segunda-feira, 23 de junho de 2008

Doenças ligadas àmineração de ouro em Paracatu


Paracatu, 21 de junho de 2008

Casos de doença renal, câncer, aplasia medular e outras doenças em Paracatu podem estar ligados à mineração de ouro

Por Sergio Ulhoa Dani, Dr.med., D.Sc.

À medida que progridem os trabalhos de investigação sobre os impactos do projeto de expansão da mineradora RPM-Kinross em Paracatu, a descoberta de novos casos de doença renal, doença neurológica, câncer, cegueira, diabetes, aplasia medular e outras doenças levam à suspeita do envolvimento da mineração na causa dessas doenças.

Crianças e adolescentes são os mais afetados, porque assimilam as substâncias tóxicas muito mais intensamente que os adultos. As fontes de contaminação incluem: ambiente de trabalho, ar, água, solo e alimentos contaminados.

Substâncias presentes na Mina do Morro do Ouro e liberadas para o ambiente pela mineradora RPM-Kinross, que causam doenças:

1. Substâncias nefrotóxicas (causam doença renal): arsênio, cádmio, cobre, ouro, ferro, chumbo, mercúrio e prata, e seus sais;

2. Substâncias carcinogênicas (que causam câncer): arsênio, mercúrio, cádmio, chumbo e seus sais;

3. Substâncias que causam doenças neurológicas: chumbo, mercúrio, arsênio e seus sais;

4. Substâncias que causam cegueira: mercúrio e seus sais;

5. Substâncias que podem causar aplasia da medula óssea (com conseqüente anemia normocítica hiporegenerativa, por resposta reticulocítica inadequada): prata, arsênio, ouro e mercúrio, e seus sais. Estas substâncias produzem aplasia medular via uma resposta imprevisível, idiosincrásica em uma minoria de pacientes.

Referências:

1. Tietz, Norbert W., Clinical Guide to Laboratory Tests, Saunders, 1983.

2. Friedman, RB, et al., Effects of Diseases on Clinical Laboratory Tests, American Association of Clinical Chemistry, 1980.