sábado, 20 de setembro de 2014

Incêndio criminoso na Reserva do Acangau

Paracatu, 19 de setembro de 2014 - Um incêndio de origem criminosa irrompeu às duas horas da tarde em parte da Reserva do Acangau, no município de Paracatu-MG. O incêndio foi provocado a partir de vários focos, em partes da reserva em torno da área administrativa da Fundação Acnagau onde nunca houve incêndios, desde que a área foi protegida por aceiros.

O incêndio foi intenso e pôde ser apenas parcialmente controlado pelos aceiros e pelos colaboradores da Fundação Acangau. Por sua localização em torno da área administrativa da Fundação Acangau, este incêndio representou um grave risco às instalações e ao pessoal.

Fontes locais suspeitam que o incêndio tenha sido provocado por invasores da Fazenda Paiol, uma área vizinha da Reserva do Acangau. O incêndio teria sido uma represália criminosa ao posicionamento do presidente da Fundação Acangau, o médico e cientista Dr. Sergio Ulhoa Dani, em dois artigos publicados em um blog da internet e dois jornais locais.

Nos artigos, o médico e cientista denuncia os invasores da Fazenda Paiol e informa a população sobre o processo judicial de desocupação da área. 

Em 25 de julho de 2014, o Juiz de Direito da Vara Agrária de Minas Gerais, Dr. Octávio de Almeida Neves determinou a desocupação da Fazenda Paiol, qualificando os invasores como criminosos.

Entre os criminosos, citam-se alguns indivíduos pertencentes ao MTTL e aos partidos políticos PSOL e PMDB. Estes estariam recebendo dinheiro de ocupantes da Fazenda Paiol e outras pessoas e cúmplices da cidade de Paracatu interessadas em um pedaço da fazenda.

Consta que, após a publicação dos artigos do Dr. Sergio U. Dani nos jornais locais e na internet, e dias antes do incêndio, alguns dos criminosos teriam feito ameaças veladas aos amigos e colaboradores da Fundação Acangau .

A Polícia Militar e os órgãos ambientais foram informados do incêndio criminoso na Reserva do Acangau. A Fundação Acangau está investigando a origem do fogo, suas causas e consequencias.

SAIBA MAIS:

Sobre a RPPN do Acangau:
A RPPN-Reserva Particular de Patrimônio Natural do Acangau foi criada em 1991 pelo IBAMA-Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. Cientistas e pesquisadores de várias Universidades e Institutos de Pesquisa conduzem estudos na Reserva do Acangau. O Painel de Experts em Conservação do Estado de Minas Gerais considera a Reserva do Acangau uma área de alta relevância para a conservação da biodiversidade dos cerrados. A Reserva encontra-se dentro da APE-Área de Proteção Especial de Paracatu, uma área que encerra mananciais de abastecimento público da cidade de Paracatu. A Reserva do Acangau é vizinha do Parque Estadual de Paracatu. Juntas, estas duas Unidades de Conservação constituem um dos mais importantes mosaicos de conservação ambiental dos remanescentes dos cerrados nativos do Estado de Minas Gerais.

Sobre os incêndios florestais:
Os incêndios florestais são considerados sinistros “quase-naturais”, significando que eles não tem características completamente naturais, como vulcões, terremotos e tempestades tropicais. Os incêndios florestais podem causar perdas e danos extensos às propriedades e à vida humana, mas eles também têm vários efeitos benéficos em áreas de vegetação nativa. Algumas espécies de plantas dependem dos efeitos do fogo para seu crescimento e reprodução. Especialmente a vegetação dos cerrados é considerada por alguns cientistas uma “vegetação clímax de fogo” significando que sem o fogo, não pode haver cerrado, ou ele é substituído por outro tipo de vegetação. Entretanto, incêndios florestais muito intensos, frequentes ou em grandes extensões também têm efeitos ecológicos negativos. As principais causas naturais dos incêndios florestais são os raios, erupções vulcânicas, faíscas emitidas por rochas, e a combustão espontânea. Entre as causas humanas citam-se as fogueiras, descarte de cigarros acesos, faíscas provocadas por escapamento de automóveis ou projéteis de armas de fogo, balões e, principalmente, a ação criminosa dolosa (isto é, quando existe a intenção de provocar o incêndio). A estiagem prolongada, os ventos fortes e o tempo seco contribuem para o aumento das queimadas. Esse mês de setembro, os satélites já registraram mais de 17 mil focos de incêndio em todo o país, segundo dados do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Diversas técnicas podem ser usadas para evitar, limitar ou combater os incêndios florestais, entre elas: a construção de aceiros, e a redução da massa de material inflamável, através do pastejo do gado, o manejo sustentado da vegetação, e o uso controlado do próprio fogo.

Leia também:
Invasão da Área de Proteção Especial de Paracatu põe em risco o frágil equilíbrio socioambiental, o abastecimento de água e a saúde coletiva  http://www.alertaparacatu.blogspot.de/2014/07/invasao-da-area-de-protecao-especial-de.html

Juiz determina desocupação da Fazenda Paiol