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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Funcionários e fornecedores de mineradora botam o bloco na rua

Paracatu, 4 de maio de 2009
Funcionários e fornecedores da mineradora transnacional canadense, RPM/Kinross botaram o bloco na rua nesta segunda-feira. Animados pelo locutor de rádio Ed Guimarães, assumido defensor da empresa, cerca de mil funcionários e fornecedores da mineradora desfilaram em carreata pelas ruas de Paracatu, cidade de 90 mil habitantes do noroeste de Minas Gerais.

A tônica do manifesto era a defesa dos seus salários e empregos, que consideram ameaçados por algo ou alguém que não identificaram claramente. Alguns acreditam tratar-se do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal, que impediram a construção de uma nova barragem de rejeitos da mineração no Vale do Machadinho. Outros suspeitam que a grande culpada é a incompetência da própria mineradora.

No Vale do Machadinho estão as mais importantes nascentes de abastecimento público de Paracatu, que já no século 18 abasteciam a cidade com água mineral de montanha, trazida por queda natural. Mas o principal entrave à construção da barragem no Machadinho é a presença de uma comunidade quilombola no local. A Constituição Federal protege os territórios dessas comunidades, considerados inalienáveis e impenhoráveis. E a mineradora sabe disso.

Sem a autorização do estado e da união para entupir com lama as nascentes e o território quilombola, a mineradora terá que encontrar uma alternativa técnica e locacional para sua nova barragem de rejeitos. Ela vai ter que gastar mais com esta solução, mas se não o fizer, vai fechar, conforme já ameaçou em reportagem de um jornal local.

Os funcionários e fornecedores da mineradora estão confusos e desesperados.

Empresas não fecham por problemas técnicos. Elas fecham por incompetência. A Kinross provou que sabe minerar ouro com competência e responsabilidade sócio-ambiental na mina de Kettle River-Buckhorn, nos Estados Unidos. A grande pergunta é se a mineradora terá a mesma competência e responsabilidade em Paracatu. Assim como nos Estados Unidos, ela terá que contar com a cobrança da comunidade para poder avançar, e não dar o calote.

E a cobrança já começou.
--
Sergio Ulhoa Dani
Reserva do Acangaú, zona rural
Caixa postal 123
38.600-000 Paracatu MG
Brasil
srgdani@gmail.com
(+55 38) 9913-4457
(+55 38) 9966-7754

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Fundação Acangaú participa de encontro com vereadores

Paracatu, 4 de maio de 2009

Fundação Acangaú participa de encontro com vereadores

O presidente do Conselho Curador da Fundação Acangaú, Paulo Maurício Serrano
Neves, e o presidente da Fundação Acangaú, Sergio Ulhoa Dani, participaram
hoje de um encontro com os vereadores na Câmara Municipal de Paracatu.

No encontro, os vereadores sabatinaram Serrano Neves sobre o projeto da Lei
das Águas de Paracatu, em tramitação na Câmara. Serrano Neves é autoridade
em direito constitucional, tendo participado dos trabalhos de elaboração da
Constituição Federal de 1988. Os vereadores puderam esclarecer dúvidas com
relação à constitucionalidade da lei de proteção das águas de Paracatu, seu
alcance e significado.

Na ocasião, os representantes da Fundação Acangaú entregaram aos vereadores
um documento que traz um balanço das atividades realizadas nos últimos dois
anos e anuncia uma nova fase de atividades.

Confira a seguir o documento entregue pela Fundação Acangaú aos vereadores:

------------------------------
É O POVO QUE DECIDE SEU DESTINO

A Fundação Acangaú e o Instituto Serrano Neves anunciam a segunda fase do
enfrentamento dos danos presentes e futuros causados pela mineração de ouro
a céu aberto em Paracatu.

A primeira fase está concluída, à vista de que as informações para que as
pessoas possam discernir sobre o que mais lhes convém estão todas publicadas
na internet (http://alertaparacatu.blogspot.com).

A mobilização popular está pronta para a votação da "Lei das Águas de
Paracatu", como primeiro instrumento de defesa dos recursos naturais: a
água, recurso sem o qual não existe vida.

O trabalho da Fundação Acangaú e o Instituto Serrano Neves sempre foi, e
sempre será, balizado pela lealdade e clareza na difusão de informações de
boa qualidade e fonte segura, sem estratégias de dominação de opinião, tão
comuns aos que defendem interesses corporativos.

O POVO E SEUS REPRESENTANTES ELEITOS DEVEM DECIDIR LIVREMENTE.

A aprovação, ou não, da Lei das Águas, é definidora dos destinos de Paracatu
e a decisão está com o poder democrático legítimo: o poder do povo e dos
vereadores eleitos.
A primeira etapa está concluída, mas a vigilância e a atividade continuarão.
O problema dos danos ambientais e danos à saúde continuará sendo alvo de
atenção e ação, através de informações de boa qualidade e recursos ao
Judiciário, se for necessário.

O foco passa a ser o PROJETO ACANGAÚ - "Socio Environmental Think Tank", já
formatado em http://acangau.net, no qual a Fundação Acangaú dimensiona os
instrumentos que podem dar suporte a um desenvolvimento sustentável,
democrático, e que satisfaça aos anseios de construção de uma sociedade
livre, justa e solidária.

Na segunda etapa as informações serão formatadas no sentido da criação de
alternativas socioeconômicas para desenvolvimento, e que independem do
cenário atual.

A riqueza das pessoas é fato conhecido em Paracatu, onde o povo sabe dizer
quem é quem e como ganha dinheiro e de quem recebe o dinheiro que ganha.

A pobreza é que é desconhecida, e atinge metade da população, metade que é
induzida a agradecer por migalhas que lhes são lançadas, como se a
dignidade, a honra e a vergonha na cara fossem virtudes ausentes.

"As questões de cidadania são irrenunciáveis e inegociáveis", assim foi dito
para o representante de cúpula da Kinross em recente reunião.

"Em Paracatu existem homens que não se ajoelham a essa diretriz (da
mineradora)", disse Irineu, mandando recado para o faráo patrão no Canadá,
em audiência pública.

