domingo, 10 de maio de 2009

Lei das águas: entrevista com o vereador Dr. Romualdo Ulhoa


Paracatu, 5 de abril de 2009

*Lei das águas: entrevista com o vereador Dr. Romualdo Ulhoa*

(Transcrição da entrevista concedida à TV Paracatu)  

*TVP*: A lei das águas tem trazido muita polêmica para a nossa cidade. Estou com o vereador Dr. Romualdo Ulhoa, autor do projeto da lei das águas. Ele vai falar um pouco para nós como funcionará esta lei e o que ela é. Dr. Romualdo, o que é a lei das águas?

*Dr. Romualdo*: A lei das águas, como vem sendo chamada, digamos como um apelido, é uma lei de proteção das águas. Essa lei declara a região da Serra da Anta, um aqüífero montanhoso de suma importância, de interesse público municipal para fins de uso humano. Ou seja, a prioridade de uso dessa água é o uso humano. Em momento algum ela inibe as atividades das pessoas que trabalham nessa região. Ela em momento algum quer deixar que estas águas sejam administradas pelo município. Muito pelo contrário. No texto dessa lei a gente fala até na necessidade de remunerar os donos dessas terras, os donos dessas vertentes, dessas nascentes, para eles aumentarem a produção dessas águas, para que eles conservem as nascentes, que eles façam o replantio, se por acaso essas nascentes estiverem desmatadas, para que façam curvas-de-nível para manter a água nesse aqüífero. Quer dizer, todo um sistema de proteção dessas águas, porque essas águas, principalmente as águas que formam o Ribeirão Santa Rita, essas nascentes, são de água muito limpa, uma água que não sofre a influência de agrotóxicos, porque naquela região não tem grandes lavouras. Então a gente tem naquela região a nossa caixa d`água do futuro. O nosso interesse é simplesmente declarar essas águas e essa região como de interesse público. Não muda mais nada para a região. É interesse público, simplesmente. Que essas águas sejam usadas, prioritariamente, para uso humano. Porque como você mesmo sabe, e está se falando em todo o mundo, água é problema sério. O déficit de água para as populações tem aumentado constantemente, e essa tendência vai continuar, tanto pelo aumento da população, quanto pelo desgaste da base de produção da água. Pela diminuição das águas nascentes, seja em função da interação do homem com elas, seja pela poluição dessas águas.

*“Queremos um sistema de proteção das águas. Principalmente as nascentes do Ribeirão Santa Rita, que são de água muito limpa, uma água que não sofre a influência de agrotóxicos, porque naquela região não tem grandes lavouras. Ali está a nossa caixa d`água do futuro. O nosso interesse é simplesmente declarar essas águas e essa região como de interesse público, e fazer a gestão conjunta com os produtores rurais.”

*TVP*: Pessoas ligadas às empresas de mineração dizem que a aprovação dessa lei das águas irá impedir o trabalho das mineradoras. Isso pode acontecer?

*Dr. Romualdo*: De forma alguma! Em momento algum essa lei impede a mineradora de trabalhar! E veja bem, eu sou a favor que a mineradora fique aqui. E já falei isso numa reunião com todos os dirigentes da RPM/Kinross. Numa reunião, eu falei com eles: Olha, vocês estão pedindo duas coisas em Paracatu, a água e um local para por rejeito. Nós oferecemos para vocês a água. Essa água hoje ainda não precisa ser usada para consumo humano, então vocês utilizem a água, não tem problema nenhum. Nós não queremos que a RPM saia da cidade. Não existe esse terrorismo. Pelo amor de Deus! Terrorismo é a própria RPM que está fazendo, para que a nossa lei não seja aprovada. Eles colocam as pessoas que trabalham na RPM, os seus funcionários, os seus prestadores de serviço contra uma lei que simplesmente, única e exclusivamente, fala em preservar a água. E preservando a água, eles mesmos terão mais água, nós poderemos oferecer a eles mais água para a mineração. Mas jogar rejeito com veneno naquela caixa d`água nossa, isso não se justifica. Como eu vou explicar para meus filhos, meus netos, meus bisnetos que algum dia vierem, quando provavelmente eu já estiver morto, que eu fui um dos responsáveis pela contaminação de uma água importantíssima para essa cidade? Como eu vou explicar para a própria população de Paracatu, que uma água que é importante para o futuro dos seus netos, seja eliminada? Porque uma vez ali colocados os rejeitos, para sempre essa água acabou, essa água vai embora. Essa água nunca mais será própria para consumo humano. E uma barragem de rejeitos iria aterrar essas nascentes, nós perderíamos essas nascentes para sempre. Vejam bem, senhores, companheiros paracatuenses. O meu interesse é o seu interesse! Eu não tenho interesse financeiro nisso. Eu tenho interesse em manter água. Em ter água para o futuro. E nós sabemos que, em curto prazo – já está acontecendo até – duas em cada três pessoas no mundo sofrem pela deficiência de água. Eu estou aqui propondo uma lei que não acaba com nada! Com nada! Ela simplesmente torna de interesse público essas águas dessa região a serem usadas para consumo humano como prioridade de uso. E nós vamos oferecer essa água para a RPM/Kinross. Essa água estará à disposição dela até quando as nossas necessidades chegarem. Então a mineradora não pode falar que nós estamos fazendo alguma coisa contra ela. Nós queremos que essa água continue limpa. É demais? É demais pedir essa água limpa? É demais, paracatuense? Pensa nisso, pensa! Com relação à outra parte, a dos rejeitos, eles que são técnicos é que têm a capacidade de achar a solução técnica para onde colocar seu rejeito. Arruma outro lugar, faz de outra forma! Mas, nessa caixa d`água nossa? Por que? Por que, RPM/Kinross? Por que? A população te dá a água!

