terça-feira, 9 de junho de 2009

Relatório do Banco Mundial prova que mineração gera pobreza


Relatório do Banco Mundial prova que mineração gera pobreza

Um relatório sobre indústrias extrativas encomendado pelo Banco
Mundial [1] provou que as regiões que dependem da mineração são mais
pobres que as regiões sem mineração, e que a mineração gera pobreza
para as comunidades locais no longo prazo, em vez de prosperidade de
longo prazo, como as mineradoras e seus defensores geralmente
apregoam.

O relatório também desaconselha o Banco Mundial de investir em
projetos de mineração de carvão e petróleo em países em
desenvolvimento, e aponta uma série de recomendações para regulamentar
a indústria da mineração, reconhecer os direitos das populações locais
afetadas e implantar boas práticas.

Entretanto os impactos sócio-ambientais devastadores e irreversíveis
da indústria da mineração nunca serão mitigados totalmente, mesmo que
todas as recomendações do relatório fossem postas em prática.

Por esta razão, organizações governamentais como os Amigos da Terra
Internacional (Friends of the Earth International) acreditam que o
Banco Mundial deve retirar-se de todo e qualquer projeto de mineração
de grande escala. Em vez de financiar tais projetos, os recursos
financeiros do Banco Mundial para o desenvolvimento devem ser
empregados para suportar a transição dos empregos, fechamento das
minas, pagamentos de reparação e soluções alternativas tais como
re-utilização, reciclagem e redução do consumo.

A crítica do relatório do Banco Mundial ao lançamento dos rejeitos da
mineração em rios e oceanos é contundente. O ultrajante processo de
depositar os rejeitos da mineração em rios e oceanos ainda é feito em
países sub-desenvolvidos da região da Ásia-Oceano Pacífico e América
Latina, por empresas canadenses e australianas. Segundo o relatório,
esses métodos de disposição de rejeitos devem ser evitados, porque
prejudicam a sustentabilidade humana.

À corrupção pertencem dois: o corruptor e o corrompido

Um exemplo dramático de como a mineração pode roubar a riqueza e
promover a pobreza de um povo foi o escandaloso caso da República
Democrática do Congo, em que a Kinross e outras empresas
transnacionais de mineração se aliaram aos governantes corruptos para
promover um verdadeiro saque das riquezas minerais do povo do Congo.

A República Democrática do Congo é um país africano com grandes
riquezas naturais, porém um povo pobre e governantes corruptos. Em
2003, consultores do Banco Mundial pediram uma imediata suspensão das
negociações entre a Kinross e os governantes corruptos do Congo, para
evitar o pior. Mas o pior aconteceu: a Kinross apressou-se e assinou
um contrato ilegal com as autoridades corruptas do Congo. Pelo
contrato, a Kinross adquiria os mais importantes recursos minerais do
país, em condições altamente favoráveis para a empresa, e
desfavoráveis para o povo Congolês.

O Congo ainda está se recuperando de vários anos de guerra, em que
mais de 4 milhões de pessoas morreram por causa dos conflitos armados,
e também em decorrência de doenças e fome. Foi com esse país
fragilizado e entregue à corrupção que a criminosa Kinross fez
negócios em 2003.

Diz a sabedoria popular que "quando um não quer, dois não brigam". O
episódio mostra que para fazer negócio sujo, basta que os dois lados
sejam sujos.


Referências:

[1] World Bank Extractive Industries Report (2003), www.eireview.org

[2] Financial Times; Nov 20, 2003 "World Bank advised to pull out of
oil and coal financing" By Alan Beattie in Washington

[3] http://www.raid-uk.org/news/DRC_contracts_27_Feb_06.htm


Para mais informações:

Carol Welch, Friends of the Earth US em Washington,
+1-202-7837400 ou +1-202-744-8048 (mobile)

Janneke Bruil, Friends of the Earth International em Amsterdam
+31-20-6221369 or +31-6-52118998 (mobile)

Igor O'Neill, Mineral Policy Institute, www.mpi.org.au
Phone +62 81 286 12 286; Fax +62 21 791 816 83

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Sergio Ulhoa Dani
Tel. 00(XX)49 15-226-453-423
srgdani@gmail.com