domingo, 26 de abril de 2009

Mineração da Kinross em Paracatu: na idade da pedra






Mineração da Kinross em Paracatu: na idade da pedra

Por Sergio Ulhoa Dani

Quando se fala em membros de uma mesma família, comparações são inevitáveis. Uma das minas da família Kinross é a de Kettle River-Buckhorn, no estado de Washington, Estados Unidos. O presidente da Kinross, Sr. Tye Burt, parece um pai orgulhoso ao falar desta mina: “Quando se olha para Buckhorn, vê-se o futuro da mineração”. A mina da Kinross em Paracatu, Minas Gerais, Brasil, é outra história. Quando se olha para a mina de Paracatu, olha-se pela janela da pré-história. A mina de ouro da Kinross em Paracatu está na idade da pedra.

Na mina de Paracatu os superlativos de dano soam como gritos de alerta das profundezas das cavernas: mina a céu aberto dentro da cidade; explosões que causam terremotos e danificam o patrimônio público e privado; gigantescas barragens de rejeitos que entopem nascentes com lama e têm potencial para causar grande número de fatalidades e danos extremos em caso de ruptura; toneladas de arsênio liberados para o meio ambiente ou estocados na superfície da mina em quantidade suficiente para matar toda a humanidade e causar câncer em milhares de cidadãos paracatuenses; poluição e gastos exorbitantes de água na parte alta de uma bacia de irrigação agrícola; poeira branca que invade a cidade; expulsão dos agricultores e povos tradicionais de suas terras, tudo isso em troca de migalhas que não melhoram a vida da população cada vez mais pobre.

Com se tudo isso não bastasse, a Kinross mantém no local uma equipe gestora incompetente, incapaz de gerir o próprio negócio e muito menos de proteger os interesses da população de Paracatu. A arrogância da equipe brucutu da Kinross em Paracatu não permite uma aproximação civilizada com a comunidade. A Kinross prefere descumprir a lei. A Kinross faz “pagamentos facilitadores” para autoridades locais. Não por acaso, o projeto está paralisado por duas ações judiciais, uma proposta pelo Ministério Público Estadual, outra do Ministério Público Federal. Não por acaso, a imagem da mineradora em Paracatu está mais suja que cocô de dinosauro. E eles foram extintos. Ainda bem. Eu não suportaria ver ambientalista protegendo esses animais da extinção.

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Sergio Ulhoa Dani
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