terça-feira, 24 de março de 2015

Existe um ‘teor normal de arsênio na urina’?

Sergio Ulhoa Dani, de Berna, Suíça.

Arsênio é uma substância tóxica que comprovadamente causa um catálogo de doenças, inclusive diversas formas de câncer. O corpo não precisa de arsênio e não existe dose segura para uma substância venenosa como o arsênio. Alguns estudos e relatórios descrevem ‘intervalos de normalidade’ para a concentração de arsênio na urina. Um exemplo é o relatório da National Health and Nutritional Examination Survey (NHANES), publicado em 2010, com dados de milhares de pessoas de diversas idades, de diversas regiões dos Estados Unidos [1]. O critério de ‘normalidade’ empregado em relatórios como esse é estatístico, sem significado médico. Numa dada população cronicamente exposta ao arsênio, concentrações de arsênio na urina podem ser consideradas, do ponto de vista estatístico, ‘normais’ para aquela população. Do ponto de vista médico, e para o bem da saúde de uma pessoa, a concentração de arsênio na urina deve ser igual a zero. Uma única medida de arsênio na urina não espelha adequadamente a quantidade de arsênio armazenada cronicamente no corpo de uma pessoa. Uma forma de estimar essa quantidade é medir a variação circadiana da concentração do arsênio liberado dos ossos e excretado na urina. Essa variação pode ser estimada pela diferença das concentrações de arsênio das urinas da manhã e da tarde [2].

Referências:
[1] http://sosarsenic.blogspot.ch/2010/11/urinary-arsenic-determined-in-large-us.html
[2] Dani SU. Osteoresorptive arsenic intoxication. Bone. 2013;53:541-5.