"Não abusem da nossa pobreza", disse o médico e vereador Dr. Romulado Ulhoa
(Dado) na tribuna da Câmara, dirigindo-se ao representante da mineradora
canadense.
Não aceitamos que estrangeiros venham nos dizer o que precisamos. Não
aceitamos que brasileiros vendam suas consciências. Não admitimos que uma
empresa transnacional queira assumir o lugar dos nossos governantes
legítimos, assumindo o mando através da infiltração na máquina
administrativa e da enganadora e madrasta propaganda.

Continuamos presentes, um pouco menos visíveis mas sempre presentes na
defesa dos direitos fundamentais do cidadão, defesa que ninguém pode nos
impedir de fazer.

Continuem acessando o ALERTA PARACATU em
http://alertaparacatu.blogspot.com
e a REDE ACANGAÚ em
http://acangau.net 
e lendo o ALERTA PARACATU versão impressa e os demais
jornais da cidade que estarão recebendo nossas matérias.
SERGIO ULHOA DANI/SERRANO NEVES

-- 
Sergio Ulhoa Dani
Reserva do Acangaú, zona rural
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domingo, 3 de maio de 2009

Segurança em barragens de rejeitos

SAFETY OF TAILINGS DAMS
SEGURANÇA EM BARRAGENS DE REJEITOS
http://www.wise-uranium.org/mdas.html#DISAST
DESASTRES EM BARRAGENS DE REJEITOS
Violation of the safety requirements has led to hundreds of tailings dam failures worldwide, some of which with catastrophic consequences:


Sergio Ulhoa Dani
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Quem pagará a conta quando a mina fechar?


Paracatu, 2 de maio de 2009

Quem pagará a conta quando a mina fechar?

Custo de manutenção anual da barragem de rejeitos da RPM/Kinross pode ser maior que a receita total da Prefeitura de Paracatu

Quem pagará a conta quando a mina fechar?

Enquanto não recebemos informações da empresa RPM/Kinross, pesquisamos em outras fontes e encontramos que o custo de manutenção de uma barragem de rejeitos de mineração varia de € 0.30 a € 2.00 por tonelada de minério rejeitado por ano (1).

Para sermos conservadores, consideramos o valor mínimo de € 0.30/ton/ano, algo como R$ 0,84/ton/ano, então temos o seguinte cálculo de custo para a barragem atual de rejeitos da RPM/Kinross, que já armazena cerca de 300 milhões de toneladas de rejeitos:

300 milhões de toneladas x R$0,84/ton/ano = R$252.000.000,00/ano

Ou seja, por esta conta otimista, a manutenção da barragem de rejeitos atual deve custar algo em torno de 250 milhões de reais por ano. Isto é equivalente a duas vezes e meia o valor arrecadado por ano pela Prefeitura de Paracatu.

Pelo mesmo cálculo, a nova barragem projetada deve custar pelo menos o dobro disso, ou seja, 5 vezes a arrecadação anual da Prefeitura de Paracatu.



Quem pagará essa conta quando a mina fechar?



Convidamos a RPM/Kinross a contestar ou confirmar esses dados e apresentar a sua própria planilha detalhada de custos, para que possamos avaliar se as medidas ou ações de manutenção orçadas pela mineradora são suficientes para garantir a segurança da barragem ao longo dos anos.


Saber disso é direito da população de Paracatu. A barragem de rejeitos da RPM/Kinross é classificada como tendo conseqüência de ruptura de gravidade “alta” (algumas fatalidades, grandes danos) a “muito alta” (grande número de fatalidades, danos extremos) (2).



(1) http://biutec.at/safemanmin//DST/DST_files/CLOTADAM/methods%20-cost.pdf
(2) Relatório da SUPRAMNOR, agência governamental do Estado de Minas Gerais,
que analisa o pedido de licenciamento de uma nova barragem de rejeitos da
RPM/Kinross em Paracatu

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Sergio Ulhoa Dani
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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Exmos. Srs. Vereadores

Paracatu, 28 de abril de 2009

Exmos. Srs. Vereadores,

O vale do Machadinho é lindo. Ele abriga a vida. E a vida tem valor absoluto. Nada é mais importante do que a vida. E sem água não há vida, todos sabemos disso.

O Brasil é um dos poucos países que ainda permitem a destruição de nascentes de água pela construção de barragens de rejeitos de mineração. Mas não precisa ser assim, aqui em Paracatu. Nós temos o poder de proteger as riquezas do nosso município, o poder de proteger a vida. Isso é um poder quase divino.

Por isso, rogamos que protejam nossas águas. Que protejam as nascentes do Ribeirão Santa Rita. São Santas Águas, porque sem elas não há vida. São Águas Santas, porque chegam até a cidade por queda natural, sem precisar de energia, a não ser a força da gravidade, que nos é oferecida de graça pela natureza. São Santas Águas, porque são águas minerais de montanha, límpidas e cristalinas. As Santas Águas são uma benção que nos foi concedida, patrimônio natural a nós confiado. É nosso dever protegê-las.

Senhores Vereadores, a ciência é a arte do solúvel, aquilo que tem solução. Eu sou cientista e sei que há soluções técnicas para a nova barragem de rejeitos da mineradora RPM/Kinross. Sempre há soluções técnicas, e nenhuma empresa mineradora rica vai fechar por falta de soluções técnicas.

Se a ciência é a arte do solúvel, a política é a arte do possível. É possível para Vossas Excelências, eleitas pelo voto de confiança do povo, salvar as Santas Águas de Paracatu. Não percam esta oportunidade de fazer o bem para todos. Nossa vida é breve e frágil, a nossa obra é longa, e a ocasião é fugidia. Não as desperdicem.

Seus eleitores são seres humanos, são seres vivos. Se Vossas Excelências os honrarem, aprovando o projeto da Lei das Águas de Paracatu, Vossas Excelências serão recompensadas e passarão para a história de nossa terra como os protetores das nossas águas e da nossa vida. E as gerações atuais e futuras lhes serão eternamente gratas.

Pensem e sintam. Percebam e ajam com sabedoria. Protejam a nossa saúde e a nossa vida, aprovando a Lei das Águas de Paracatu. Essa é uma missão de confiança.

Atenciosamente,

Sergio Ulhoa Dani, *Dr.med., D.Sc.*
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Sergio Ulhoa Dani
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cansada da desinformação, população já enxerga solução


Cansada da desinformação, população já enxerga solução

Por Sergio Ulhoa Dani

A confusão gerada pela manchete de um jornal de Paracatu despertou a imaginação da população. Como é possível a RPM/Kinross dizer que poderá fechar as portas em 2011, mas insiste em ficar em Paracatu?

