sábado, 26 de março de 2011

... e o vento levou o arsênio.

The poison my friend is blowing in the wind

[mapa dos ventos ao final da postagem]

Vento pode levar o arsênio de Paracatu para as regiões mais ricas e densamente povoadas do Brasil

Por Sergio Ulhoa Dani, de Heidelberg, Alemanha, em 26 de março de 2011

A radiação do reator nuclear avariado de Fukushima, Japão, chegou à Europa ontem viajando milhares de quilômetros com o vento. Foi um acidente limitado no tempo e a quantidade de radiação não afeta a saúde dos europeus, informam os cientistas daqui. O arsênio liberado diariamente pela transnacional canadense genocida Kinross Gold na cidade de Paracatu, noroeste de Minas Gerais pode ser carregado pelo vento para as regiões mais ricas do Brasil, onde continuará sua saga genocida durante séculos ou milênios. Ao contrário da radiação acidental e passageira de Fukushima, a poluição de Paracatu é diária, persistente, autorizada e legalizada por governantes corruptos e técnicos ignorantes.


O arsênio é liberado da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil e também a mais venenosa do mundo. Para cada grama de ouro retirado das rochas da mina de Paracatu, a mineradora genocida solta mais de um kilograma de arsênio para a atmosfera, os solos e as águas. Isso mesmo: para cada parte de ouro, são duas mil e quinhentas partes de arsênio puro que, traduzido em letalidade significa que cada grama de ouro extraído desagrega arsênio suficiente para matar 17.500 pessoas.

Como a Kinross promote liberar um milhão de toneladas de arsênio nos próximos 30 anos de mineração de ouro autorizada e legalizada em Paracatu, a massa total e letal de arsênio liberado terá potencial para matar ou adoecer cronicamente sete trilhões (7.000.000.000.000) de seres humanos. As autoridades corruptas de Minas Gerais e do Brasil que receberam "pagamentos facilitadores" da mineradora canadense para autorizar o genocídio com "emprego e renda" batem palmas. Na cidade de Paracatu, crianças já estão morrendo antes de nascer e jovens e adultos estão adoecendo e morrendo antes da hora [1].

Como o arsênio se dispersa tanto pela água quanto na forma de poeira e gás, está sendo levado pelo vento para centenas ou milhares de quilômetros de distância da mina de Paracatu. A figura deste artigo, retirada do site do CPTEC-INPE [2] ilustra essa possibilidade: os ventos que passaram por Paracatu ontem dirijiram-se para o triângulo mineiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.

Mesmo depois de encerrada a mineração de ouro, o arsênio liberado pela genocida canadense garantirá uma poluição persistente durante séculos ou milênios, soprando todo dia em cima das regiões mais ricas e produtivas do Brasil e América do Sul.

Referências:

[1] Resultados de levantamento preliminar que a mineradora e seus consultores de aluguel conduziram apontam para aumentou do número de abortos espontâneos e câncer após o início da mineração a céu aberto em Paracatu:
http://alertaparacatu.blogspot.com/2011/01/abortos-espontaneos-em-paracatu.html
e
http://alertaparacatu.blogspot.com/2011/01/cresce-o-numero-de-casos-de-cancer-em.html.

[2] Retirado hoje do site
http://previsaonumerica.cptec.inpe.br/
do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do INPE-Instituto
Nacional de Pesquisa Espacial.

10 comentários:

  1. E os órgãos de proteção ou agitação ambiental, como por ex. GREENPEACE, já sabem disso?

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  2. Me desculpe a franqueza, porque a causa até é nobre e possivelmente há sim irregularidades, mas o senhor é um fanfarrão, polemicista e irresponsável por falar do que não sabe. Como uma pessoa com doutorado pode jogar tantas suposições e asneiras aos ventos sem nem ter uma base de dados e pesquisa séria?

