sábado, 20 de março de 2010

Degeneração Kinross

Degeneração Kinross

Por Sergio U. Dani, de Göttingen, Alemanha, 19 de Março de 2010

Corre em Paracatu a notícia que a RPM/Kinross e a Votorantim Metais
querem lançar um "Plano de Desenvolvimento Sustentável para 30 Anos",
e para isso contrataram a Fundação João Pinheiro de Belo Horizonte.
Até o título do tal plano está errado. Vou assumir que a notícia não é
uma piada, e mostrar que mineradora não sabe o que é "desenvolvimento
sustentável".

A idéia da sustentabilidade é a que está contida no relatório
Brundtland ("Nosso Futuro Comum"): "modelo que atende as necessidades
das gerações atuais, sem afetar as necessidades das gerações futuras".

 Examine bem as palavras da frase: "necessidades", "gerações atuais" e
"gerações futuras". As palavras estão no plural e a frase sem limite
de tempo.

Quem sabe das necessidades são as gerações atuais e futuras, tudo no
plural e sem limite de tempo. Então por que as mineradoras não
perguntam às "gerações atuais e futuras" e por que limitam o tempo em
30 anos? Trinta anos é o tempo de apenas uma geração humana, o tempo
necessário para uma pessoa nascer, crescer, atingir a maturidade e
preparar a próxima geração. Em termos de sustentabilidade, trinta anos
é nada.

Perguntar às gerações atuais quais sejam suas necessidades seria
tarefa fácil, mas nem isso as mineradoras fazem. As mineradoras
preferem impor suas próprias necessidades, as necessidades da "sua
geração atual". Está escrito no próprio título do tal plano. Por que
"30 anos"? Simplesmente porque esse é o prazo previsto de permanência
da Kinross em Paracatu. Ou seja, a "geração Kinross" dura apenas 30
anos. Degenera antes de chegar à segunda geração. Depois dos 30 anos,
adeus. O lixo fica, o veneno aparece, a empresa some e os desastres
acontecem.

E onde ficam as "necessidades das gerações futuras"? Não é possível
perguntar algo a alguém que ainda não nasceu. Mas é possível prever
com alto grau de certeza o de que os que ainda não nasceram vão
precisar: água limpa e acessível a todos num ambiente equilibrado,
bens de uso comum essenciais para a saúde e a vida.

O plano de expansão da Kinross em Paracatu não prevê essas
necessidades, pelo contrário, ele prevê a poluição da água e a
degradação do ambiente nos próximos 30 anos. Um verdadeiro crime.

E o "plano de desenvolvimento sustentável de 30 anos" encomendado pela
mineradora? Esse já está errado, aleijado, degenerado e desatualizado
desde o próprio título.

Pior do que um crime é um erro. Mais uma vez, a mineradora tenta nos
chamar de burros e idiotas.

--
Sergio Ulhoa Dani, Dr.med. (DE), D.Sc. habil. (BR)
Göttingen, Germany
Tel. 00(XX)49 15-226-453-423
srgdani@gmail.com

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