O povo não se deixa enrolar com mentiras e informação de má qualidade. A verdade é que parte da imprensa local que sempre apoiou a RPM/Kinross não quer largar o "bem-bão". Em mais de 20 anos sem jamais conhecer oposição forte em Paracatu, eles acabaram se acostumando com "sopa de minhoca na galocha", se acostumando com moleza. Isso parece ter corroído o cérebro deles.

O tiro da reportagem parece ter saído pela culatra. Já tem gente dizendo que se querem sair, que saiam logo. Que desocupem logo o lugar para os garimpeiros de Paracatu voltarem a garimpar, ou para abrir espaço para a contratação de uma outra empresa mineradora mais séria e mais competente.

Meu amigo Luis Henrique Chaves, o popular "Gorila", já fez sua previsão. Segundo ele, a saída da RPM/Kinross estimulará a organização das cooperativas de garimpeiros e o garimpo artesanal de sobrevivência, em ambiente controlado, conforme a lei já garante: "Aí vai ter dinheiro para todo mundo, não apenas para uma meia dúzia", comemora. "Não se assuste quando vir um cara sujo, de havaianas nos pés rachados, comprando dez quilos de "filé minhon" e pagando à vista. Acorda, comércio de Paracatu!", sentencia Gorila.

De fato, a saída da RPM/Kinross teria o efeito oposto ao apregoado pela reportagem. A riqueza do ouro chegaria às mãos dos paracatuenses e fortaleceria o comércio de bens e serviços. Se sair de Paracatu em 2011, como afirma o jornal, a RPM/Kinross deixaria para trás mais de 500 toneladas do mais puro ouro paracatuense. São quinhentas toneladas de ouro, bem guardadinhas para os paracatuenses, ou para partilharmos com outra mineradora mais séria que quisesse explorar a riqueza com mais responsabilidade sócio-ambiental. Ou seja, Paracatu não perderia nada com a saída da RPM/Kinross. Eles vão, o nosso ouro fica.
 --
Sergio Ulhoa Dani
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Ouro de Sangue: assista a tudo o que a RPM/Kinross não gostou e a TVP não mostrou


Ouro de Sangue: assista a tudo o que a RPM/Kinross não gostou e a TVP não mostrou

A MÍDIA UNDERGROUND MOSTRA SUA FORÇA

Por Sandro Neiva (*)

Algumas pessoas não sabem de onde vem o ouro nem como ele é extraído. Mas uma mineração aurífera pode dizimar comunidades inteiras, contaminar a água potável e causar danos graves na saúde das pessoas e meio ambiente. Uma aliança de casamento ou outra jóia de ouro pode ter um valor inestimável. Talvez você mesmo tenha uma dessas alianças e sabe que seu custo é alto. Mas o custo do ouro para o planeta e para as pessoas que nele vivem é muito mais alto que o valor do próprio metal.

Assim como as monoculturas e o agronegócio, - implantados no país sob uma lógica devastadora - a mineração de ouro a céu aberto é uma das atividades mais perniciosas que a humanidade conhece. Utiliza venenos químicos, gera montanhas de rejeitos tóxicos e deixam uma cicatriz permanente na vida das pessoas e das paisagens. Não existe mineração sustentável porque isso implicaria garantir para as próximas gerações os recursos que dispomos hoje. Visto que mineradoras trabalham com recursos não renováveis (que se esgotam com a exploração), tem-se uma clara contradição entre mineração e sustentabilidade.

No caso específico de Paracatu, as lavras a céu aberto e em perímetro urbano causam prejuízos irreversíveis ao ambiente e à saúde de comunidades urbanas, camponesas e quilombolas. Garimpeiros , legítimos fundadores da cidade, taxados de criminosos e mortos covardemente por seguranças armados. A qualidade do ar e da água esvaindo-se a níveis alarmantes e a impressão generalizada de que a cidade está sendo "engolida".

Tais fatos levaram a mim e ao colega Alessandro Silveira a tomar a decisão de fazer um filme sobre o assunto. Somente um documentário de denúncia, feito com preciosos materiais de arquivo, pesquisa primorosa, rigor jornalístico e olhar cinematográfico conseguiria mexer com a letargia, conformismo e resignação gratuita das pessoas. Concluído em maio de 2008, "Ouro de Sangue" inicia sua trajetória de participação em festivais de cinema espalhados pelo Brasil. Participou da 35ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia, realizada em Salvador entre os dias 11 e 20 de setembro de 2008. No mês seguinte o filme foi para a bela Nova Friburgo, cidade serrana do Rio de Janeiro, onde participou do I Festival Internacional de Cinema Socioambiental. Devido ao fato de ter sido produzido de forma independente, sem patrocínio algum, "Ouro de Sangue" não conseguiu nenhuma premiação, mas intelectuais de várias nacionalidades puderam observar e debater a questão.

Por meio da Lei Rouanet, O Ministério da Cultura financia dezenas de festivais de cinema espalhados pelo país. Esses festivais atuam como fomentadores da atividade cinematográfica, incentivam novos cineastas a produzirem seus filmes e garantem a liberdade de expressão.

O filme "Ouro de Sangue" foi legendado em língua inglesa e está sendo enviado para diversos festivais de cinema no exterior. Em Paracatu, foi exibido na Escola Estadual Antônio Carlos como material didático para alunos do Ensino Médio.

No feriado de Páscoa fui procurado pelo proprietário da TV Paracatu, Arquimedes Borges de Oliveira, que ofereceu espaço gratuito em sua emissora para a exibição do documentário, precedido de uma entrevista de divulgação. Eu e o co-diretor Alessandro Silveira concordamos prontamente em exibir "Ouro de Sangue" por entender que seria uma prestação de serviços a Paracatu. O filme foi ao ar no dia 15 de abril, mas a exibição foi abruptamente "abortada" aos 27 minutos, sendo que a duração total é de 44 minutos. Nenhuma explicação oficial ou qualquer tipo de satisfação foram apresentados pela TV Paracatu até o momento. Infelizmente, eu me encontrava em Brasília, onde resido, e não pude acompanhar a reação das pessoas, que segundo informações de amigos, foi de indignação.