*“Essa água estará à disposição da mineradora até quando as nossas necessidades chegarem. Então a mineradora não pode falar que nós estamos fazendo alguma coisa contra ela. Nós queremos que essa água continue limpa. É demais? É demais pedir essa água limpa? É demais, paracatuense? Pensa nisso, pensa! Com relação à outra parte, a dos rejeitos, eles que são técnicos é que têm a capacidade de achar a solução técnica para colocar seu rejeito. Arruma outro lugar, faz de outra forma! Mas, nessa caixa d`água nossa? Por que? Por que, RPM/Kinross? Por que? A população te dá a água!”*

*TVP*: Quem regularizaria o uso da água?

*Dr. Romualdo*: Essa água poderá ser administrada aqui, ou por uma secretaria criada pela Prefeitura, ou por um comitê gestor, onde a própria população da cidade é que estaria ajudando os produtores dali a produzir água. E, no futuro, até pagar, porque em muitos lugares já se paga para produzir água. E isso não diminui de forma alguma a receita dos produtores, antes pelo contrário, vai aumentar a receita daqueles produtores, por melhorar as nascentes, proteger as nascentes, fazer as curvas-de-nível para que essa água não se perca, para que essa água consiga se infiltrar e voltar nas suas nascentes. Então essa gestão vai ser pública. E nessa gestão pública, na forma que for decidida, a própria mineradora pode ter sua cadeira, para se manifestar também.

*TVP*: Até onde abrangeria essa lei das águas? Qual perímetro ela alcançaria?

*Dr. Romualdo*: Ela pega uma área de mais ou menos 50 mil hectares, que já está em um mapa. Essa área inclui o Ribeirão Santa Isabel e Córrego do Espalha, as nascentes do Ribeirão Santa Rita e o Córrego do Sotero. Acima dessa região toda, as nascentes que caem para dentro dessa área. Uma área que está exclusivamente dentro do município de Paracatu, e que estaria sob a abrangência dessa lei. E a lei não atrapalha produtor nenhum. Ela não atrapalha o produtor de produzir, ela não faz com que produtor grande, pequeno ou médio mude suas posturas, ela simplesmente vai ajudar esse produtor na medida em que, ele protegendo as águas, poderá até ser recompensado por isso. Você pode dizer que a área é grande, mas é uma região montanhosa, de muita água mesmo, tal é a importância dessa água para a gente.

*“A lei não atrapalha produtor nenhum. Ela não atrapalha o produtor de produzir, ela não faz com que produtor grande, pequeno ou médio mude suas posturas, ela simplesmente vai ajudar esse produtor na medida em que, ele protegendo as águas, poderá até ser recompensado por isso.”*
  
*TVP*: Essa lei então só estaria alcançando as nascentes que estão bem próximas à cidade.

*Romualdo*: Isso mesmo, essas nascentes que formam o Sistema Serra da Anta, que é essa serra por onde passa a BR-040. De um lado, tem as nascentes que vão formar o Ribeirão Santa Rita e o Córrego do Sotero, do outro lado tem as nascentes que formam o Ribeirão Santa Isabel e o Córrego do Espalha.

