domingo, 20 de fevereiro de 2011

Mineração e decadência

Sergio U. Dani, de Heidelberg, Alemanha, em 20 de fevereiro de 2011.

O geólogo Marcio Santos escreve sobre os impactos irreversíveis da mineração de ouro em Paracatu no artigo intitulado "Mineração e decadência" (leia o artigo em:
http://professor-marciosantos.blogspot.com/2011/02/mineracao-e-decadencia.html).

A comparação das fotos que postou mostra o vermelho e o cinza em Gongo Soco e o acinzentado da arsenopirita em Paracatu. A mina de Paracatu é a maior mina de ouro do Brasil, a maior a céu aberto, a que tem o menor teor de ouro do mundo e a maior quantidade de arsênio, tudo isso no perímetro urbano de uma cidade de 100 mil habitantes a 200 km da capital federal, na bacia do principal tributário do Rio São Francisco. Estão liberando 1 milhão de toneladas de veneno que estava guardado na rocha há bilhões de anos, com o apoio de autoridades governamentais brasileiras e canadenses, afetando uma vasta população indefesa. A quantidade de veneno liberada seria suficiente para exterminar toda a humanidade. Por enquanto, está servindo para aumentar cronicamente o número de mortes por câncer, aborto espontâneo e outras doenças em Paracatu. O aumento da violência em Paracatu, conforme descrito pelo geólogo, pode não ser apenas fruto da injustiça sócio-econômica, pois comportamento violento também é descrito na literatura científica como um dos efeitos da intoxicação crônica por arsênio. Suspeita-se que já houve também casos de êxito letal por intoxicação aguda por arsênio, como o de um menino que se afogou em um dos tanques arsenicosos da mineradora transnacional Kinross Gold Corporation, e as milhares de aves e outros bichos que morrem na mina e nos seus arredores, todo ano. Para continuar seu projeto criminoso em Paracatu, a mineradora transnacional canadense chegou a eliminar uma comunidade Quilombola inteira para dar lugar a uma bacia de rejeitos tóxicos, inclusive assassinando dois membros da comunidade a tiros. Até agora estávamos falando em genocídio e decadência social.

Talvez devêssemos falar em geocídio e extinção em massa.