Apesar de não ter ficado claro se o corte teria ocorrido por motivações políticas, censura, telefonema ou jabaculê, está de parabéns a TV Paracatu pela iniciativa de ter apresentado ao menos o início do filme. Talvez isso possa representar um início de revolução nas mentes menos pensantes e nas forças retrógradas e reacionárias de alguns segmentos da sociedade local. Parabéns à Câmara Municipal de Vereadores por lutar pela aprovação da Lei das Águas. Parabéns ao Ministério Público por tentar impedir a construção de uma nova barragem de rejeitos químicos. Parabéns aos nossos hermanos da província de Córdoba, na Argentina, cujos legisladores aprovaram recentemente lei que proíbe a mineração a céu aberto. Salve o campesinato paracatuense e nossos afro-brasileiros descendentes de quilombos. Bem aventurados aqueles que lutam contra os grilhões da ignorância e opressão.

O filme “Ouro de Sangue” foi legendado em língua inglesa e está sendo enviado para diversos festivais de cinema no exterior. Em Paracatu, foi exibido na Escola Estadual Antônio Carlos como material didático para alunos do Ensino Médio. No momento da exibição aos jovens estudantes do ensino público, instantaneamente me veio à mente um fato ocorrido há pouco mais de um ano no bairro Santana. Ao ser convidado para dar uma entrevista ou depoimento para o filme "Ouro de Sangue", uma ave de rapina da política local, figurinha fácil na Assembléia Legislativa do estado, cacarejava ao meu ouvido com sua voz fanho-anasalada:"Não tem jeito de mobilizar a opinião pública porque essa questão da RPM é um caso irreversível. É assim mesmo! Não tem como mudar!". Será?

(*) Sandro Neiva é jornalista

P.S. – ATENÇÃO: Assista a tudo aquilo que a TV Paracatu não mostrou. "Ouro
de Sangue" na íntegra, com 44 minutos de duração, DE GRAÇA, no www.bloodstainedgold.blogspot.com.

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Serrano Neves
Procurador de Justiça

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Na falta de apoio e competência, mineradora recebe prêmio de mineradores e é a favor dela mesma

Paracatu, 27 de abril de 2009

Na falta de apoio e competência, mineradora recebe prêmio de mineradores e é a favor dela mesma

Por Sergio Ulhoa Dani

Os gestores da mineradora transnacional canadense, RPM/Kinross, estão agindo na zona do desespero. Acuados por duas ações judiciais que paralisaram parte do projeto de expansão, apelam para ações voltadas a conquistar a opinião pública. Mas a má gestão sócio-ambiental do projeto de expansão da mina de ouro de Paracatu tratou de minar as esperanças que a mineradora possa ter de receber apoio da população.

Dia 15 de abril, a apresentação do documentário "Ouro de Sangue", de uma equipe de cinegrafistas e cineastas de Paracatu foi interrompida sem explicação, pela emissora de TV local. A população ficou indignada. O documentário retratava os enormes impactos sócio-ambientais da mineração de ouro a céu aberto causados pela RPM/Kinross, incluindo a destruição de córregos, a poluição ambiental, o empobrecimento da população e o extermínio de garimpeiros com armas de fogo, a mando da mineradora.

Incapaz de negociar com as lideranças da comunidade as medidas que poderiam melhorar sua imagem em Paracatu, a equipe gestora da empresa prefere buscar atalhos que dão em lugar nenhum: anunciou o recebimento do prêmio "Empresas do Ano do Setor Mineral 2009", promovido pela revista Brasil Mineral, a revista das mineradoras; comprou horas de anúncios de rádio, TV e jornais locais e espalhou fachas pela cidade com os dizeres "Somos a favor da RPM/Kinross". Para garantir o fluir dos negócios, pediram uma mãozinha ao vice-governador de Minas Gerais, que deu um telefonema para Brasília. E estão tratando da contratação, em caráter de urgência, de um ex-secretário de estado como diretor da empresa.

Em Paracatu, tentam chantagear a opinião pública, dizendo que o maior e mais moderno projeto de mineração de ouro do Brasil poderá fechar em 2011, antes mesmo de começar a produção. Acho que eles estão otimistas. Empresas não fecham por causa de problemas técnicos, porque esses problemas sempre têm soluções técnicas. Empresas fecham por causa da má-gestão e da má-política. E com tanta má-gestão e tanto tráfico de más influências, a RPM/Kinross caminha a passos largos para um fechamento, antes mesmo de 2011. A única saída dos maus-gestores para defender seu emprego em risco é usar a máquina da empresa para defender eles próprios.

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Sergio Ulhoa Dani
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domingo, 26 de abril de 2009

Ex-secretário de estado poderá comer no prato de mineradora transnacional




Toronto (Canadá), 23 de abril de 2009


Ex-secretário de estado poderá comer no prato de mineradora transnacional

O conselho de diretores da Kinross Gold Corporation, proprietária da Rio Paracatu Mineração, anunciou a indicação do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Wilson Nélio Brumer, para ocupar um cargo na diretoria da mineradora.

Currículo “espantoso”

Brumer, juntamente com Benjamin Steinbruch, foram os responsáveis pela entrega da Companhia Vale do Rio Doce para o capital estrangeiro. Enquanto presidente da Acesita, Brumer conduziu uma operação financeira desastrosa que endividou e travou a empresa. Como prêmio de consolação, ganhou a secretaria de governo de estado de desenvolvimento econômico de Minas Gerais, que ocupou entre 2003 e 2007.

Indicação em tempo recorde

A indicação de Brumer foi feita num momento crítico do projeto de expansão da mina de ouro da Kinross, que enfrenta forte resistência da comunidade de Paracatu, cidade de 90 mil habitantes na região noroeste do estado de Minas Gerais. Em março, a Justiça Mineira e a Justiça Federal paralisaram o projeto de construção de uma gigantesca barragem de rejeitos da mineradora em Paracatu, acatando pedidos do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal.

A indicação de Brumer será examinada durante o encontro anual geral da Kinross, dia 6 de maio próximo, em Toronto. O código de ética da Kinross contempla “pagamentos facilitadores” para autoridades locais, para facilitar o andamento dos negócios da empresa em países estrangeiros.

Wilson Nélio Brumer: incompetente, mas “muito bem conectado”.

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Sergio Ulhoa Dani
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KETTLE RIVER-BUCKHORN: O FUTURO DA MINERAÇÃO


A RPM É INCOMPETENTE
A RPM É INCOMPETENTE

A RPM em Paracatu quer economizar às custas dos recursos da cidade.