*TVP*: Por que não fazer a lei abrangendo todo o município de Paracatu?

*Dr. Romualdo*: No momento já existem outras gestões em cima das bacias maiores. A gente pretende simplificar a situação. A gente simplesmente está trazendo para o município a gestão sobre uma água de importância vital para ele, que são essas nascentes. Isso não quer dizer que as outras águas não são importantes, e nada impede que no futuro a gente aumente essa influência do município sobre as suas águas.

*TVP*: Seus eleitores e a comunidade paracatuense conhecem o seu trabalho. Há boatos na cidade que alguém está por trás do seu trabalho e que o senhor estaria somente reproduzindo o que essa pessoa diz. O que o senhor tem a dizer sobre isso? Que toda essa lei é feita por uma pessoa, e o senhor só faz repetir o que essa pessoa diz?

*Dr. Romualdo*: Existem pessoas sim, por trás do meu trabalho. Todo político tem uma assessoria. Minha assessoria jurídica é o Dr. Serrano Neves. Nós conversamos e achamos que essas águas deveriam ser protegidas. Aí ele criou as estruturas legais da lei. Agora, a lei foi pensada e foi imaginada em conjunto. Eu não sou simplesmente aquele que está pondo a lei em pratos. Eu participei nessa idéia da formulação da lei das águas. Junto de nós também está o Dr. Sergio Dani, um cientista e médico que mora aqui na cidade. Toda a comunidade de Paracatu tem que agradecer a ele pelo atrito muito grande que ele criou com a RPM/Kinross nos últimos meses ou anos. Se não houvesse esse atrito, se não houvesse essa participação, hoje a RPM/Kinross não estaria fazendo nada por nós, não estaria fazendo passeata, não estaria fazendo nada a não ser simplesmente aquilo que ela quer. Eu não quero falar mal da RPM/Kinross. Isso não é minha função. Eu tenho amigos trabalhando lá, tenho pais de clientes meus, clientes que eu adoro, que eu trato com o maior carinho, são pessoas queridas do meu coração que também trabalham e vivem ali. Eu não quero o mal para estas pessoas. Essas pessoas são para mim eternas. Então por que eu iria fazer alguma coisa contra elas? O que eu quero, o que eu acho que a empresa pode fazer, é rever seus planos. Não acabar com essas nossas nascentes. Ela pode muito bem fazer como fez numa mina dela nos Estados Unidos, em Kettle River-Buckhorn. Essa mina foi adaptada conforme os desejos da população local, pela mesma empresa que hoje está aqui, a RPM/Kinross. A comunidade de lá discutiu com essa empresa durante muito tempo o projeto da mina, que não é igual a essa nossa, porque lá a mina está longe da cidade, e aqui nós estamos dentro da mina. A mina da Kinross nos Estados Unidos está a mais de sessenta quilômetros da cidade, e mesmo assim a comunidade local exigiu que não fosse feita uma mineração a céu aberto, como esta aqui em Paracatu, por causa da poeira, por causa do risco com arsênio, por causa da poluição que a mina poderia provocar, levada pelo vento até essa cidade. Então a Kinross mudou o projeto dela. Mudaram o local de colocar os rejeitos, fizeram uma estrada de 76 quilômetros para levar seus rejeitos e depositar de uma forma segura, que não pudesse afetar aquela comunidade. Quer dizer, a Kinross faz nos Estados Unidos uma coisa, e aqui no Brasil ela faz outra. Ela não nos considera. Eu falei com o pessoal da RPM. Uma hora eles me falaram assim: “A gente até precisa saber se a cidade quer a gente”, dando a impressão ou criando a ilusão do tipo: “Já que não nos querem, nós vamos embora”. Eu falei com eles o contrário: “Olha, vocês estão trazendo para a gente prejuízo ambiental, prejuízo à saúde, à vida. Eu queria saber de vocês: vocês gostam da gente? Vocês gostam da gente o suficiente para mudar um pouco os seus projetos? Para deixá-los um pouco mais caros, mas em benefício da nossa saúde? Porque de todo jeito nós vamos ser afetados. Essa mina está aqui dentro. Nós não sabemos ao certo o quanto estamos sendo afetados, porque ainda não temos um estudo sobre isso. Do jeito que vocês querem, as nossas nascentes vão acabar, como já acabaram as do Córrego Rico. Então olha só! Vocês querem o povo de Paracatu? Vocês gostam do povo de Paracatu? Vocês podem mudar o suficiente, gastar um pouco mais, digamos um por cento dos seus ganhos, numa remodelação dos seus projetos?  

