segunda-feira, 27 de abril de 2009

Na falta de apoio e competência, mineradora recebe prêmio de mineradores e é a favor dela mesma

Paracatu, 27 de abril de 2009

Na falta de apoio e competência, mineradora recebe prêmio de mineradores e é a favor dela mesma

Por Sergio Ulhoa Dani

Os gestores da mineradora transnacional canadense, RPM/Kinross, estão agindo na zona do desespero. Acuados por duas ações judiciais que paralisaram parte do projeto de expansão, apelam para ações voltadas a conquistar a opinião pública. Mas a má gestão sócio-ambiental do projeto de expansão da mina de ouro de Paracatu tratou de minar as esperanças que a mineradora possa ter de receber apoio da população.

Dia 15 de abril, a apresentação do documentário "Ouro de Sangue", de uma equipe de cinegrafistas e cineastas de Paracatu foi interrompida sem explicação, pela emissora de TV local. A população ficou indignada. O documentário retratava os enormes impactos sócio-ambientais da mineração de ouro a céu aberto causados pela RPM/Kinross, incluindo a destruição de córregos, a poluição ambiental, o empobrecimento da população e o extermínio de garimpeiros com armas de fogo, a mando da mineradora.

Incapaz de negociar com as lideranças da comunidade as medidas que poderiam melhorar sua imagem em Paracatu, a equipe gestora da empresa prefere buscar atalhos que dão em lugar nenhum: anunciou o recebimento do prêmio "Empresas do Ano do Setor Mineral 2009", promovido pela revista Brasil Mineral, a revista das mineradoras; comprou horas de anúncios de rádio, TV e jornais locais e espalhou fachas pela cidade com os dizeres "Somos a favor da RPM/Kinross". Para garantir o fluir dos negócios, pediram uma mãozinha ao vice-governador de Minas Gerais, que deu um telefonema para Brasília. E estão tratando da contratação, em caráter de urgência, de um ex-secretário de estado como diretor da empresa.

Em Paracatu, tentam chantagear a opinião pública, dizendo que o maior e mais moderno projeto de mineração de ouro do Brasil poderá fechar em 2011, antes mesmo de começar a produção. Acho que eles estão otimistas. Empresas não fecham por causa de problemas técnicos, porque esses problemas sempre têm soluções técnicas. Empresas fecham por causa da má-gestão e da má-política. E com tanta má-gestão e tanto tráfico de más influências, a RPM/Kinross caminha a passos largos para um fechamento, antes mesmo de 2011. A única saída dos maus-gestores para defender seu emprego em risco é usar a máquina da empresa para defender eles próprios.

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Sergio Ulhoa Dani
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