A Kinross - QUE É QUEM MANDA NA RPM - sabe como fazer a coisa certa, mas seus representantes na RPM - LAMENTAVELMENTE BRASILEIROS - ou são surdos (não ouvem a matriz), ou cegos (não leêm a própria revista que distribuem) ou são analfabetos funcionais (não entendem o que leêm), ou são incompetentes e incapazes de fazer o que o seu próprio patrão diz que fez.

A RPM tenta enganar dizendo que não existe outro local para a barragem de rejeitos, mas em Kettle River-Buckhorn transporta seu material por 76 quilômetros.

Em Paracatu a RPM quer empurrar sua barragem de rejeitos goela abaixo dos paracatuenses como única solução e ameaça fechar as portas.

ISTO É CHANTAGEM e as vítimas são os pequenos assalariados que temem pela perda de seus empregos.

ESSA CHANTAGEM é feita por brasileiros contra brasileiros.

CHANTAGEM é tentar obter vantagem mediante ameaça.

A KINROSS provou que pode trabalhar corretamente, mas a RPM dirigida por brasileiros acha que além de extrair o ouro deve entregar a consciência construindo um modelo predatório de "ALTO LUCRO" para garantir seus próprios empregos.

Creiam que os "graduados" da RPM estão defendendo seus próprios empregos e pouco se importando com os pequenos e com o restante da população.

LEIA ABAIXO E PENSE.

Serrano Neves

KETTLE RIVER-BUCKHORN: O FUTURO DA MINERAÇÃO

Dados resumidos
Localização: Estado de Washington, EUA.
Cidade importante mais próxima: Spokane, 250 km ao sul; população 204.000
Propriedade: 100% Kinross
Mineração: subterrânea

DA OPOSIÇÃO PARA A COLABORAÇÃO E O SUCESSO

Nossa Mina Buckhorn no Estado de Washington, na costa oeste dos Estados Unidos, foi o terceiro projeto de crescimento Kinross a iniciar a produção em 2008. E apesar de não ter sido o maior, ele foi verdadeiramente uma realização histórica em outros aspectos.

Em alguns momentos, parecia que Buckhorn nunca seria construída.

Quando se propôs uma operação a céu aberto em Buckhorn na década de noventa, enfrentamos uma forte oposição da comunidade local, dos políticos e reguladores - ameaçando paralisar os planos de desenvolvimento.

Na ocasião em que Kinross adquiriu Buckhorn, em 2006 (antes a Kinross detinha uma participação na mina), o projeto tinha se modificado drasticamente. Ele fora radicalmente repensado como uma mina subterrânea, com área de cobertura muito menor e que minimizava o impacto no meio ambiente circundante (vide página seguinte).

Outra etapa chave para ganhar a aceitação da comunidade para Buckhorn foi a forumação do CAB - Conselho Consultivo dos Cidadãos. O CAB representava uma amostra diversificada da comunidade local e era um fórum aberto para discutir potenciais impactos, e para assegurar que o projeto fosse ecologicamente seguro e minimamente perturbador para a comunidade local. O CAB fez provas de ser um fórum altamente exitoso para resolver as preocupações, e o resultado foi um "acordo de boa vizinhança" que descreve como a mina e a comunidade local podem trabalhar juntas da melhor forma.

A etapa final na pavimentação do caminho para Buckhorn ocorreu na primavera de 2008. Liderada por Greg Etter, Procurador Geral Vice-Presidente, Relações Governamentais Estados Unidos, a Kinross negociou um acordo com alguns poucos restantes oponentes do projeto. Sob o acordo, todos os recursos de licença foram extintos, e Kinross concordou em custear projetos terceirizados de monitoração ambiental e de restauração de habitats adicionais nas Okanagan Highlands.

No outono de 2008, caminhões estavam transportando o minério da Mina Buckhorn concluída para a usina recondicionada em Kettle River, a 76 km de distância. Em outubro, foi produzido o primeiro ouro - a primeira de aproximadamente um milhão de onças que devem ser produzidas nos próximos nove anos. Duas décadas depois da sua descoberta, a Kinross e a comunidade finalmente comemoraram a chegada de Buckhorn.

UM MODELO PARA MINERAÇÃO DE PEQUENA PEGADA

"Quando se olha para Buckhorn, vê-se o futuro da mineração." Tye Burt, President e CEO

A equipe de Kettle River-Buckhorn está fazendo todo o possível para minimizar o impacto ambiental da nova mina:

. Substituiu o projeto a céu aberto com um projeto de mina subterrânea

. Reduziu o uso de terra de superfície de 787 acres para 117 acres

. Reduziu o consumo geral de água em aproximadamente 95%

. Empregou um sistema de tratamento de água que pode reduzir a presença de compostos metálicos a níveis menores do que os encontráveis na água subterrânea não afetada

. Reduziu os impactos sobre os moradores da estrada, restringindo as horas de carreto e transporte de caminhões

. Proveu fundos para projetos adicionais de restauração em áreas alagadas, habitats e atividades pesqueiras, e para projetos de melhorias da comunidade local

Em 2007, Kettle River recebeu o Prêmio "Platina por Excelência Corporativa" da Associação Noroeste de Mineração, pela liderança em projetar e obter licença para uma mina que tem um impacto mínimo sobre o meio ambiente e o ecossistema circundante.

"Kettle River-Buckhorn vai energizar a economia local e também é projetada de modo a respeitar o seu entorno natural, algo que é realmente importante para todos nós que vivemos aqui." Brent Bailey, Gerente Ambiental

"Em Kettle River-Buckhorn, nossa gente comprovou que se pode construir uma mina de modo diferente do que tinha sido contemplado, e construí-la ainda melhor com o suporte da comunidade local. Somos a prova viva de que a comunicação aberta pode pavimentar o caminho à frente." Lauren Roberts, Gerente Geral, Kettle River-Buckhorn

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Sergio Ulhoa Dani
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Mineração da Kinross em Paracatu: na idade da pedra






Mineração da Kinross em Paracatu: na idade da pedra

Por Sergio Ulhoa Dani

Quando se fala em membros de uma mesma família, comparações são inevitáveis. Uma das minas da família Kinross é a de Kettle River-Buckhorn, no estado de Washington, Estados Unidos. O presidente da Kinross, Sr. Tye Burt, parece um pai orgulhoso ao falar desta mina: “Quando se olha para Buckhorn, vê-se o futuro da mineração”. A mina da Kinross em Paracatu, Minas Gerais, Brasil, é outra história. Quando se olha para a mina de Paracatu, olha-se pela janela da pré-história. A mina de ouro da Kinross em Paracatu está na idade da pedra.

