidróxido de ferro presente na água acelera a oxidação do arsênio (III) para arsênio (V), que se liga mais fortemente ao ferro dissolvido, formando um precipitado; 

- à noitinha, coloque a garrafa de pé e deixe-a quieta até o dia seguinte. Se o método de purificação funcionou, você verá o precipitado (uma "laminha") no fundo da garrafa. Despeje a água tratada num filtro de barro normal ou num recipiente limpo, tomando o cuidado de não agitar o precipitado. Jogue fora o precipitado contendo arsênio e ferro.

Referências:

[1] Santos MJ, Dani SU. 2016. Arsenic contamination of the environment and the human compartment by gold mining in Paracatu, MG, Brazil [Contaminação ambiental e do compartimento humano pelo arsênio liberado pela mineração de ouro em Paracatu, MG, Brasil]. Congresso da Sociedade de Análise de Risco Latino Americana SRA-LA. SRA-LA/ABGE, IPT, São Paulo, Brazil – 10-13 May, 2016.

[2] Conheça a hipótese da contaminação das águas subterrâneas de Paracatu: http://alertaparacatu.blogspot.ch/2009/12/hipotese-de-contaminacao-das-aguas-de.html.

[3] Hug SJ, Canonica L, Wegelin M, Gechter D, Von Gunten U. Solar oxidation and removal of arsenic at circumneutral pH in iron containing waters. Environ Sci Technol. 2001 May 15;35(10):2114-21.

[4] Schweizer Forscher entwickeln Methoden zur Wasserreinigung. Arsenbelastung im Trinkwasser - ein lösbares Problem? NZZ, 21.5.2003. https://www.nzz.ch/article8SBOS-1.255363