sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ÁGUAS DO SANTA RITA


As águas que correm nos córregos, riachos, ribeirões e rios vêm de dois lugares: a água limpa e duradoura vem da terra e a água suja vem da enxurrada produzida pelas chuvas.

 água limpa que vem da terra é a parte da chuva que infiltra na terra e forma nascentes ou infiltra para a caixa dos cursos d'água, e por isso mantém a quantidade de água correndo.

A água suja que forma a enxurrada e enche os rios é a água que vai embora aproveitando apenas o canal dos rios, mais ou menos como é visto nas cidades: chove, forma enxurrada nas ruas, e quando a chuva acaba, acabou a água no chão.

Os cursos d'água só exlstirão se existir infiltração na terra e nascentes.

A infiltração na terra acontece porque a vegetação segura parte da água da chuva, dando tempo para ela entrar na terra e formar os lençóis d'água e as nascentes.

Retirar a vegetação que forma as águas correntes é como costurar uma parte da boca: a pessoa, na hora da refeição, come menos e emagrece.

Destruir uma nascente é como costurar a boca inteira: a pessoa não come e morre.

Para matar uma pessoa não precisa dar um tiro nela, é só tirar a 
comida, que ela morre.

Se a comida (nascente e lençol freático) de um rio for diminuída o rio diminui, e se a comida for retirada, o rio morre seco e vira um simples canal de enxurrada da chuva. 

De cada 10.000 litros de água existentes no planeta Terra, 9.750 são de água salgada (oceanos e mares), 2.493 são de água doce inacessível (geleiras e depósitos subterrâneos) e apenas 7 litros podem ser alcançados pelas pessoas.

O planeta tem muita água, mas a água que serve aos humanos é muito pouca. Temos que defender com unhas e dentes esse pouco, porque ele é a garantia da nossa vida.

No continente americano do sul, onde está o Brasil, de cada 100 litros de água disponível para os humanos que existiam no ano de 1950, passaram a existir no ano de 2000 apenas 27 litros (Universidade da Água), ou seja, em 50 anos, 63 litros d'água deixaram de estar à disposição das pessoas.

 As águas "emagreceram" por falta de "comida".

Magro, quase no puro osso, está à nossa frente o Córrego Rico, sem "comida", morrendo. O mesmo aconteceu com o Córrego São Domingos e o Córrego Santo Antônio, que foi barrado pela atual barragem de rejeitos da mineradora RPM-Kinross. A barragem do Santo Antônio fez evaporar mais de 80 por cento da água do córrego. O que restou da água está contaminada.

A construção de uma nova barragem de rejeitos da mineradora no Vale do Machadinho vai tirar "comida" do Santa Rita.

Tirar a "comida" do rio tira a comida da boca das pessoas.

Estão previstos mais 30 anos de mineração.

Serão 30 anos de Santa Rita com pouca "comida".

Em 30 anos, o ouro acaba e a herança de Paracatu será um Santa Rita fraco, no caminho da morte, se morto não estiver.

Então descobriremos que o ouro da nossa terra foi o pagamento para que matassem nossas águas, e cantaremos uma nova moda de viola: 

PARACATU DOS SEM ÁGUA.

Dia 20 de março ocorrerá a reunião em Varjão de Minas para colocar o Santa Rita na lista dos marcados para morrer.

Existem dois santos que poderão salvar o Santa Rita: o santo Prefeito e o santo Promotor, ou os dois juntos.

Ou então ficaremos sabendo que Paracatu não tem santas autoridades 
nem merece ter santas águas.

Salve o Santa Rita.

CULPA POR OMISSÃO

A SUSTENTABILIDADE DA SAÚDE E DA VIDA DEVE TER PRIORIDADE SOBRE A SUSTENTABILIDADE DA ECONOMIA

Alguns dizem que a divulgação de informações sobre provável contaminação por arsênio e outros metais pesados pode comprometer a economia local, principalmente a economia gerada pelo uso de solo e água: carne, leite e seus derivados, hortaliças, frutas, grãos etc, que sejam produzidos na área impactada pela poeira ou na bacia de drenagem e lençol freático que recebem águas da zona de mineração.

