sábado, 17 de abril de 2010

.BARBÁRIE OU GENOCÍDIO?

.
BARBÁRIE OU GENOCÍDIO?

por Serrano Neves - Goiânia, 17 de abril de 2010

Analisando o quadro histórico da mineração no mundo verifiquei que no Brasil não há diferença em relação aos danos que são causados ás populações.

Analisando o Brasil, em especial, verifiquei que Paracatu é uma "xerox" do que ocorre em outros lugares, principalmente em relação à contaminação (ar, água, solo, humanos) por metais pesados, arsênio e mercúrio em especial.

Analisando Paracatu como destaque, a rocha arsenopirita que contém o ouro é um anúncio de que se mexer nela "vai sair veneno" (arsênio), e tanto vai sair que a história da cidade registra a "maldição" do Morro do Ouro.

A vida é um perigo em si mesma pois as pessoas certamente morrerão por conta de doença ou velhice.

Viver é um perigo constante pois quando nós mesmos não estamos nos envolvendo em perigos tem alguém fazendo alguma coisa perigosa que pode nos atingir, ou seja, podemos ser atropelados por um carro, mortos por um assaltante, soterrados por uma casa mal construída etc.


Para cuidar de punir as pessoas que fazem coisas perigosas que causam dano a outras pessoas existem as leis, e todos acham que as leis precisam ser duras com os atropeladores, os assaltantes e os profissionais mal preparados, mas raras são as pessoas que acham que a aplicação da lei também precisa ser dura com os governantes e gestores que fazem coisas que causam dano a pessoas, como por exemplo permitirem que pessoas construam casas sobre um lixão instável e morram soterrados por lixo, como aconteceu recentemente em Niterói-RJ.

Com as centenas de mortos no Rio de Janeiro os governantes e os gestores ocuparam a televisão dizendo que não acreditavam que pudesse acontecer e que irão tomar providências para que não aconteça de novo.

Quem usa internet pode pesquisar no Google por "arsenio contaminação população" e avaliar o resultado.

Já aconteceu em alguns lugares a contaminação em massa por arsênio, mas os governantes e gestores não se movimentam, creio, por algumas razões: a) a mineração é fonte de riqueza para o país, correspondendo a mais de 5% do produto interno bruto; b) a televisão não dá notícia porque gente contaminada caminhando para a morte não dá audiência, o que dá audiência são defuntos sendo resgatados pelo corpo de bombeiros; c) o envenenamento crônico por arsênio não faz a pessoa cair morta no meio da rua; d) o ser humano vivo não é considerado como um valor econômico, mas imagino que se fosse o pobre estaria do lado direito da vírgula, na casa dos centavos.

A população mais pobre de Paracatu é a mais exposta ao envenenamento crónico por arsênio porque a cidade está "dentro das mina" e os mais pobres moram na periferia que faz divisa com a lavra. Além disso, tem pouca informação para se defenderem e nem mesmo podem mudar para mais longe da mina porque a cidade é a mina, e todos, pobres e ricos, respiram o mesmo ar, usam a mesma água e pisam o mesmo solo.

Os governantes, gestores e empreendedores - e até ministros do STJ - defendem a contribuição da mineração para a economia: emprego, renda, comércio, impostos e outros "benefícios", mas eu acho que estão esquecendo de incluir a "morte lenta" na cesta.

A morte lenta dá tempo para não fazer nada. Não fazer nada porque são ignorantes em relação ao perigo, não fazer nada porque se fizer vai perder alguma coisa, ou não fazer nada porque acreditam que Deus nasceu em Paracatu e vai proteger seus conterrêneos.

Em alguns textos do Alerta Paracatu tem aparecido a palavra "genocídio" que é o ato de matar, deliberadamente, por questão de raça, credo, cor etc. grande número de pessoas, como registra a história de Hitler.

Refleti sobre o genocídio e orei: Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem!

Não saber é um estado de espírito em relação à verdade chamado de ignorância.

Não fazer nada por ignorância não é crime, logo, não há genocídio, há barbárie.

Barbárie é um termo específico para designar danos causados a seres humanos mesmo quando a "boa intenção" é o motivo. Por exemplo: o desenvolvimento econômico que causa exclusão social e cria zonas de pobreza assistida é barbárie.

Estou "pegando leve" porque o estado de ignorância pode ser superado por informação de boa qualidade, vontade política e respeito pela vida humana.

Ainda não estou levando em consideração que os governantes, gestores e empreendedores sabem o que estão fazendo porque, se sabem, então é genocídio por dolo eventual.

O tempo o dirá, mas será em menos tempo do que os bárbaros pensam que seja.

Um comentário:

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA



    "As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



    O CRIME DE LESA HUMANIDADE


    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



    A COMISSÃO DA VERDADE


    A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e pede que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    Paz e Solidariedade,



    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://twitter.com/REVISTASOSDH

    ResponderExcluir

Aguardamos seu comentário.