sexta-feira, 8 de maio de 2009

Funcionários e fornecedores de mineradora botam o bloco na rua

Paracatu, 4 de maio de 2009
Funcionários e fornecedores da mineradora transnacional canadense, RPM/Kinross botaram o bloco na rua nesta segunda-feira. Animados pelo locutor de rádio Ed Guimarães, assumido defensor da empresa, cerca de mil funcionários e fornecedores da mineradora desfilaram em carreata pelas ruas de Paracatu, cidade de 90 mil habitantes do noroeste de Minas Gerais.

A tônica do manifesto era a defesa dos seus salários e empregos, que consideram ameaçados por algo ou alguém que não identificaram claramente. Alguns acreditam tratar-se do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal, que impediram a construção de uma nova barragem de rejeitos da mineração no Vale do Machadinho. Outros suspeitam que a grande culpada é a incompetência da própria mineradora.

No Vale do Machadinho estão as mais importantes nascentes de abastecimento público de Paracatu, que já no século 18 abasteciam a cidade com água mineral de montanha, trazida por queda natural. Mas o principal entrave à construção da barragem no Machadinho é a presença de uma comunidade quilombola no local. A Constituição Federal protege os territórios dessas comunidades, considerados inalienáveis e impenhoráveis. E a mineradora sabe disso.

Sem a autorização do estado e da união para entupir com lama as nascentes e o território quilombola, a mineradora terá que encontrar uma alternativa técnica e locacional para sua nova barragem de rejeitos. Ela vai ter que gastar mais com esta solução, mas se não o fizer, vai fechar, conforme já ameaçou em reportagem de um jornal local.

Os funcionários e fornecedores da mineradora estão confusos e desesperados.

Empresas não fecham por problemas técnicos. Elas fecham por incompetência. A Kinross provou que sabe minerar ouro com competência e responsabilidade sócio-ambiental na mina de Kettle River-Buckhorn, nos Estados Unidos. A grande pergunta é se a mineradora terá a mesma competência e responsabilidade em Paracatu. Assim como nos Estados Unidos, ela terá que contar com a cobrança da comunidade para poder avançar, e não dar o calote.

E a cobrança já começou.
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Sergio Ulhoa Dani
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