O preocupante não é a perda da economia e sim o silência que pode estar acobertando o uso local e a exportação de produtos contaminados.

Passam sete meses que um pedido oficial de levantamento epidemiológico e de saúde ambiental deu entrada no protocolo da Prefeitura e nenhuma resposta satisfativa foi dada até hoje, apesar das cobranças.

É urgente que respondam com ações.

Sim, fomos nós que levantamos a dúvida, com fundamento em situações semelhantes: 


SE ACONTECEU EM OUTROS LUGARES ENTÃO É PRECISO VERIFICAR SE ESTÁ OU NÃO ESTÁ ACONTECENDO A MESMA COISA EM PARACATU.


A população tem o direito de conhecer provas científicas colhidas de forma imparcial e com a participação da comunidade.

O que existe é uma dúvida mortal, e temos dois desejos:

1) que provem não existir contaminação e seremos os primeiros a comemorar a sorte da 
população e da economia, mas sem abandonar a vigilância que nos garanta um futuro saudável;

2) que existindo contaminação sejam tomadas medidas sérias para acudir a saúde ambiental e populacional, e que os responsáveis pela omissão sejam chamados a prestar contas.


DIGAM QUE NÃO

Manter o povo em estado de ignorância é a mais indignificante forma de exploração.

O direito a um meio-ambiente ecologicamente equilibrado não acaba  na geração presente nem no dia de hoje.

Esse direito deve assegurar que amanhá e em todo o futuro nós e nossos descendentes possamos desfrutar de equilíbrio ambiental que garanta a saúde e a vida.

Meio-ambiente equilibrado é um direito, e como direito não pode ser demonstrado pelo que é visto a olho nú, como já foi dito por um cidadão local: “vocês estão falando bobagem pois ainda não vi ninguém envenenado cair morto no meio da rua”.

O câncer, por exemplo, é um mal não visto enquanto se instala e, quando visto, já está a meio caminho de matar o portador, daí as campanhas de prevenção: 

SAIBA SOBRE O QUE VOCÊ NÃO ESTÁ VENDO ANTES QUE SEJA TARDE PARA REMEDIAR

Os índices de arsênio têm sido apresentados como normais segundo a lei, mas a lei não pode garantir que sendo normais não estejam causando dano à saúde.

A lei já disse que o índice normal era 50, baixou para 10 ou 5, e agora está dizendo que é 3, ou seja, depois que a ciência mostrou o erro, o índice baixou.

Não basta dizer que a lei está sendo cumprida, é preciso dizer que o cumprimento da lei não está causando dano.

A LEI NÃO PODE SER UMA AUTORIZAÇÃO PARA ENVENENAR A LONGO PRAZO

A mineração é uma atividade dentro da lei (ou quase dentro) e não temos nada contra ela (mas poderemos ter). Por enquanto só queremos saber se não estamos pagando em ouro o preço do veneno que podemos estar ingerindo e danando nossa saúde.

DIGAM QUE NÃO!

DIGAM QUE NÃO!

Mas digam depois de realizarem os levantamentos (sérios e acompanhados) de saúde ambiental e epidemiológicos.
Realizem os levantamentos, assinem embaixo e divulguem para que todos possam saber se seus direitos estão sendo garantidos.