*“A Kinross faz nos Estados Unidos uma coisa, e aqui no Brasil ela faz outra. Ela não nos considera. Eu falei com o pessoal da RPM. Uma hora eles me falaram assim: “A gente até precisa saber se a cidade quer a gente”, dando a impressão ou criando a ilusão do tipo: “Já que não nos querem, nós vamos embora”. Eu falei com eles o contrário: “Olha, vocês estão trazendo para a gente prejuízo ambiental, prejuízo à saúde, à vida. Eu queria saber de vocês: vocês gostam da gente? Vocês gostam da gente o suficiente para mudar um pouco os seus projetos? Para deixá-los um pouco mais caros, mas em benefício da nossa saúde? Porque de todo jeito nós vamos ser afetados. Essa mina está aqui dentro. Nós não sabemos ao certo o quanto estamos sendo afetados, porque ainda não temos um estudo sobre isso. Do jeito que vocês querem, as nossas nascentes vão acabar, como já acabaram as do Córrego Rico. Então olha só! Vocês querem o povo de Paracatu? Vocês gostam do povo de Paracatu? Vocês podem mudar o suficiente, gastar um pouco mais, digamos um por cento dos seus ganhos, numa remodelação dos seus projetos?”*

*TVP*: O que falta para a lei ser aprovada?

*Dr. Romualdo*: A lei está agora na Comissão de Constituição e Justiça e redação. Nesse processo, nossos colegas vão ver se ela pode transitar. O relator dessa comissão é o vereador Vânio Ferreira. Ele está com a incumbência de fazer a redação e, junto com a Comissão, aprovar a constitucionalidade. A partir daí, eles têm quinze dias para nos dar uma posição. O vereador Vânio está buscando orientações, mas nós já temos orientações fortes da legalidade da lei. Passando essa fase, ela vai ao plenário da Câmara Municipal, onde os vereadores darão a palavra final: se protegem nossas águas, ou se acham que não. Se acham que a RPM/Kinross vai cumprir essa ameaça de ir embora daqui, depois de tanto investimento. Como é que ela vai explicar para Paracatu que ela não tinha um lugar para colocar os seus rejeitos? Que ela queria matar três nascentes? Como ela vai explicar que ela não gosta do povo de Paracatu?

*TVP*: O espaço está aberto para o senhor se dirigir à comunidade, para tranqüilizá-la, ou para alertá-la a respeito da lei.

*Dr. Romualdo*: Paracatuenses, conterrâneos: Sou paracatuense, nasci e me criei aqui, andei nessas águas todas que a gente hoje quer proteger, as do Córrego Rico, do Espalha, nascentes do Santa Rita e Sotero. Nesses locais fiz piqueniques, passei parte da minha infância aí, como vários de vocês de mais idade também passaram e têm saudade. Você, paracatuense, que trabalha na RPM/Kinross, tenha a certeza que eu estou completamente a favor de você. Em momento algum eu quero que vocês percam o emprego. Eu tenho laços muito fortes com vários de vocês. Então não há motivo para eu fazer uma lei e tentar provocar uma situação onde vocês seriam prejudicados. Às pessoas que trabalham para a RPM, que prestam serviços – inclusive eu tenho um irmão prestando serviços lá, um irmão de sangue – senhores, nós não queremos que vocês percam seus lucros. Ajudem a gente nessa batalha! Convençam ou vejam como a RPM/Kinross pode mudar o seu local de colocar rejeito. É só isso que nós queremos! Nós demos cinqüenta por cento da solução dos problemas que eles tinham: água e local para rejeito. A água nós damos, são cinqüenta por cento. A outra parte é técnica! Eles acham uma solução. Eu tenho certeza que essa mineradora não pára no momento em que está, no ponto em que está. Não para a sua mineração simplesmente porque não conseguiu arrumar um lugar para colocar os seus rejeitos. Então, paracatuense, tenha essa certeza: meu coração é paracatuense, a minha alma é paracatuense, nós temos laços eternos com essa cidade, e nós temos compromisso também com essa cidade. Se você não acredita no que eu falo, pelo menos não me julgue como eles querem que eu seja julgado: como um que quer simplesmente fazer Paracatu parar, o que também não é verdade, porque nós temos uma economia muito forte. Como alguém que é pau-mandado, que tem alguém por trás mandando fazer e fazer. Eu não estaria aqui falando, se não acreditasse nessas idéias. Então, paracatuense, manifesta, entra no site do Alerta Paracatu, dá seu voto! Entra em qualquer site da cidade e manifesta, dá sua idéia! Compõe com a gente! Vamos ajudar! Se precisar melhorar essa lei, vamos melhorar, juntos! Vem, RPM! Vem sentar com a gente! Não chega simplesmente ameaçando, não. Vamos discutir, vamos ver e vamos achar solução. Obrigado!


