quinta-feira, 14 de maio de 2009

FORTE E GRANDE É VOCÊ!


FORTE E GRANDE É VOCÊ!

Na mina de Buckhorn, nos Estados Unidos, o rejeito tóxico da Kinross é levado a 76 quilômetros de distância da cidade porque assim a população local exigiu.

* Por Sandro Neiva

A mineradora canadense RPM/Kinross parece subestimar o intelecto do paracatuense e brincar com a própria soberania nacional. Proibida legalmente pelo Ministério Público de Minas Gerais e pela Justiça Federal de entupir com lama tóxica o Vale do Machadinho, - legítima área de campesinato quilombola – a mineradora estrangeira blefa por aí que poderá fechar as portas em 2010. Seria para intimidar o Ministério Público ou estariam caçoando da legislação brasileira e de nosso povo? É notório que mega-corporações não baixam as portas por problemas técnicos e sim por incompetência administrativa. Não nos querem bem e fingem não entender que Paracatu não pretende herdar um mar de venenos cancerígenos.

Na mina de Buckhorn, nos Estados Unidos, o rejeito tóxico da Kinross é levado a 76 quilômetros de distância da cidade porque assim a população local exigiu. Aliás, a própria mina que funcionaria a céu aberto, passou a ser subterrânea. A comunidade daquela região também exigiu que a água a ser consumida também ficasse livre de contaminação por metais pesados. E assim fez a Kinross, PORQUE O POVO EXIGIU. Brasileiros não são inferiores a norte-americanos. Não estamos na era paleolítica. Por que será que essa empresa aparenta duvidar de nosso poder de revolta?

Os abutres desse ramo industrial comemoram cifras recordes em toneladas de ouro anuais e somas astronômicas geradas pelo ativo financeiro. Mas em que medida os paracatuenses participam dessa festa? Os parâmetros para medir o desenvolvimento de uma região devem ser a saúde e o bem-estar das pessoas e não os ativos financeiros e Royalties dos quais não vemos nem a cor.

O que leva um prefeito a trair seu povo, aumentando o próprio salário para dezesseis mil reais? Onde fica a dignidade do servidor e cidadão numa situação extrema assim? O que leva um parlamentar a unir-se a interesses empresariais nefastos que representam um atentado aos interesses de seus eleitores? O que leva um governo municipal a não ouvir reivindicações de um povo que não aceita mais a destruição de suas águas? Seriam os tais “pagamentos facilitadores” assumidamente utilizados pela Kinross?

É tempo de todos os paracatuenses, munidos de informação correta, sem falácias, decidirem se querem ou não que sua caixa d’água se transforme em latrina. É tempo de todos os paracatuenses lutarem com garra pela preservação de sua própria condição de existência. Sim, fortes e grandes somos nós! Forte e grande é você!
 
* Sandro Neiva é jornalista