Na mina de Paracatu os superlativos de dano soam como gritos de alerta das profundezas das cavernas: mina a céu aberto dentro da cidade; explosões que causam terremotos e danificam o patrimônio público e privado; gigantescas barragens de rejeitos que entopem nascentes com lama e têm potencial para causar grande número de fatalidades e danos extremos em caso de ruptura; toneladas de arsênio liberados para o meio ambiente ou estocados na superfície da mina em quantidade suficiente para matar toda a humanidade e causar câncer em milhares de cidadãos paracatuenses; poluição e gastos exorbitantes de água na parte alta de uma bacia de irrigação agrícola; poeira branca que invade a cidade; expulsão dos agricultores e povos tradicionais de suas terras, tudo isso em troca de migalhas que não melhoram a vida da população cada vez mais pobre.

Com se tudo isso não bastasse, a Kinross mantém no local uma equipe gestora incompetente, incapaz de gerir o próprio negócio e muito menos de proteger os interesses da população de Paracatu. A arrogância da equipe brucutu da Kinross em Paracatu não permite uma aproximação civilizada com a comunidade. A Kinross prefere descumprir a lei. A Kinross faz “pagamentos facilitadores” para autoridades locais. Não por acaso, o projeto está paralisado por duas ações judiciais, uma proposta pelo Ministério Público Estadual, outra do Ministério Público Federal. Não por acaso, a imagem da mineradora em Paracatu está mais suja que cocô de dinosauro. E eles foram extintos. Ainda bem. Eu não suportaria ver ambientalista protegendo esses animais da extinção.

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Sergio Ulhoa Dani
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sábado, 25 de abril de 2009

ALERTA: NÃO SE DEIXE ENGANAR



ALERTA: NÃO SE DEIXE ENGANAR

Existem pessoas que frequentam faculdades e aprendem pelo contato constante entre seus traseiros e os bancos onde sentam.

Outros frequentam aulas e bibliotecas, ouvindo atentamente e estudando.

A diferença entre os dois está em saber o que se está falando.

Um dos males dos que aprendem com o traseiro e achar que os outros são seus iguais.

Com certeza é privativo da União legislar sobre água (art. 22, IV, da Constituição) mas alguns políticos de fora (e outros igualmente em jejum) deveriam ler a Constituição:

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;

VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;

XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios;

Os que aprendem pelo traseiro costumam não entender o que leêm, se é que leram.

O artigo 23 mostra claramente quem sabe o que está falando e o que está fazendo.

Quem sabe o que está falando e fazendo é a CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU.

A Lei das Águas de Paracatu manifesta a defesa do interesse público local e está de acordo com a Constituição.

A Lei não tromba com a legislação federal, ao contrário, traz para dentro dela essa legislação como suporte para declaração de que o SISTEMA SERRA DA ANTA é de interesse público.

Claro que sempre foi de interesse público, mas estão querendo impedir que os legítimos representantes do povo digam isso como manifestação da vontade municipal.

O que querem os políticos e outros que tentam amordaçar os Vereadores?

Querem – estou dizendo e assinando embaixo – impedir que o povo tenha vontade própria manifestada pelos representantes nos quais votaram, pois isto mantém suas “carreiras” de dominação: a União manda no Estado e o Estado manda no município, e sobraria para os vereadores aprovar lei orçamentária e trocar nome de ruas e de escolas.

Incomoda sim, e incomoda muito, que uma CÂMARA MUNICIPAL tenha vontade própria de defender os interesses do povo.

O território do município é onde as coisas acontecem, é onde as águas são maltratadas e a poeira branca da rocha que contém arsênio é respirada; é onde as explosões das bombas sacodem a cidade e racham as moradias pobres.

O que está acontecendo aqui em Paracatu não pode ser resolvido por quem vive em Belo Horizonte ou Brasília, em gabinetes com ar refrigerado filtrado e à prova de explosões.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO EM PARACATU É SOFRIDO NA PELE (inclusive doenças causadas pelo arsênio), e ninguém tem o direito de dizer que os paracatuenses devem se arriscar a perder suas águas e a adoecer e morrer em favor de encher de dinheiro o cofre de alguns poucos e as cangalhas de ouro que os transnacionais – lamentavelmente ajudados por brasileiros – levam para o Canadá.

Tudo que fazem aqui É PROIBIDO no país de origem deles.

O povo de Paracatu é livre para decidir, assim como seus Vereadores também são livres.

Nossa primeira e última vontade é que fique escrito na história de Paracatu o que for decidido, e os paracatuenses de agora e do futuro saibam, com clareza, se foram postos no caminho da vida ou no caminho da morte.

QUEM É QUEM,? saberemos em breve, e poderemos escolher a roupa: gala ou luto.

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Serrano Neves (pmsneves@gmail.com, 62 96255275)


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*Perguntas aos Deputados Antônio Andrade e Almir Paraca*

*Paracatu, 25 de abril de 2009*

*Perguntas aos Deputados Antônio Andrade e Almir Paraca*

O Jornal "O Lábaro" de hoje (ano III, edição 19) deu grande destaque para a campanha "Santas Águas de Paracatu: Eu Protejo", e o projeto de Lei das Águas de Paracatu, que institui o Sistema Serra da Anta de interesse para o abastecimento público de Paracatu. Foram três páginas, inclusive a capa.

O jornal também traz uma entrevista com o Deputado Federal Antônio Andrade (PMDB) e um artigo do Deputado Estadual Almir Paraca (PT). Nas matérias, o Deputado Antônio Andrade, que tem participação na Parex, empresa prestadora de serviços da mineradora RPM/Kinross em Paracatu, relata sua atuação na Câmara dos Deputados, mas não toca no assunto da mineração em Paracatu, apesar de ter sido questionado sobre esse assunto pelo jornal.