-- 
Sergio Ulhoa Dani
Reserva do Acangaú, zona rural
Caixa postal 123
38.600-000 Paracatu MG
Brasil
srgdani@gmail.com
(+55 38) 9913-4457
(+55 38) 9966-7754

sábado, 9 de maio de 2009

Apelo URGENTE aos amigos


Apelo URGENTE aos amigos, em especial aos PARACATUENSES

Leiam porque o assunto é IMPORTANTISSIMO.
 
A Lei das Águas de Paracatu e a RPM-Kinross (mineradora transnacional canadense)
 
Por Thalles Ulhoa (*)
 
Nós não somos contra a RPM-Kinross, somos contra a sua pretensão de construir uma nova barragem de rejeitos químicos na nossa verdadeira caixa d`água, as nascentes de montanha do Vale do Machadinho.
 
A mineradora já tem uma barragem de rejeitos, construída há mais de 20 anos aqui perto da cidade de Paracatu. Disseram que serviria para 30 anos de exploração. Esse tempo já está quase esgotado e até hoje ela continua do mesmo jeito, sem solução para o destino de todo esse REJEITO QUÍMICO.
 
Agora eles querem construir uma nova barragem de rejeitos químicos que promete um futuro de MORTE para a população do nosso município.
 
A lei de proteção das águas de Paracatu é SIMPLES E CLARA. A água está ali e eles poderão usar, só não poderão acabar com as mais preciosas NASCENTES de abastecimento público ainda existentes no nosso município.
 
Eles têm pessoas com capacidade técnica para desenvolver um NOVO projeto para que essa BARRAGEM DE REJEITOS QUÍMICOS seja construída em outro local, mas não querem fazer isso porque terão que gastar mais dinheiro do próprio bolso.
 
E ainda ficam ATERRORIZANDO a população de Paracatu. Ameaçado pela falta d`água e pela poluição ambiental por todos os lados, o POVO DE PARACATU, através de seus representantes na CAMARA MUNICIPAL, está elaborando uma lei que protegerá o AQUÍFERO MONTANHOO DA SERRA DA ANTA, ao norte da cidade.
 
A proteção desse aquífero e das populações tradicionais e PRODUTORES DE AGUA que ali vivem é o espírito desta lei que promete SALVAR A CIDADE DE MORRER DE SEDE NUM FUTURO PRÓXIMO.
 
LEMBREM-SE:
 
A RPM/Kinross já está aqui na cidade há 30 anos, explorando a nossa riqueza e deixando muito pouco em troca. Todos os funcionários que nela trabalham já estão cientes que um dia essa empresa vai fechar. Não somos nós que estamos dizendo que eles irão embora.
 
Só não queremos que eles vão embora e deixem seu lixo na nossa caixa d`água. Nós podemos permitir que usem a água, mas nunca que a contaminem para sempre, porque nós precisaremos dessa água depois que a mineradora for embora.
 
Acreditamos que os canadenses da RPM/Kinross não são burros. Eles têm profissionais capacitados para desenvolver um novo projeto de barragem ou destinação de rejeitos em outro local. Apenas eles estão insistindo para ver até onde vai nossa paciência ou nossa tolerância, para ver quanto eles podem economizar às nossas custas.
 
Para eles, construir a barragem de rejeitos químicos na nossa caixa d`água fica muito mais barato. Afinal de contas, não serão eles que morrerão de sede ou de câncer amanhã. Os canadenses da Kinross não são trilhonários? Ninguém precisa ficar com peninha deles se eles tiverem que gastar um pouco dos seus milhões de dólares que eles acumularam às nossas custas. Quem de nós vai deixar que eles construam um marzão de rejeitos químicos na nossa caixa d`água?
 
