segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ARSÊNIO: um assassino à solta


Em notícia de 28 de julho de 2011 na Assembléia Legislativa de Minas Gerais O deputado Rogério Correia (PT) sugeriu a criação de CPI para apurar denúncias em relação ao caso do "goleiro Bruno", acusado o suposto homicídio de Eliza Samudio.
O pedido estaria fundamentado em algumas autoridades envolvidas no caso terem apresentado desvio de conduta.


Leia em: http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/casobruno/noticias/0,,OI5210267-EI16746,00-MG+deputados+pedem+CPI+e+afastamento+de+juiza+do+caso+Bruno.html

O cadáver de Eliza nunca foi encontrado mas o homicídio é "suposto".

O caso do goleiro ocupou grande espaço na mídia, repercutiu na opinião pública, e preocupou os parlamentares mineiros quanto à conduta das autoridades.

O site da ALMG diz o que uma CPI:

COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO (CPIS)

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são criadas para apuração de fato determinado, acontecimento relevante para a vida pública e para a ordem constitucional, legal, econômica e social do Estado.

Têm poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, por isso podem tomar depoimento de autoridade, ouvir indiciados, inquirir testemunhas e requisitar informações, documentos e serviços, entre outros.

http://www.almg.gov.br/atividade_parlamentar/comissoes/cpis/index.html

Acho interessante que o caso do goleiro Bruno (fato determinado) seja relevante para a vida pública e para a ordem constitucional, legal, econômica e social do Estado, e a situação do arsênio em Paracatu (fato determinado) não o seja.

O arsênio em Paracatu é um fato determinado, pois existe certeza absoluta, absolutíssima, de que:

1. a rocha escavada contém ouro e arsênio (mais arsênio do que ouro);
2. a escavação produz "poeira fugitiva da mina" e essa poeira contém arsênio;
3. a poeira contendo arsênio é difundida pelo meio ambiente e principalmente sobre a zona urbana;
4. as pessoas respiram ar contendo poeira e arsênio;
5. arsênio é veneno.

O deputado Almir Paraca disse, recentemente, quando de suas reivindicações à Kinross: "A principal delas diz respeito à suposta contaminação por arsênio que
preocupa a cidade, provocada pela poeira da mina.“

Não me cabe avaliar a opinião de deputados, mas como cidadão cabe perguntar porque o caso do goleiro Bruno é fato determinando relevante e o caso de Paracatu não é.

Ainda não é possível dizer de que Eliza morreu porque o cadáver não foi encontrado, mas estão dizendo que Bruno a matou.

Ainda não é possível dizer que "pessoas" morreram envenenados por arsênio porque seus cadáveres não foram encontrados, mas ninguém tem coragem para dizer que o  Arsênio as matou.

A conclusão é que o Arsênio tem mais prestígio do que Bruno, ou seja, não pode ser acusado sem mais nem menos, nem em caso suposto.

Arsênio é inocente até prova em contrário, e a prova em contrário que as autoridades não querem produzir talvez seja produzida no dia em que o genocídio estiver consumado, ocasião em que as autoridades dirão que o caso era apenas suposto.

O governo sabe que o morro pode desabar e deixa as pessoas construirem no morro, o morro desaba e as pessoas ficam desabrigadas ou morrem.

Desabrigadas ou mortas o governo anuncia que irá tomar as providências cabíveis para que os morros não desabem, e oferece o Minha Casa Minha Vida.

E o morro desaba de novo e o governo não cria o programa Meu Túmulo MInha Morte.

Todo cidadão é livre para morrer como quiser: em morro desabado ou por arsênio cheirado, o governo só espera que morra para depois agir.

Afinal, Bruno matou ou não matou Eliza?

Afinal, Arsênio está matando ou não?