terça-feira, 28 de julho de 2009

O FEDOR DO ANIQUILAMENTO


O FEDOR DO ANIQUILAMENTO

* Por Sandro Neiva

Em Paracatu tudo se parece a um convento de freiras Carmelitas, nada é tão
amargo quanto se apregoa nem nada é tão doce como se insinua. A vida se
assemelha a uma salada de frutas feita por um monstro cego ou a um balão
inflado por um tuberculoso, onde naturalmente, existem perigos para todos os
gostos e para todos os lados, até mesmo dentro dos muros da filosofia, por
sobre os elevadores imaginários da intelectualidade.

Canalhice é o que não falta. Os mais incautos não percebem a dialética dos
verdugos, a dissimulação dos abutres, o jogo dos rufiões, assim como seus
disfarces e prognósticos para conservar as chaves do poder, garantir seu
quinhão no bolo e seguir engendrando ilusões e ficções para um rebanho
amorfo.

A cidade às vésperas de um linchamento? Só se for linchamento contra os
direitos das comunidades quilombolas e camponeses do Vale do Machadinho.

Linchamento operado pela mineração aos historicamente abandonados pelo poder
público. Não creio que o cidadão paracatuense tenda a fazer justiça com as
próprias mãos. Cabe aqui uma frase de um pensador francês, não René Girard,
mas Charles Baudelaire: “ser pacifista é não fechar os olhos perante a
violência”. E não se trata de ser “sergiodanista ou rpmista”, como se nos
resumíssemos a esse reducionismo. Trata-se de atitude, de não querer fazer
parte desse teatro de quinta categoria.

Enquanto alguns pseudo-intelectuais, munidos de conformismo covarde em
troca de migalhas, preferem mergulhar o traseiro diante da inércia
alienadora das novelas globais com seus Juvenais Antenas da vida, outros
seguem por aí, gorduchos, disseminando a maldição de suas conjecturas, com
sua tradicional soberba, hospedando-se no Hotel Veredas e dando tapinhas nas
costas de prefeitos e vereadores, financiando veículos de comunicação e até
faculdades. Sim. Estão por aí, mais poderosos e feudais do que nunca,
triplicando o tamanho de sua devastação. O cheiro de aniquilamento é fétido.

E ele emerge das águas e do solo. Será o *gran finale?*


* Sandro Neiva é jornalista