O local onde está nossa preciosa caixa d`água, o Vale do Machadinho, que a mineradora quer entupir de lama de rejeitos químicos está ilustrado nos nossos sites na internet. Para quem não conhece, essa região é muito facilmente vista por quem passa pela BR 040, indo ou vindo de Brasília, pertinho de Paracatu, perto da Curva da Morte e da Biquinha. É todo aquele lindo vale que fica à direita de quem viaja sentido Paracatu-Brasília.
 
Vocês paracatuenses VÃO PERMITIR que arrasem esse patrimônio natural precioso, só para dar mais lucro para uma mineradora estrangeira trilhonária? Então vamos lutar todos juntos contra essa diretriz dos canadenses que querem nos explorar. Vamos juntos contra as pretensões mortais dessa empresa que só tem INTERESSE PRÓPRIO. Eu repito, um dia eles vão embora, e nós, como ficaremos no fim dessa história? De onde iremos buscar água mineral de montanha, por queda livre, para a nossa cidade? Vamos pensar nas nossas famílias, nossos filhos, netos e bisnetos.

Não se esquecem que eles vão embora, e a DESTRUIÇÃO AMBIENTAL ESMAGARÁ COM MUITO + MISÉRIA + POBREZA + DOENÇAS (CÂNCER) + SEDE E MUITA SEDE, não precisa falar mais nada, não é?

Para quem ainda tem alguma dúvida sobre a Lei das Águas, vou RESUMIR de uma forma bem clara, PORQUE A LEI É SIMPLES E CLARA: ELES PODEM USAR A NOSSA ÁGUA, SÓ NÃO PODEM CONSTRUIR UMA BARRAGEM DE REJEITOS QUÍMICOS NA NOSSA CAIXA D’ÁGUA. Não queremos que eles transformem a nossa caixa d`água na latrina deles.

O que a mineradora quer fazer é comer o minério do morro, digeri-lo nos moinhos gigantescos, absorver o ouro e descarregar o que sobrou, o cocô deles, na nossa caixa d`água. Eles querem cagar no prato em que comeram. Isso não deixaremos!

Caros AMIGOS, não precisa ser especialista na área para responder essa pergunta: onde deverá ser construída uma barragem de rejeitos, onde deverá ser construída uma latrina?

Será que o local mais apropriado é onde existem NASCENTES NATURAIS? Um lugar que é um verdadeiro PRESENTE, UMA BENÇÃO QUE DEUS CONCEDEU PARA TODA A POPULAÇÃO PARACATUENSE?

A RPM-Kinross (os canadenses) querem cagar seus rejeitos químicos na nossa caixa d`água.

Quem acha que o meio ambiente seria o mesmo depois dessa destruição programada? Quem acha que tem como recuperar uma área dessas? Ou será que a RPM-Kinross tem o segredo da vida, da ressureição? Será que sabem construir nascentes, córregos, rios? Será que eles sabem plantar água? Será que dominam essa mágica?

Acredito que não preciso perguntar ou dizer mais nada...

No entanto ainda vou dizer algo. Senhores mineradores canadenses, se quiserem permanecer na nossa cidade, que gastem mais dinheiro e desenvolvam uma alternativa para sua nova barragem de rejeitos químicos, que seja em outro lugar. No Vale do Machadinho, não.

Tenham vergonha na cara e façam como fizeram na sua mineração nos Estados Unidos, em Kettle River-Buckhorn, que é modelo de mineração limpa. Será que os americanos de lá valem mais que nós paracatuenses?

(*) Paracatuense nato, nutricionista clínico funcional, CRN4 – 2004101346.  

*Alerta Gripe Suína*


*Alerta Gripe Suína*


Por Sergio Ulhoa Dani (*)

A recente epidemia de gripe suína em 23 países é causada por um novo vírus influenza tipo A (H1N1). Os países mais atingidos até o momento (8 de maio de 2009), em número de casos confirmados e mortes, são:
  • *. México* (1112 casos - 42 mortes),
  • *. Estados Unidos* (896 casos - 2 mortes*), *
  • *. Canadá* (214 casos - 1 mortes),
  • *. Espanha* (81 casos - 0 mortes) e
  • *. Reino Unido* (39 casos - 0 mortes).
*Como esse novo vírus H1N1 se espalha? *

Como outros virus de gripe, ele se espalha principalmente de pessoa para pessoa, através da tosse ou espirro de pessoas gripadas. Algumas vezes as pessoas podem ser infectadas após tocar algum objeto que contenha virus e levar a mão contaminada à boca ou nariz.

