sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Trabalho de formiguinha

Sergio U. Dani, de Göttingen, Alemanha.


Cyatta abscondita, a formiguinha discreta. Foto: Sosa-Calvo et al, 2013.  

Cyatta abscondita, uma formiguinha agricultora muito discreta foi redescoberta na Reserva do Acangau. O ‘trabalho de formiguinha’ foi realizado por uma equipe de cientistas brasileiros e norte-americanos, entre os quais o Professor Heraldo Vasconcelos, da Universidade Federal de Uberlândia, e publicado no último número da revista PloS ONE.

O nome escolhido para o gênero ‘Cyatta’ é um neologismo construído pela expressão tupi ‘Cy’, que significa ‘irmã’, e ‘atta’, uma referência ao parentesco das Cyatta com as saúvas mais conhecidas do gênero Atta. O nome da espécie, ‘abscondita’ refere-se à natureza extremamente discreta dessa espécie. Após ter sido reconhecida, em 2003, a partir de um número reduzido de raros exemplares, a espécie só foi redescoberta depois de múltiplas tentativas frustradas de localizá-la no campo. Essa formiguinha de menos de 3 milímetros de comprimento é difícil de ser apanhada em armadilhas geralmente usadas para capturar formigas.


Formigas são organismos sociais muito antigos no esquema de evolução das espécies pela seleção natural. Através da análise do DNA, os cientistas calcularam que o gênero Cyatta existe há surpreendentes 26 milhões de anos. Quais seriam as estratégias secretas de sua sobrevivência? 


As diminutas Cyatta constituem colônias de 20 a 26 operárias. Elas adotam uma estratégia também adotada por algumas parentes da América do Norte, Caribe e América do Sul: cultivar fungos dos quais elas se alimentam. Os jardins de fungos são cultivados suspensos no teto de pequenas câmaras subterrâneas escavadas a uma profundidade de até 2 metros. Para um animalzinho tão discreto, trata-se de um desempenho extraordinário. O segredo do sucesso? Prevenção, trabalho de equipe e discrição.



Referência:

Sosa-Calvo J, Schultz TR, Brandão CRF, Klingenberg C, Feitosa RM, Rabeling C, Bacci Jr. M, Lopes CT, Vasconcelos HL (2013) Cyatta abscondita: taxonomy, evolution, and natural history of a new fungus-farming ant genus from Brazil. PLoS ONE 8(11): e80498. doi:10.1371/journal.pone.0080498

terça-feira, 29 de outubro de 2013

MPF/MG questiona Kinross sobre impactos resultantes da produção de ouro em Paracatu

Um dos objetivos é saber se a incidência de câncer no município estaria de fato relacionada com a liberação de substâncias tóxicas durante o processo de mineração.


O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF/MG) encaminhou à Kinross Brasil Mineração SA diversos questionamentos acerca do processo de extração de ouro e prata em seu complexo minerário instalado no município de Paracatu e das consequências para o meio ambiente e para a saúde da população da cidade. No total, mais de 37 quesitos – todos eles desdobrados em vários questionamentos – foram encaminhados à mineradora.





terça-feira, 22 de outubro de 2013

*O INFERNO DÁ LUCRO*


*O INFERNO DÁ LUCRO*

A Mineração protagoniza uma das mais violentas devastações da nossa história.

A atividade é um dos carros chefes na política econômica do Brasil. Não é novidade para os brasileiros: onde há excesso de lucro, há sangue.
Histórias chocantes de devastação do meio ambiente e desrespeito ao ser humano ficam escondidas atrás das montanhas de dinheiro.

A tendência é que o quadro, já instável, sangre mais. Muito mais. O Governo Brasileiro se apressa para aprovar o Novo Marco da Mineração. O objetivo é
triplicar o potencial minerador até o ano de 2030. Essas mudanças provocam
câmbios diretos na vida de milhares de pessoas que moram, trabalham ou
convivem próximo a grandes mineradoras: indígenas, quilombolas, comunidades
tradicionais, agricultores familiares e moradores de pequenas vilas em
região de extração.

Quais são de fato os danos ambientais? Qual o ganho econômico para uma
cidade onde se instala uma grande mineradora? Qual a noção de progresso que
está por trás de uma atividade econômica ambientalmente tão cara?

A reportagem especial do Ninja visitou nas últimas semanas os estados
responsáveis pela maior exportação de minério no país: Minas Gerais, Pará e
Maranhão, conversando nos rincões de nosso país com quem sofre diretamente
com a Mineração.

Até quando fecharemos os olhos para essa situação?

 Link do vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=2JBMPuOGTVI

domingo, 6 de outubro de 2013

MORRO DO OURO E SEU LAMENTO

MORRO DO OURO E SEU LAMENTO

Um poema de Elizabeth Gonçalves (*) / Publicação exclusiva para o site do Arquivo Público de Paracatu-MG

Morro do Ouro
Bilionário,
Monte do precioso metal
Que de tão rico… Veio a sua pior pobreza…
A cobiça sobre sua sorte!

Pobre morro do ouro!
Cada grão de terra jorrada
Cada pedra rolada
Soluça, lamenta…
Um lamento lento…
Definha dia após dia
Arrasta-se, geme e chora.
Pede socorro!
A espera de alguém pra te agasalhar!
A espera de alguém pra te defender!

 Seu belo cenário…
Verde era seu vestuário…
Arquimilionário,
Arrasta-se em tons de cinza…
Paisagem esfolada!
 E Historia invadida!
Tristeza no olhar
E lágrimas nas gargantas…
Confinados…
 Todos assistem sua agonia
Inertes, passivos…
Testemunham seu lamento.

Pobre morro do Ouro!
Geme dia a dia!
Era abrigo bem aventurado!
Hoje ninguém pra abrigar
Que de tão rico…
 Veio a sua pior pobreza…
A cobiça sobre sua sorte!

Pobre morro do ouro!
Pressentindo a sua morte
Desamparado…
Lamenta e chora!

(*) Elizabeth Gonçalves Santos F. Barbosa é bacharelada em Administração e é funcionária pública municipal do Serviço de Alistamento Militar. É membro honorífico do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Artístico de Paracatu (COMPHAP). Foi coordenadora do programa de Educação Patrimonial do Município de Paracatu-MG.