domingo, 8 de julho de 2012

Segurança pública e direitos humanos debatem mortes anunciadas


Segurança pública e direitos humanos debatem mortes anunciadas

Por Sergio U. Dani, de Heidelberg, Alemanha, em 8 de julho de 2012

As Comissões de Segurança Pública e de Direitos Humanos da ALMG convidam para debater a violência contra comunidades quilombolas em Minas Gerais, especialmente as ameaças de morte sofridas pelo vereador Vanderlei Dias, de Pedro Leopoldo, e pela Sra. Evane Lopes Dias Silva, líder da Comunidade Quilombola de São Domingos, de Paracatu.

Duas mortes anunciadas já seriam razão de alarme, mas infelizmente essas são apenas uma fração do número real de mortes anunciadas.


Em Paracatu, a mineradora canadense Kinross Gold Corporation (KGC), depois de ter matado a tiros alguns integrantes da Comunidade Quilombola, conseguiu expulsar essa comunidade, invadiu e poluiu com
arsênio e cianeto o Território Quilombola que está protegido pela Constituição Federal. A KGC conta com o apoio de certos juízes, promotores públicos, empresários e políticos para operar um geocídio e 
um genocídio em Paracatu.

A população está indefesa. Uma Ação Civil Pública contra a mineradora e a Prefeitura de Paracatu proposta em 2009 pela Fundação Acangau de Paracatu encontra-se suspensa por decisão judicial. Uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Federal contra a mineradora foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal. Outra Ação proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais foi paralisada por  meio de um acordo feito com a mineradora.

Em 2011, o Conselho Nacional de Defesa da Pessoa Humana (CNDPH) admitiu a causa de genocídio pelo envenenamento crônico da população de Paracatu com o arsênio liberado 24horas por dia pela KGC.  


Estudo publicado em 2012 com o apoio financeiro da própria mineradora revela que milhares de toneladas de arsênio já estão biodisponíveis em Paracatu, uma quantidade suficiente para tornar inabitável o Território Quilombola para todo o sempre, e matar milhões de pessoas pela dispersão do arsênio pelo vento, pela água e pela cadeia alimentar. Ao contrário de Tchernobyl, onde a radiação do acidente nuclear diminui com os anos, em Paracatu a biodisponibilidade e a dispersão do arsênio se mantêm e se amplificam ao longo dos anos.

O processo de mineração predatória de ouro, a perda da diversidade genética, sócio-ambiental e cultural pela destruição dos habitats e territórios naturais iniciado em 1987 por Eike Batista, a serviço de transnacionais inglesas e canadenses em Paracatu levará milhões de anos para ser corrigido. Em 2009, o governo de Minas Gerais autorizou a expansão do geocídio e do genocídio por mais 30 anos. Essa é a
loucura pela qual os nossos descendentes jamais nos perdoarão.

Data: 10/07/2012
Horário: 10:00h
Local: Auditório - Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

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Dr.med. D.Sc. Sergio U. Dani
Heidelberg, Germany
Tel.  +49  15-226-453-423
srgdani@gmail.com