*Por quanto tempo uma pessoa contaminada pode espalhar o vírus para outras pessoas?*

Acredita-se que este virus tenha as mesmas propriedades de outros virus de gripe, em termos de contágio. Com a gripe comum, os estudos indicaram que as pessoas podem permanecer contagiosas do primeiro dia antes de apresentar sintomas até sete dias depois de terem ficado doentes. Crianças, especialmente as mais novas, podem permanecer contagiosas por períodos mais prolongados.

*Sintomas*

Os sintomas da gripe suína são os mesmos da gripe comum, mas podem ser mais graves e causar complicações mais sérias.

Os sintomas típicos são:
  • . febre repentina
  • . tosse repentina
Outros sintomas podem incluir:
  • . dor de cabeça,
  • . cansaço e indisposição,
  • . calafrios,
  • . dores musculares,
  • . dores nos membros e nas juntas,
  • . diarréia ou desconforto no estômago,
  • . dor de garganta,
  • . nariz escorrendo,
  • . espirros,
  • . perda do apetite.
Se a gripe tornar-se pandêmica (i.e., se ela espalhar-se para todo o mundo), potencialmente qualquer pessoa estará sob risco de contágio, porque poucas pessoas, se é que alguma pessoa, será imune (resistente) à gripe.

Se você tem qualquer um desses sintomas, mas uma pandemia não tiver sido anunciada, provavelmente você deve ter uma gripe comum ou sazonal.

*Gripe suína – Prevenção e tratamento*

Siga os passos a seguir para reduzir o risco de contrair a gripe e ajudar a interromper a propagação do vírus.

*Prevenção* – como evitar o contágio e a propagação do vírus:

  • . Cubra sua boca e nariz com um lenço de papel descartável sempre que você tossir, espirrar, ou assoar o nariz.
  • . Jogue fora o lenço rapidamente e com cuidado.
  • . Lave suas mãos regularmente com água e sabão.
  • . Limpe as superficies como maçanetas, teclados e controles remotos, frequentemente com um produto de limpeza normal.


*Preparação* – como se preparar para uma possível pandemia:**

. Sempre carregue lenços descartáveis – pegar os germes no lenço pode limitar a propagação do vírus.
. Mantenha-se informado sobre as últimas notícias e conselhos através do rádio, TV e internet.
. Confirme seus “amigos de gripe” – esses são amigos e vizinhos que podem ajudar você se você ficar doente; eles poderão trazer medicamentos e alimentos para você de forma que você não precise deixar a sua casa – isso vai ajudar a interromper a propagação do vírus.
. Tenha sempre um estoque de comida e outros suprimentos necessários e suficientes para duas semanas, para o caso de você e sua família adoecerem.

*Tratamento*

Pegar a gripe suína ou influenza A (H1N1), é como pegar uma gripe comum, então:
  • . Fique em casa descansando.
  • . Beba bastante líquido: água filtrada, soro caseiro, frutas ou suco de frutas, chá, sopa, canjas ou caldos, leite, etc.
  • . Tome medicamentos como ibuprofen ou paracetamol (de acordo com as instruções).
  • . Procure seu médico se você desenvolver complicações, como dificuldade de respirar, mas não vá ao posto de saúdo, clínica ou hospital pessoalmente, peça ao seu “amigo de gripe” para ir para você.
*Medicação*

Vacinas são usadas para ajudar a combater a gripe comum sazonal, mas uma vacina contra a gripe suína ainda vai levar tempo para ser criada.

Normalmente, o próprio organismo humano sadio se encarregará de produzir as defesas naturais (anticorpos) que destruirão o vírus e interromperão a doença. Daí a importância de se alimentar e descansar bem.

Entretanto, algumas pessoas debilitadas poderão necessitar de drogas antivirais, a critério médico.

As drogas antivirais agem impedindo a reprodução do vírus – para ser eficaz você deve tomar a droga dentro de 48 horas do início dos sintomas. Isso significa que a doença pode ser abreviada por um dia e o risco de complicações fica reduzido.