Já o Deputado Almir Paraca adotou parte das recomendações do Relatório que a Fundação Acangaú publicou no "Lábaro" e encaminhou ao Ministério Público e aos órgãos ambientais do Estado, em 2007, sobre os impactos do projeto de expansão III da mineradora transnacional canadense. Mas, preferiu defender as medidas compensatórias, esquecendo-se das medidas reparatórias e de prevenção dos danos sócio-ambientais, que são obrigação primária da mineradora e dos órgãos de governo, e não vêm sendo cumpridas.


O Alerta Paracatu gostaria de aproveitar a ocasião e fazer as seguintes perguntas aos nossos nobres deputados:

. O que V.Excias. julgam mais importante: geração de empregos e renda transitórias, ou a garantia do suprimento permanente de água potável para uma cidade ou uma região?

. V.Excias. apóiam a constituição do Sistema Serra da Anta de abastecimento público de Paracatu, projeto que está tramitando na Câmara Municipal? . O município tem o direito de legislar sobre suas águas?

. O que V.Excias. pensam sobre as campanhas "Salve o Santa Rita" e "Santas Águas de Paracatu: eu Protejo"? Apóiam ou não, e por que?

As respostas podem ser dadas pela internet, por ofício, pela TV, rádio, ou por qualquer outro meio de comunicação.


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Jornal "O Lábaro" e EMATER apóiam a Lei das Águas



Paracatu, 24 de abril de 2009

Jornal "O Lábaro" e EMATER apóiam a Lei das Águas

Uldicéia Rigetti, editora e proprietária do Jornal "O Lábaro", e os representantes da EMATER-MG em Paracatu, Mauro Ianhez e Isabela Vargas Romagna assinaram hoje o "Pacto pelas Águas de Paracatu", documento de apoio à Lei das Águas de Paracatu.

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Secretária da educação adere ao pacto das águas

Paracatu, 24 de abril de 2009

Secretária da educação adere ao pacto das águas

Maria José Gonçalves Santos, secretária municipal da educação de Paracatu, aderiu hoje ao Pacto pelas Águas, documento de apoio à Lei das Águas de Paracatu. Maria José, de família tradicional de Paracatu, é proprietária de uma área na bacia hidrográfica abrangida pelo projeto de Lei das Águas de Paracatu, a Fazenda Pereirinha.

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Mineradora estrangeira nega que pratica terrorismo em Paracatu



Paracatu, 24 de abril de 2009

Mineradora estrangeira nega que pratica terrorismo em Paracatu

A mineradora transnacional canadense RPM/Kinross pode negar que pratique terrorismo na compra de terras, mas os pequenos agricultores dos vales do Machadinho e Bandeirinha discordam. Com cronograma de obras atrasado e duas ações dos Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) a impedirem a construção de sua nova barragem de rejeitos no município de Paracatu-MG, a RPM/Kinross acelerou a campanha de aquisição de terras. A desculpa da empresa é atender às "adequações" solicitadas no bojo das ações do MPE e do MPF.

Segundo os dicionários da língua portuguesa, terrorismo é "governar sem observar os direitos e as regalias do povo". Os compradores de terra da mineradora assustam os pequenos produtores rurais com previsões sinistras e ameaças. A mais frequente delas é que quem não vender as terras ficará ilhado. A mineradora fixa preços e condições, e muitos agricultores não suportam a pressão e acabam vendendo as propriedades onde vivem há várias gerações. Depois, mudam-se para a cidade. A desagregação das comunidades rurais é usada como justificativa pela administração municipal para interromper a manutenção das estradas e a prestação de outros serviços públicos, como manutenção de escolas, eletrificação rural e transporte público. O ciclo vicioso agrava o processo de expulsão dos agricultores.

Ranulfo Neiva é um dos produtores rurais da região do Bandeirinha. Indignado com a declaração do gerente-geral da RPM/Kinross, que teria dito em uma entrevista veiculada num programa de rádio local que "os benefícios que a RPM/Kinross faz a Paracatu são maiores que os malefícios", Ranulfo retrucou: "A mim não interessa a opinião da RPM-Kinross. O que importa é o que o nosso povo paracatuense pensa em relação à empresa. O povo é que tem que tirar as conclusões."

"Vende as terras quem quer, a mineradora não obriga ninguém a vender terras", afirmou um dos responsáveis pela aquisição das terras, que pediu para não ser identificado. Mas o poder econômico da mineradora não deixa alternativas para os agricultores pobres e abandonados pelas autoridades públicas. Eduardo Nascimento, consultor da FETAEMG, em recente visita a Paracatu protestou: "Lugar de agricultor é na roça".

Entretanto, muitas das aquisições de terras feitas pela RPM/Kinross podem ter sido em vão. O INCRA concluiu em março o processo de demarcação de terras quilombolas no Vale do Machadinho, muitas delas já adquiridas pela mineradora transnacional para garantir a propriedade sobre a área que pretende inundar com a lama dos rejeitos da mineração. Pela Constituição Federal, essas terras são patrimônio coletivo, intransferível e impenhorável, objeto de direito difuso estabelecido e imprescritível. Trocando em miúdos, a mineradora terá que devolver essas terras para as famílias tradicionais expulsas dali.

Para reforçar a defesa do meio-ambiente, tramita na Câmara Municipal de Paracatu o projeto de Lei das Águas de Paracatu, que impedirá a construção de barragens de rejeitos de mineração nos Vale do Machadinho, considerado área de importância estratégica para o abastecimento público da cidade de Paracatu.

Polêmicas à parte, Paracatu está provando que o estado democrático de direito é o melhor remédio contra o terrorismo.

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quinta-feira, 23 de abril de 2009



Paracatu, 23 de abril de 2009

Governo reconhece que barragem de rejeitos em Paracatu poderá causar fatalidades e danos extremos

A SUPRAMNOR, órgão do governo do Estado de Minas Gerais responsável pelo licenciamento ambiental, reconhece que o rompimento da nova barragem de rejeitos projetada pela mineradora transnacional canadense, RPM/Kinross, no Vale do Machadinho, no município de Paracatu, poderia causar grande número de fatalidades e danos extremos.

A afirmação consta do parecer do processo de licenciamento ambiental da nova barragem da RPM/Kinross, datado de 9 de dezembro de 2008. A classificação do risco da barragem projetada segue os critérios da Associação Canadense de Barragens (CDA). Segundo o parecer do governo estadual, as barragens da Bacia do Córrego do Eustáquio, no Vale do Machadinho, devem ser classificadas como tendo consequência de ruptura de "alta" (algumas fatalidades, grandes danos) a "muito alta" (grande número de fatalidades, danos extremos.

