sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Nossa vida por amor ao ouro?

Nossa vida por amor ao ouro?
By Sergio U. Dani

Paracatu-MG, Brazil, Tuesday 8th, September 2009. The day after
Independence-Day, a lawsuit was brought before the Paracatu court of
law in which Acangau Foundation claims to have perceived imminent
damages from Kinross Gold Corporation mining operations to Paracatu's
90,000 inhabitants and the environment.

The civil action proposed by Acangau Foundation is worth R$
37.260.000.000,00 (US$ 20.5 billion, equivalent to the value of the
gold reserves of Kinross' open cut gold mine in Paracatu) to remediate
estimated health, environment and social damages imposed to 10% of
Paracatu people in the next 30 years of continuing Kinross' gold
mining operations.

This amount may not constitute a remedy for the human lives that are
going to be lost or the foreseeable social and economic distresses;
but it gives an idea of the unsustainability of Kinross' mining
project in Paracatu. The Paracatu mine gold reserves are worth some
US$ 15-20 billion. The arsenic output in mine tailings amount 1
million
tonnes. The Paracatu mine is unique in that it has the world's lowest
gold grades and world's highest arsenic output, and it is located in
the outskirts of a city.

Acangau Foundation's lawsuit is likely to be followed by several other
civil and criminal actions as damages start to be felt on a global
scale. Several recent geochemical mapping projects have delivered
indications for arsenic degassing as an important process leading to
arsenic enrichment in the surface environment.

Lawsuit available at: http://www.serrano.neves.nom.br/1xACPPTU.pdf

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Nossa vida por amor ao ouro?

Por Sergio U. Dani

Paracatu-MG, Brasil, terça-feira, dia 8 de Setembro de 2009. No dia
seguinte ao Dia da Independência, deu entrada no Judiciário de
Paracatu a Ação Civil Pública de
Precaução e Prevenção proposta pela Fundação Acangaú.

"DO VALOR DA CAUSA - A saúde e a vida humana são de valor inestimável,
mas é possível sugerir, com base em estudos, um valor econômico médio
de R$ 4.140.000,00 (quatro milhões e cento e quarenta mil reais) por
pessoa afetada pelo risco sistêmico, sendo que para o caso em questão
estima-se que o grupo de risco sistêmico comporte 9.000 pessoas, temos
o cálculo de R$ 4.140.000,00 x 9.000 = R$ 37.260.000.000,00 (trinta e
sete bilhões e duzentos e sessenta milhões de reais) para 10% (dez por
cento) da população de Paracatu, em mais trinta anos de mineração a
céu aberto na cidade e seu entorno, dados confirmados pela
Environmental Protection Agency, agência de proteção ambiental do
governo americano, que estudou a fundo os custos sociais da
contaminação ambiental por arsênio."

O valor estimado dos prejuízos econômicos é equivalente ou superior ao
valor declarado das reservas de ouro da mina da Kinross em Paracatu.
Isso dá idéia da insustentabilidade do projeto de mineração da
transnacional canadense em Paracatu.

Durante o processo de licenciamento, a mineradora conseguiu esonder um
milhão de toneladas de arsênio que serão gerados nos próximos 30 anos
previstos de exploração da mina. A mineradora contou com o apoio de um
punhado de simpatizantes que hoje integram os quadros do governo e dos
"comitês representativos da sociedade".

A mina de Paracatu tem infelizes superlativos: menor concentração de
ouro do mundo, maior taxa de liberação de arsênio, mina a céu aberto
em ambiente urbano, depósito de 1 milhão de toneladas de arsênio em
manancial de abastecimento público. Talvez este seja o maior genocídio
anunciado da história da mineração de ouro no mundo.

Um número crescente de trabalhos de mapeamento geoquímico têm indicado
que a volatilização de arsênio é um processo importante que está
levando ao aumento da concentração de arsênio na superfície da terra.
As contaminações locais adquirem proporções globais.

Com o aumento exponencial do número de publicações científicas sobre
arsênio e seu efeito sobre a humanidade, está ficando cada vez mais
claro que as consequências da contaminação ambiental são
catastróficas. Espera-se que o número de ações judiciais aumente na
mesma proporção, e eventualmente a mineração de ouro em rocha dura a
céu aberto seja banida e empresas mineradoras poluidoras como a
Kinross e seus dirigentes sejam responsabilizados civil e
criminalmente pelo genocídio que têm causado com suas atividades
minerárias.

Texto integral da Ação Civil Pública em
http://www.serrano.neves.nom.br/1xACPPTU.pdf