*Máscaras faciais*

Embora mascaras faciais tenham sido distribuídas no México, não há evidências que provem que usar uma máscara facial irá impedir que você pegue o vírus. Usar lenços quando estiver tossindo ou espirrando e lavar as mãos com água e sabão regularmente são medidas muito mais eficazes.

*Alerta especial gripe suína em Paracatu*

Paracatu recebe, regularmente, pessoas provenientes dos Estados Unidos e Canadá, países de alta incidência da gripe suína. Algumas dessas pessoas trabalham na mineradora transnacional canadense, RPM/Kinross, instalada na cidade.

Alertamos as autoridades do serviço de saúde pública e também a direção da RPM/Kinross para monitorar o estado de saúde do pessoal proveniente dos Estados Unidos e Canadá, e comunicar imediatamente qualquer suspeita de
gripe.

Solicitamos também à mineradora que paralise suas atividades geradoras de poeira tóxica contendo arsênio, se houver qualquer caso comprovado de gripe suína em Paracatu, e durante os meses de inverno. A razão desta medida é que está comprovado que a poeira de arsênio diminui a imunidade ou resistência natural das pessoas, o que aumenta o risco de contágio e propagação do vírus na cidade e região.

(*) Médico, doutor em medicina pela Escola Superior de Medicina de Hannover, Alemanha; doutor em patologia pela UFMG e livre-docente em genética pela USP.
--
Sergio Ulhoa Dani
Reserva do Acangaú, zona rural
Caixa postal 123
38.600-000 Paracatu MG
Brasil
srgdani@gmail.com
(+55 38) 9913-4457
(+55 38) 9966-7754

Quilombos e outros territórios da persistência humana


Quilombos e outros territórios da persistência humana

Por Sergio Ulhoa Dani

No Brasil, a definição clássica ou historiográfica de “quilombo” é a de um território, geralmente de difícil acesso, onde grupos de seres humanos se refugiavam para escapar do cativeiro ou da opressão e perseguição.

Os quilombos do Brasil-colônia eram grupamentos de negros e índios, e não poderia ser de outra forma, dada a condição histórica de terem sido exatamente essas etnias as escravizadas no período colonial, até a abolição da escravatura pela Lei Áurea, de autoria atribuída à Princesa Isabel, em 1888.

Nesta acepção, a etnia não é definidora de quilombo ou território, ela é apenas incidental. Quilombolas eram negros africanos e ameríndios. Mas poderiam ter sido brancos europeus, aborígenes australianos ou qualquer outra etnia ou até mistura de etnias.

Então não vamos admitir aqui a definição baseada em raízes étnicas ou raciais. Para desgosto dos racistas, a ciência comprovou que não existem raças humanas. Ao contrário, devemos admitir uma definição mais ampla, baseada no comportamento humano, nos ideais de liberdade e identidade cultural.

Refúgio e resistência ou persistência cultural são os elementos fundamentais para uma definição mais ampla de quilombo ou território. É mais correto e abrangente definir o quilombo como um exemplo de “território protegido para garantir a vida e a liberdade de expressão e conservação da cultura de um determinando grupamento humano ameaçado, perseguido ou oprimido”. Os territórios indígenas e as reservas ou unidades de conservação de uso sustentável entram na mesma categoria.

Não deve constituir surpresa que no mundo atual os movimentos e instrumentos de proteção aos territórios de povos tradicionais estejam proliferando. Isso é um reconhecimento da necessidade de oferecer proteção, respeito, liberdade e vida digna para as pessoas que por razões de ordem eminentemente cultural não se adaptem à organização, práticas e costumes convencionais das sociedades modernas.

Os quilombos e outros territórios da mesma natureza são uma salvaguarda na luta pela sobrevivência humana. Assim como na época do Brasil colônia escravocrata, hoje ninguém pode garantir que a vida e a organização social aqui fora sejam as mais corretas, as que vão prevalecer. Então vamos deixar esses territórios em paz.

Leitura recomendada:

Schmitt A., Turatti M.C.M. e Carvalho M.C.P. A atualização do conceito de quilombo: Identidade e território nas definições teóricas. (New concept for quilombo: identity and territory within theoretical definitions). Ambiente & Sociedade, no. 10, Campinas Jan./Jun 2002.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s1414-753X2002000100008

-- 
Sergio Ulhoa Dani
Reserva do Acangaú, zona rural
Caixa postal 123
38.600-000 Paracatu MG
Brasil
srgdani@gmail.com
(+55 38) 9913-4457
(+55 38) 9966-7754