    Por favor, saiba que o potencial eólico de Paracatu é um dos menores do Brasil¹, portanto mesmo que o meio de transporte (vento) fosse suficientemente eficiente para transportar os particulados de arsenopirita para regiões muito distantes, estas logo se depositariam, fazendo parte dos sedimentos de algum lugar, podendo virar futuramente até mesmo rocha.

    Saiba que o arsênio da Arsenopirita contida na mina não vai se volatilizar para a forma de gás, por estar associada a outros elementos² e pelo mineral não ser estável na forma de gás nas CNTP (mesmo não deixando de ser nociva na forma sólida para os moradores da região mais proximal da mina).

    Saiba ainda que a Arsenopirita é insolúvel em ambiente aquoso redutor, nas condições de pH mantidas pela mineradora, sendo portanto que a hipótese de contaminação do lençol freático fica descartada, até o estudo hidrogeológico envolve outras capacidades bem além das quais eu suponho que o curso de medicina da UFMG aborda nas suas aulas.

    Seja um pouco mais sério, doutor Dani, e pesquise de fato com profissionais sérios o real malefício da mineração da Kinross, e páre de fazer polêmica. Eu sugiro que me procure na Universidade de Brasília para conversarmos, caso desejar. Não é com toda essa polêmica que o doutor irá conseguir o seu objetivo, o bem-estar paracatuense; mas sim com a pesquisa séria e sem falácias.


    Guilherme Ferreira da Silva.

    ¹ http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/atlas/energia_eolica/6_3.htm

    ² http://webmineral.com/data/Arsenopyrite.shtml

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  3. Me esqueci de um detalhe, doutor:

    A sua afirmação "Para cada grama de ouro retirado das rochas da mina de Paracatu, a mineradora genocida solta mais de um QUilograma de arsênio para a atmosfera, os solos e as águas" está errada.

    A relação de 1/2500 está relacionada à rocha hospedeira como um todo, e não só com o Arsênio. Não sei qual a composição modal da rocha da formação do morro do ouro, mas garanto que ela não é só formada de OURO e ARSÊNIO. Por último, de todo o "estéril" retirado, a grande maioria vai para a barragem de rejeito e estações de tratamento, sendo que uma pequena parte (passível de ser quantificada e estudada) vai para a forma de particulado, carreável pelos agentes exógenos.

    Me escreva para conversarmos.

    gferreira_88@hotmail.com

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  4. Sergio Ulhoa Dani7 de abril de 2011 01:39

    Prezado Sr. Gulherme Ferreira da Silva,

    sugiro que V.Sa. procure submeter suas teses sobre arsênio e ventos à publicação em revistas científicas especializadas, pois elas contradizem o que centenas de pesquisadores sérios mundo afora descobriram e publicaram. Especialmente sobre volatilização de arsênio, consulte os trabalhos cujos resumos estão publicados em www.sosarsenic.blogspot.com. Sugiro que leia atentamente as postagens que fizemos neste blog e a literatura científica citada. Leia também os relatórios da mineradora, nós nos baseamos neles para obter os dados de composição da rocha da mina de Paracatu. Depois desse nivelamento, poderemos conversar, seja na Universidade de Brasília como na de Heidelberg, ou aqui no blog.

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  5. Ou sonts les articles?

    Eu estou vendo um blog, sem referências, sem dados, sem nada além de palavras, escrito em francês e em inglês pelo senhor mesmo.Mostre-me os papers, blog não tem valor científico algum.

    Uma coisa que o doutor não entende, é que a arsenopirita sempre esteve lá, exposta na rocha. Se fosse tão tóxica e volátil e nociva como você diz, a cidade de Paracatu não precisaria nem da mineradora para envenenar sua própria população.

    Procure papers do Bernardino Figueiredo, da Unicamp, tratando inclusive sobre Paracatu. Faça análises geoquímicas de águas dos aquíferos periféricos à mineração; já que você está em Heidelberg e seus colegas possuem ótimas aparelhagens. Pegue dados de amostragem do ar da cidade em diferentes pontos, identificando se há contaminação, quantificando-a e mensurando sua pluma.

