quarta-feira, 10 de agosto de 2011

MORTE E VIDA MINERÁRIA


MORTE E VIDA MINERÁRIA

Serrano Neves

Morte e Vida Severina, texto de João Cabral de Melo Neto, foi composto em música por Chico Buarque.

Tomo dos autores, por ser pública a causa, a liberdade de interpretar do ponto de vista do envenenamento crônico por arsênio em Paracatu-MG

Esta cova em que estás, com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho, nem largo, nem fundo
É "o ouro" que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É "o ouro" que querias ver dividido
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo, te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas "ao ouro dado" nao se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É "o ouro" que te cabe deste "ourofúndio"
(É "o ouro" que querias ver dividido)
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas "ao ouro dado" nao se abre a boca