SANTA RITA: MARCADO PARA MORRER

SANTA RITA: MARCADO PARA MORRER

Existe um sério risco de no dia 22 de março, DIA MUNDIAL DÁ ÁGUA, as comemorações serem transformadas em velório antecipado.
  Dia 20 de março em Varjão de Minas, ocorrerá a reunião que decidirá se o Santa Rita vai ou não para a lista dos marcados para morrer, lista da qual já foram mortos o Córrego Rico, o Córrego São Domingos e o Córrego Santo Antônio.
 A nova barragem de rejeitos da mineradora está projetada sobre área de preservação que contém as nascentes e a recarga do Santa Rita.
 Depósito de rejeito de mineração não é obra de utilidade pública, nem é de interesse social, é de simples interesse econômico.
 Estamos à beira de termos que engolir que a grande lata de lixo da mineradora é de utilidade pública e de interesse social, e que as águas do Santa Rita não são nem uma coisa nem outra.
 Existe um crime denominado estelionato, que consiste em usar um artifício para causar prejuízo aos outros em proveito próprio. O artifício mais usado é o "tempo".
 O dano contra as nascentes e área de recarga do Santa Rita não acontecerão do dia para a noite pois o resultado pode levar anos para tornar-se visível. 
Enquanto nada se vê, os danadores dizem "olhem, não está acontecendo nada" e depois que acontece eles dizem "olhem, agora não dá para fazer nada", e já levaram a vantagem.
 A barragem de rejeitos na área de nascentes e recarga do Santa Rita é a melhor solução para todos ou a melhor solução para a mineradora?
 Esta pergunta tem que ser respondida pelas autoridades.
 A resolução CONAMA 369 de 2006 autoriza, em caráter excepcional, a intervenção em áreas de preservação "nos casos de utilidade pública e para acesso de pessoas e animais para obtenção de água".
 Os envolvidos no processo de licenciamente deverão ter a decência de não tratar o povo como um idiota incapaz de compreender que a ordem jurídica, da Constituição até a Resolução, cuida de PROTEGER AS NASCENTES de água, logo, o dispositivo da resolução CONAMA 369 de 2006 que autoriza a intervenção em área de preservação para instalação de barragens de rejeitos de mineração NÃO PODE TIRAR A PROTEÇÃO DAS NASCENTES de água.
 Nascentes de água não podem ser fabricadas, logo, não podem ser eliminadas (soterradas), daí que as compensações previstas não podem ir além de criar áreas de recarga que compensem, com a mesma eficácia, as áreas de recarga destruídas.
 Igualmente idiota o povo não é para aceitar que o dano será feito agora e a compensação será feita depois.

 Depois, depois quando?
 
Ou será depois de verificar que não é possível fazer a compensação?

 A escravidão dos negros acabou em Paracatu, mas a escravidão de entregar o ouro para o estrangeiro em troca de faíscas que suprem "necessidades sociais" não acabou, ao contrário, está para aumentar e durar 30 anos, ao final dos quais nem ouro nem faíscas.
 O povo, principalmente o povo que habita o "porão da sociedade" pode até fazer a opção simples de continuar comendo faíscas por mais 30 anos e depois diminuir a dieta, na base do seja como Deus quiser, mas as autoridades locais têm o dever de fazer a dieta do povo melhorar e aumentar, e devem fazer isto sem ajoelhar diante dos interesses das transnacionais.
 Não ajoelhar diante do interesse das transnacionais é uma questão de soberania e de cidadania. 
Pode ser difícil para essas autoridades entender o que é viver com um salário mínimo ou ter que esperar sentado o dia de receber a cesta básica de alimentos, afinal, existem autoridades que têm salários equivalentes a um salário mínimo POR DIA ou uma cesta básica POR HORA, ou quase isto, mas não existe autoridade que ganhe salário mínimo ou cesta básica.
 E aí fica fácil para essas autoridades dizerem que esse povo, principalmente o povo que depende da terra e da água para TRABALHAR e ganhar o sustento, pode continuar vivendo com menos terra, menos água, menos trabalho e menos sustento, já que é fácil inscrever um cidadão que empobreceu na lista dos que receberão cesta básica.
 O modelo é clássico: empobrece o cidadão em nome de uma economia que ele não entende e depois lhe dá uma cesta básica que ele entende; o cidadão agradece a generosidade e, adivinhem: vota no benfeitor de araque.
 Antes de tirar o pão, montam-se os circos para que o povo entretido com as vozes que vêm dos palanques engane a fome, é uma receita também clássica.
 Não queremos parar a mineradora (por enquanto), nem queremos que ela continue como a madrasta que dá de comer e espanca, mas queremos que ela cumpra a Constituição assim como nós cumprimos, e assim honre o nome (Kin = group of people related by blood = grupo ou povo relacionado pelo sangue ou casamento = família) e seja uma colaboradora na construção da sociedade livre, justa e solidária.