    Você está em Heidelberg, amigo! Como você mesmo disse. Você tem toda a aparelhagem ao seu favor, recursos e vontade! Por que fica só nas palavras então? Se você tiver esses dados ninguém pode te questionar, nem mesmo o governo.

    Mas se é esse tipo de ciência que Heidelberg anda fazendo, puramente baseada em suposições e conceitos errados, eu sinto lhe informar que aqui no Brasil estamos em uma situação muito melhor academicamente.

    Abraços.

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  6. "Me desculpe a franqueza" mas porquê você não está interessado em PREVENÇÃO e PRECAUÇÃO?
    Que tal como "cientista" consultar os relatórios da própria Kinross do qual as informações foram extraídas?
    Serrano Neves

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  7. Sergio Ulhoa Dani7 de abril de 2011 11:24

    Ainda nao entendi a intencao do Sr. Guilherme Ferreira da Silva com seus comentários. O grupo do Dr. Bernardino tem mostrado exatamente que (i) o arsênio da mineracao de ouro é mobilizável em diversas condicoes ambientais e (i) a concentracao de arsênio no corpo das pessoas expostas está aumentada em várias localidades do Brasil onde existe mineracao. Veja duas das referencias dos trabalhos do grupo dele, citadas abaixo. O Dr. Bernardino colaborou com o Professor Matschullat, da Universidade de Freiberg, com quem também colaboramos aqui na Alemanha. Dosagens de arsênio em vários pontos da cidade de Paracatu feitas em duplicata no laboratório do Dr. Matschullat aqui na Alemanha e Departamento de Química da UFMG aí no Brasil indicam valores extraordináriamente aumentados. Estamos medindo os efeitos do arsenio ambiental sobre a saúde humana, assim como diversos outros grupos de pesquisa no Brasil e no mundo. Os trabalhos estao sendo publicados em revistas científicas indexadas com corpo editorial e circulacao internacional, conforme constantemente informado em portugues e em ingles nos blogs alertaparacatu e sosarsenic, respectivamente. Nao acredito que o Sr nao saiba ler nesses idiomas, entao nao entendo como nao conseguiu encontrar toda essa literatura citada nos blogs. Para sua ilustracao, sugiro que o Sr utilize o PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/. Mas nao vale apenas visitar o blog. Tem que ler e entender o que está escrito! Se o Sr. informa que está "em situacao muito melhor academicamente", que beleza! Entao maos à obra! Mantenha-nos informados sobre suas publicacoes científicas!

    Arsenic exposure assessment of children living in a lead mining area in Southeastern Brazil [Avaliação da exposição de crianças ao arsênio em área de mineração de chumbo na Região Sudeste do Brasil] Sakuma, A.M. , de Capitani, E.M., Figueiredo, B.R., de Maio, F.D., Paoliello, M.M.B., da Cunha, F.G., Duran, M.C. Cadernos de Saude Publica Volume 26, Issue 2, February 2010, Pages 391-398

    Arsenic mobilization from sulfidic materials from gold mines in Minas Gerais State. De Andrade, R.P., Santana Filho, S., De Mello, J.W.V., De Figueiredo, B.R., Dussin, T.M. Quimica Nova volume 31, Issue 5, 2008, Pages 1127-1130.

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  8. As minhas intenções são as suas mesmas, doutor; porém estou questionando a sua forma de chegar até ela, exatamente porque aparentemente você é a pessoa mais adequada para isso, visto que não tenho acesso ao ICP da Universidade, nem a aparelhagem necessária para os estudos, mas eu tenho as idéias.

    Vi dois resumos no site que me recomendou. Um deles analisou amostras de solo de superfície da formação Paracatu[1], que é um filito de mesma gênese em termos de ambiente da formação Morro do Ouro. Porém, este artigo que eu citei acima não relaciona o Arsênio à atividade mineradora, e sim comprova o que eu havia dito, que ele está presente naturalmente, inclusive como porção desagregada da rocha, ou solo, ocorrendo naturalmente, inclusive o enriquecimento supergênico da concentração do mesmo em superfície.

