quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Alemães pedem ajuda às Nações Unidas para evitar catástrofe em Paracatu

25 de Agosto de 2009

Alemães pedem ajuda às Nações Unidas para evitar catástrofe em Paracatu

Por Sergio U. Dani

A Sociedade dos Povos Ameaçados (GfbV), organização internacional de
defesa dos direitos humanos com sede em Göttingen, Alemanha, escreveu
hoje à Organização Mundial da Saúde (OMS) pedindo ajuda do órgão das
Nações Unidas para evitar uma catástrofe sócio-ambiental em Paracatu,
Brasil.

A carta foi uma resposta da GfbV à concessão da licença de instalação
de uma nova barragem de rejeitos tóxicos da transnacional canadense,
Kinross Gold Corporation no Vale do Machadinho, considerada a caixa
d'água potável dos 90,000 habitantes de Paracatu.

As cerca de um milhão de toneladas de arsênio que a mineradora
canadense pretende lançar na caixa d'água de Paracatu são suficientes
para matar 10 vezes a população atual do planeta. Segundo dados
publicados pela própria mineradora e escondidos dos relatórios das
agências reguladoras ambientais, com a cumplicidade de autoridades
governamentais brasileiras, a população de Paracatu já está exposta a
uma dose de arsênio 10 vezes acima do considerado tolerável pela OMS.
O arsênio é liberado das rochas da mina de ouro a céu aberto
localizada junto à cidade.

Os efeitos da exposição crônica ao arsênio começam a ser sentidos após
10-20 anos do início da exposição. A mina de ouro a céu aberto de
Paracatu foi inaugurada em 1987 e Paracatu já começa a sentir os
efeitos da contaminação ambiental. Os gastos com saúde subiram 30%. Em
2008, a Kinross iniciou a expansão da mina, contrariando os alertas
constantes da comunidade científica sobre os riscos da contaminação
com arsênio e outras substâncias.

A última etapa da expansão da mina da Kinross em Paracatu é justamente
a construção da nova barragem de rejeitos tóxicos. Estima-se que
milhares morrerão de câncer e outras doenças causadas pela exposição
crônica ao arsênio no ar, nos solos e na água, como doenças
cardiovasculares, renais e endócrinas. Crianças são mais vulneráveis,
porque assimilam mais arsênio que adultos.

A Kinross Gold Corporation é sediada em Toronto, no Canadá. A empresa
pratica "pagamentos facilitadores" a membros dos governos dos países
onde ela atua, visando "facilitar seus negócios". Relatório
independente implicou o presidente da empresa, Tye Burt,
ex-funcionário do Deutsche Bank, em operações financeiras
fraudulentas. A empresa Siemens, também alemã, fabricou e montou o
maior moinho de minério da América Latina, para dar suporte às
operações da mina da Kinross em Paracatu.

A Sociedade dos Povos Ameaçados (GfbV - Gesellschaft für bedrohte
Völker) é uma organização internacional para proteção dos direitos
humanos de minorias étnicas e religiosas. É uma ONG com status de
conselheira junto ao Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) e
também junto ao parlamento europeu. A sede da GfbV fica em Göttingen,
Alemanha.