sábado, 16 de maio de 2009

A covardia, segundo Emiliano


Paracatu, 15 de maio de 2009

A covardia, segundo Emiliano

Um prefeito em final de mandato envia um projeto de lei para a Câmara Municipal, para aumentar os salários de prefeito, secretários e vereadores, que atingem valores exorbitantes, imorais até. Esse prefeito é candidato a reeleição.

Os vereadores, também em final de mandato, votam a favor dos salários exorbitantes e imorais e a lei é aprovada.

O prefeito se candidata às eleições municipais, é reeleito, toma posse e passa a receber, juntamente com seus secretários e os novos vereadores eleitos, aqueles salários imorais.

Os vereadores que não foram reeleitos recebem prêmios de consolação do prefeito reeleito, e ocupam cargos comissionados na máquina da prefeitura. Sinal de gratidão?

Os funcionários concursados da prefeitura fazem uma greve de protesto contra a bandalheira e a imoralidade do salário do prefeito e seus secretários, e os baixos salários dos servidores. O movimento ganha força e a notícia se espalha pelo estado e o país, como rastilho de pólvora: "Prefeito de Paracatu ganha mais que governador e presidente da república!" "Servidor ganha menos que o mínimo!" E o povo fica indignado.

Pressionado, o prefeito Vasquinho afirma que ele e seus secretários perderão a motivação de trabalhar se não forem bem remunerados. E por isso, não vai diminuir seus salários. E o povo fica furioso.

Quando tudo deteriora, o prefeito convoca seu primo e correligionário, Emiliano, que vai ao rádio chamar de covardes aqueles que imputam ao Vasquinho a culpa por salários tão altos. O povo fica revoltado e enlouquecido de raiva.

Covardia, Emiliano, é debochar do povo. Covardia e perversidade é chamar um povo pobre e oprimido de burro e idiota, porque votou em um prefeito que não assume nem corrige os erros que comete. Covardia é um prefeito reeleito, homem feito, que atira a pedra e corre para o aconchego da família, protetora e compreensiva, que lhe afaga a cabeça quando deveria lhe aplicar uma surra.

E o povo fica estupefato, diante de tanta vergonha.

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Sergio Ulhoa Dani
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