    O outro é de sua autoria, e só possui o abstract disponível[2], o dr. discorre sobre os malefícios causados pelo arsênio à saúde humana, porém não dispõe de dados de monitoramento e análise que comprovam o acúmulo e envenenamento da população pelo arsênio liberado pela mina, na forma de retrabalhamento químico/físico da arsenopirita.

    Eu não critico sua causa, dr. Dani, que inclusive também é a minha, critico a sua metodologia, que até então eu julgava inexistente, e agora eu acho provavelmente ineficaz para a comprovação, porque não refuta algumas outras hipóteses, como alguma contaminação natural, ou o que seja.

    Por último, o relevo da cidade de Paracatu é bastante acidentado, sendo que o plateau ao redor da cidade está há mais de 100 metros acima do nível dos vales da cidade e da mineradora, que já tem uma altimetria mais baixa pelo consumo do morro. Essa sua hipótese de contaminação de grandes cidades por ventos que circulam no continente é inconsistente ao passo de que 1 os mesmos estão a grandes altitudes, 2 os particulados se depositam no próprio vale tendo em vista as barreiras físicas naturais, 3 mesmo se houvesse uma quantidade suficiente de arsênio na rocha que se volatilizasse e ascendesse até esta altura atingida pelos ventos, um dos princípios químicos básicos fariam com que esta se espalhasse pela atmosfera, não havendo nenhuma barreira que mantivesse a sua alta concentração em uma região.

    É isto, doutor. Como disse, não questiono a sua causa, e sim a metodologia, e infelizmente ainda não tenho aptidão suficiente para fazer melhor.

    Abraços

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  9. Mesmo divergindo em muitos pontos, os dois Doutores concordam com o exercicio da atividade poluidora em Paracatu.
    Deixando de lado questões envolvendo a propagação da poluição país afora. Será que a poluição de Paracatu, com o possível comprometimento da saúde das gerações futuras por si não basta, para nos preocuparmos. Até quando iremos nos contentar com migalhas passageiras (emprego e obras públicas)nos oferecidas em troca de nosso bem maior, a qualidade de vida.
    Estamos nos esquecendo de que os únicos beneficiados com este processo de exploração mineral são os acionistas da mineradora, que vêm privatizando os lucros e pulverizando o prejuízo. E nós atônicos, acreditando em beneficios trazidos por ela, visão que ela própria se encarrega de transmitir, com suas "doações", participação em projetos socias... Mas será que essas doações não estão mais do que pagas, afinal além da riqueza mineral ela ela nos subtrai a qualidade de vida, poluindo ar, água, e não só do momento presente, mas pelo que se sabe por um longíguo futuro. Tão longiquo, que bem depois que cessar suas atividades, seus efeitos ainda serão por nós (se não morrermos de câncer antes)e pelas gerações futuras sentido.

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  10. Sergio Ulhoa Dani11 de abril de 2011 18:44

    O diagnóstico da intoxicação crônica por arsênio liberado pela mineração de ouro a céu aberto em Paracatu é clínico-laboratorial-atuarial. Os sinais clínicos e atuariais (manchas de pele, abortos espontâneos, padrão de aumento da incidência de câncer, etc) sustentam o diagnóstico. Os exames complementares incluem análises laboratoriais que foram pedidas no bojo da ACP-Ação Civil Pública de Precaução e Prevenção proposta pela Fundação Acangaú (acompanhe esta ACP neste blog). Todo cidadão de Paracatu tem o direito de ser examinado, a mineradora-poluidora tem o dever de custear esses exames, e a execução dos mesmos deve ser responsabilidade de cientistas e médicos independentes e com competência comprovada através de currículo. Existe um grupo de referência científico constituído para dar suporte a esse projeto.

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