A barragem atual da RPM/Kinross já causa grande apreensão da população de Paracatu. São mais de 300 milhões de toneladas de rejeitos armazenados. As novas barragens projetadas armazenariam mais de um bilhão de toneladas de rejeitos da mineração de ouro em uma bacia hidrográfica considerada estratégica para o abastecimento público de Paracatu, cidade com cerca de 90 mil habitantes.

A justiça estadual e federal paralisaram o processo de licenciamento da nova barragem, alegando risco de dano à propriedade, irregularidades administrativas e descumprimento da lei ambiental pela mineradora e pelo Estado de Minas Gerais. A população de Paracatu está mobilizada para aprovar uma lei municipal, a "Lei das Águas de Paracatu" que impedirá a construção da nova barragem de rejeitos da mineração de ouro no Vale do Machadinho.

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ESTADOS UNIDOS PRIORIZAM ÁGUA COMO ELEMENTO ESSENCIAL PARA A VIDA!

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ESTADOS UNIDOS PRIORIZAM ÁGUA COMO ELEMENTO ESSENCIAL PARA A VIDA!

Paracatu entra no caminho certo aprovando a LEI DAS ÁGUAS.

Centenas de projetos de mineração foram suspensos nos Estados Unidos

Washington, EUA - 26/03/2009. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, sua sigla em inglês) suspendeu centenas de projetos de mineração em terras montanhosas com o fim de realizar um novo estudo sobre seu impacto sobre o meio ambiente. A extração em terras altas de montanha tem sido amplamente criticada por colocar em risco as correntes de água no Vale dos Apalaches.

Durante a Administração de George W. Bush a Agência de Proteção Ambiental, especialmente os cientistas da agência, se negava a dar permissões para a exploração mineral em terras altas de montanha, argumentando que estas zonas são as nascentes de rios e existiam suficientes antecedentes que sustentam que a extração mineral em aquíferos montanhosos colocaram em perigo correntes de água na Virgínia do Oeste e Kentucky ao produzir milhares de toneladas de resíduos da mineração. Isto obrigou a Administração a que a EPA deixasse de supervisionar e aprovar as operações de extração em áreas de aquíferos montanhosos e se designou como encarregado o Corpo de Engenheiros do Exército americano.

Com a chegada da nova administração, o Presidente Obama colocou à frente da EPA Lisa Jackson, que pôs à disposição da Justiça diversos estudos sobre esta atividade. Os estudos invalidam de fato a decisão do tribunal federal de apelações do mês passado, que respaldava a autoridade do Corpo de Engenheiros do Exército para supervisionar as operações de extração mineral em terras altas montanhosas.

Os ambientalistas haviam obtido anteriormente decisões judiciais que afirmavam que o Corpo de Engenheiros do Exército violava a Lei de Água Pura. Em uma ação vinculada com a anterior, a EPA anunciou que também bloquearia todos projetos que haviam obtido a aprovação do mencionado Corpo. Isto poderia elevar a milhares as explorações minerais que terão que ser suspensas nesse país.

COMENTÁRIO DE Inti-Chuteh: Os EUA encontram-se submersos na pior crise econômica de sua história, apesar disso para eles não é desculpa a perda de emprego que representa o fechamento de todos os projetos de mineração; em vez disso, priorizam a água como elemento essencial para a vida.

Fontes:
AGENCIA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DOS EUA (E.P.A) http://www.epa.gov
Cadeia de rádio e televisão Democracy Now

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Gabinete do Vereador Romualdo Ulhoa



Câmara Municipal de Paracatu – Minas Gerais

Gabinete do Vereador Romualdo Ulhoa


Ilmo. Sr.

Dílson Roquete Franco

DD Diretor-Presidente da TV Paracatu

Nesta

Paracatu, 16 de abril de 2009

Prezado Senhor Diretor-Presidente,


A par de cumprimentá-lo pela nobre iniciativa desta emissora de exibir o
filme-documentário “Ouro de Sangue”, de autoria do cinegrafista Alessandro
Silveira Carvalho e do cineasta Sandro Neiva, vimos manifestar nossa
preocupação pela interrupção da exibição do documentário na noite de ontem,
após apenas 27 minutos de exibição.

A TVP até agora não ofereceu uma explicação sobre a causa da interrupção,
gerando mal-estar na população de Paracatu.

Visto que os assuntos abordados no documentário “Ouro de Sangue” são de
grande interesse público, gostaríamos V.Sa. nos esclarecesse a respeito dos
fatos, e sugerimos que fosse reprisado o filme.

Certo de contar com vossa compreensão e colaboração neste assunto tão
relevante e de interesse público,

Atenciosamente,

Romualdo Ulhôa
Vereador Secretário


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Irrigantes apóiam a Lei das Águas de Paracatu






Paracatu, 22 de abril de 2009

Irrigantes apóiam a Lei das Águas de Paracatu

Os presidentes das associações dos irrigantes do Ribeirão da Aldeia e do
Ribeirão São Pedro assinaram hoje o Pacto pelas Águas de Paracatu, documento
de apoio à Lei das Águas de Paracatu, que tramita na Câmara Municipal. Os
ribeirões da Aldeia e São Pedro fazem parte da bacia hidrográfica atingida
pela mineração de ouro da RPM/Kinross, que inclui também o Ribeirão Entre
Ribeiros, constituindo o principal perímetro de agricultura irrigada de
Paracatu.

A mineradora transnacional canadense já é a maior consumidora de água na
bacia. Ela já consome mais água que toda a cidade de Paracatu, e deverá
aumentar ainda mais o consumo, com o projeto de expansão. Há dois anos, o
Ribeirão Entre Ribeiros secou, forçando os agricultores a paralisar a
irrigação das suas culturas.

A mina de ouro e a atual barragem de rejeitos da RPM/Kinross estão nas
terras altas da bacia hidrográfica atingida e o projeto de expansão III da
mineradora RPM/Kinross acirra a disputa pela água em Paracatu. Já existem
provas de contaminação das águas com arsênio liberado pela mineração de ouro
a céu aberto, o que preocupa os agricultores. Apesar das pequenas
quantidades de arsênio, ele pode se concentrar na cadeia alimentar, trazendo
sérias consequências para a agricultura em Paracatu.

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