segunda-feira, 22 de março de 2010

A Maldição do Morro dos Espíritos Maus

A Maldição do Morro dos Espíritos Maus

Por Sergio U. Dani, de Göttingen, Alemanha, 22 de março de 2010

A história é como uma face que envelhece com o tempo, sem perder a
fisionomia. As histórias também têm espíritos, esses nunca envelhecem,
nem morrem. O que se vai contar agora é apenas parte de uma história
que não termina.

O Morro do Ouro nem sempre se chamou assim. Ouro era só o que atraía
os exploradores. Antes não era essa a riqueza de Paracatu.

Algum tempo atrás era o Morro da Cruz das Almas, mas nem sempre se
chamou assim. A cruz veio com os dominadores. Antes não havia cruz,
não havia pecado em Paracatu, nem no morro. Antes era só o Morro das
Almas, o Morro dos Espíritos Maus.

Antes era o tempo dos Bacuen, índios que habitavam Paracatu, e foram
assimilados ou mortos pelos exploradores e dominadores que vieram em
busca de ouro. As mulheres Bacuen eram pegas no laço para criar, e os
homens eram mortos. Os que não foram assimilados ou mortos se
refugiaram e eram chamados de Tapuios, palavra feia que na língua tupi
significa bárbaros, inimigos. De taba – aldeia, e puir – fugir: os
fugidos da aldeia.

Os exploradores e dominadores que adoravam o ouro acima de todas as
coisas não podiam entender os Bacuen refugiados, a quem chamavam de
Tapuios, os que viviam na Tapuirama, fazendo Tapuiadas. Os Bacuen
formaram os primeiros Quilombos, juntamente com os negros alforriados
ou fugidos do cativeiro. O Vale do Machadinho e a família Cruz são
remanescentes de um desses Quilombos.

Os primeiros Bacuen acreditavam que o Morro era sagrado, porque ali
era a morada dos espíritos maus. Por isso os Bacuen ensinavam suas
crianças a não perturbar o morro, para não acordar os espíritos maus.

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Sergio Ulhoa Dani, Dr.med. (DE), D.Sc. habil. (BR)
Göttingen, Germany
Tel. 00(XX)49 15-226-453-423
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