segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lágrimas de crocodilo

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Lágrimas de crocodilo: saiba porque a RPM/Kinross ameaça fechar as portas em Paracatu

Por Sergio Ulhoa Dani

Há um fosso entre o discurso da RPM/Kinross e a realidade. O discurso é que a mineradora transnacional canadense vai fechar a mina de ouro de Paracatu em 2011, depois de ter feito um investimento de R$1 bilhão no seu projeto de expansão III. A realidade é que as reservas de ouro da mina de Paracatu são as mais importantes para a Kinross em todo o mundo.

Ao contrário do que anda espalhando em Paracatu, a RPM/Kinross não quer fechar, ela só quer chantagear, para obter mais lucros com economia de custos. A razão é simples: as reservas e recursos minerais da mina de Paracatu são os maiores de todas as nove minas que a mineradora transnacional canadense explora no mundo.

Em seu balanço anual, publicado em 31 de dezembro de 2008 e disponível para consulta pela internet, a mineradora deixa claro que a mina de Paracatu é a mais importante de todas.

A mina de Paracatu responde por mais de 60% de todas as reservas de ouro provadas da mineradora (isso mesmo: mais de sessenta por cento, ou dezesseis milhões de onças de ouro).

A economia porca que a mineradora quer fazer em Paracatu é encontrar a forma mais barata de se livrar do lixo da mineração. Ela quer despejar os seus rejeitos no Vale do Machadinho, bem perto da mina a céu aberto, ao lado da cidade.

Acontece que este vale é a caixa de água mineral de montanha mais antiga, mais pura, mais barata e mais preciosa de Paracatu, exatamente a que poderá salvar a cidade da crise de abastecimento que se anuncia para o futuro. Já no século 18, a água desse vale vinha por queda natural até o centro da cidade de Paracatu, através do famoso “Rego do Mestre-de-Campo”, Manoel de Bastos Nerva.

Desde março deste ano, a mineradora está impedida de construir a barragem por força de duas ações judiciais. Agora anda fazendo terrorismo em Paracatu, dizendo que se não puder matar as nascentes de abastecimento da cidade, vai fechar em 2011.

São lágrimas de crocodilo. Na sua mina de Kettle River-Buckhorn, nos Estados Unidos, a mesma Kinross cedeu à forte pressão da comunidade e da justiça e pôs a mão no bolso para alterar seu projeto de mineração, tornando-o menos danoso ao meio-ambiente. Em Buckhorn, a Kinross teve que encontrar soluções técnicas, para não fechar. Em Paracatu, não pode nem deve ser diferente. Crocodilo não larga fácil uma presa tão gorda. Apenas derrama lágrimas, porque lhe é muito doloroso gastar seu rico dinheirinho.

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Fonte: balanço consolidado da Kinross em 31 de dezembro de 2008, incluindo informações sobre as reservas de ouro de nove minas da Kinross no mundo: América do Norte (Fort Knox, Kettle River-Buckhorn e Round Mountain), América do Sul (Cerro Casale, Crixás, La Coipa, Maricunga e Paracatu) e Ásia (Kupol).

O balanço completo da Kinross pode ser consultado em: http://finance.yahoo.com/news/Kinross-Reports-Record-2008-iw-14404130.html

Reservas Minerais Provadas (em milhares de onças de ouro, koz)
Total Kinross (9 minas no mundo): 25,834
Somente a mina de Paracatu: 16,054 (62,14%)

Reservas Minerais Prováveis (em koz de ouro)
Total Kinross (9 minas no mundo): 45,628
Somente a mina de Paracatu: 18,162 (39,8%)

Recursos Minerais Medidos (em koz de ouro, exclui reservas provadas e prováveis)
Total Kinross (9 minas no mundo): 4,469
Somente a mina de Paracatu: 3,183 (71,2%)

Recursos Minerais Indicados (em koz de ouro, exclui reservas provadas e prováveis)
Total Kinross (9 minas no mundo): 13,680
Somente a mina de Paracatu: 4,267 (31,19%)

Definições de Reserva Mineral e Recurso Mineral

Uma reserva mineral é a parte economicamente minerável dos recursos minerais medidos ou indicados, demonstrados pelo menos por um estudo de viabilidade preliminar. Esse estudo deve incluir informação adequada sobre a mineração, processamento, fatores metalúrgicos, econômicos, e outros fatores relevantes que demonstrem, ao momento do relatório, que a extração econômica é justificável. Uma reserva mineral inclui a diluição dos materiais e previsões de perdas que podem ocorrer quando o material é minerado.

Uma “Reserva Mineral Provável” é a parte economicamente minerável de uma Reserva Indicada e, em algumas circunstâncias, de um Recurso Mineral Medido, demonstrado por pelo menos um estudo de viabilidade preliminar. Esse estudo deve incluir informação adequada sobre a mineração, processamento, fatores metalúrgicos, econômicos, e outros fatores relevantes que demonstrem, ao momento do relatório, que a extração econômica é justificável.

Uma “Reserva Mineral Provada” é a parte economicamente minerável de um Recurso Mineral Medido, demonstrado por pelo menos um estudo de viabilidade preliminar. Esse estudo deve incluir informação adequada sobre a mineração, processamento, fatores metalúrgicos, econômicos, e outros fatores relevantes que demonstrem, ao momento do relatório, que a extração econômica é justificável.

Um Recurso Mineral é a concentração ou ocorrência de diamantes, material inorgânico sólido natural, ou material sólido natural fossilizado incluindo metais de base e metais preciosos, carvão e minerais industriais da ou na crosta terrestre em tal forma e quantidade e em tal concentração ou qualidade que tragam perspectivas razoáveis para a extração econômica. A localização, quantidade, grau ou pureza, características geológicas, e continuidade de um Recurso Mineral são conhecidas, estimadas ou interpretadas a partir de evidência e conhecimento geológico específicos.

Um “Recurso Mineral Indicado” é aquela parte de um Recurso Mineral para a qual a quantidade, grau ou qualidade, densidades, forma e características físicas podem ser estimadas com um nível de confiança suficiente para permitir a aplicação apropriada de parâmetros técnicos e econômicos, para embasar o planejamento da mineração e avaliação da viabilidade econômica do depósito. A estimativa é baseada em informações detalhadas e confiáveis de exploração e teste, obtidas através de técnicas apropriadas a partir de locais como campos, trincheiras, lavras e furos de sondagem que estejam próximos o suficiente para que a continuidade e grau geológicos sejam razoavelmente assumidos.

Um “Recurso Mineral Medido” é aquela parte de um Recurso Mineral para a qual a quantidade, grau ou qualidade, densidades, forma e características físicas estão tão bem estabelecidas que elas podem ser estimadas com um nível de confiança suficiente para permitir a aplicação apropriada de parâmetros técnicos e econômicos, para embasar o planejamento da produção e avaliação da viabilidade econômica do depósito. A estimativa é baseada em informações detalhadas e confiáveis de exploração, amostragem e teste, obtidas através de técnicas apropriadas a partir de locais como campos, trincheiras, lavras e furos de sondagem que estejam próximos o suficiente para que a continuidade e grau geológicos sejam razoavelmente assumidos.

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Sergio Ulhoa Dani
Reserva do Acangaú, zona rural
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