sexta-feira, 20 de abril de 2012

GENOCÍDIO POR EXPLORAÇÃO ECONÔMICA


Na Folha de São Paulo de 19/04/2012 a Funai alerta para risco de genocídio de índios no Acre devido às pressões socioambientais geradas pela exploração econômica de recursos naturais, mas o próprio Governo está contribuindo para o genocídio com obras de infraestrutura, rodovias e ferrovias.


Quando o AlertaParacatu falou em genocídio causado pela exploração de ouro a céu aberto nos limites da cidade recebeu como resposta, dentre outras, que não passava de consequência do desenvolvimento econômico.

Doenças e conflitos armados ameaçam dizimar os índios do Acre enquanto em Paracatu doenças causadas pela dispersão de arsênio na atmosfera e conflitos econômicos ameaçam a população.

Sim, conflitos econômicos decorrentes do avanço sobre terras mineráveis, deslocando quilombolas, desalojando moradores da periferia, pagando roialtes, enfim, inchando uma bolha que tem prazo certo para estourar.

Quando a bolha estourar todos já terão se locupletado com a oportunidade, do acionista da mineradora até o pasteleiro da esquina, mas o ouro da bolha estará todo no estrangeiro nas mãos de pessoas que nunca cheiraram arsênio, enquanto em Paracatu ficarão os destroços: contaminação arseniosa, imensos depósitos de veneno, e doenças e mortes para o futuro.

Se o que ocorre em Paracatu não é um genocídio disfarçado de crescimento econômico, então o que é?

Em 1960 escrevi O Sopé da Montanha, texto no qual descrevo a economia como uma montanha na qual a riqueza maior está no topo e a pobreza maior embaixo, no vale, para onde todas as sobras que caem montanha abaixo se acumulam.

De cima para baixo quem está mais embaixo recebe as sobras de cima e produz suas próprias sobras que irão servir para os que estão embaixo e de cima para baixo, degrau por degrau, as pessoas vivem das sobras de cima até que as sobras das sobras das sobras das sobras chegam nos assistidos pelo governo, também chamados de "excluídos".

A economia genocida é perversa: não deixará você morrer de fome ou de sede, ou das intempéries, ou de qualquer doença, ela faz questão que você adoeça ou morra cheirando arsênio.

Vivemos numa democracia e todos tem o direito de escolher como viver ou como morrer, mas nosso dever é informar.

Serrano Neves