terça-feira, 12 de julho de 2011

COISAS QUE NÃO MUDARAM COM O TEMPO

COISAS QUE NÃO MUDARAM COM O TEMPO

O Brasil, em 1837, já tinha um lei de vacinação de crianças contra a varíola (uma doença infectocontagiosa que começa como se fosse uma gripe, evolui para dores no corpo, nauseas e manchas na pele, e termina por cobrir a pele com bolhas de pús).

A varíola atualmente é praticamente desconhecida pelas pessoas pois foi considerada erradicada em 1980.

A lei brasileira de 1837 foi uma das famosas leis que nunca "pegou", e as epidemias recorrentes levaram a que Oswaldo Cruz, em 1904, no Rio de Janeiro, propusesse uma lei de vacinação obrigatória.

Por 67 anos a varíola matou impunemente, mas o interessante é que a lei de 1904 causou revolta na população devido a ser muito rígida e severa, e foi criada uma associação (ONG) contra a vacina obrigatória e surgiu a "teoria conspiratória", que evidentemente não tinha o apoio da internet, mas levava as pessoas a acreditarem que a vacina seria aplicada nas partes íntimas e as pessoas tinham que ficar peladas para se vacinarem.

A população do Rio de Janeiro só se rendeu em 1906 por força de uma violenta epidemia, com milhares de mortes.


A oposição à vacina obrigatória contou com a contribuição de pessoas de "bem", como o notável Rui Barbosa.

Em resumo: o que quero destacar é que o perigo da varíola e as medidas para evitá-la só foram reconhecidas pela população quando as pessoas começaram a morrer aos montes.

A MORTE PODE SER O PREÇO QUE A IGNORÂNCIA PAGA PARA ACEITAR A CIÊNCIA.

Uma diferença sensível entre varíola e arsênio é que o vírus da varíola é rápido (14 dias de incubação) e o arsênio é lento, ou seja, se não for tomado para suicidar ou não for caso de homicídio o arsênio pode levar 14 anos ou mais para criar os sintomas, a doença e causar a morte.

Discute-se em Paracatu a antiga "maldição do Morro do Ouro" que matava por causas desconhecidas, mas era envenenamento crônico por arsênio.

A poeira do desmonte do Morro do Ouro se espalha sobre a cidade de Paracatu e os responsáveis pelo espalhamento dizem que tudo está de acordo com a lei e até as pessoas de "bem" acreditam na lei.

Acontece que a lei está parada no tempo e a ciência evoluiu desde que a lei foi criada, e os cientistas já estão inclinados a dizer que a lei está errada.

A lei não está errada para 14 dias de exposição à poeira venenosa mas pode estar para 14 anos respirando o pó da morte.

A lei maior - a Constituição da República - diz que a vida humana é "sagrada" mas a lei que autoriza espalhar o arsênio na atmosfera parece dizer que o ouro é que é "sagrado".

Mas as pessoas continuam a não acreditar na ciência.

O ouro é economicamente bom pois gera emprego, renda e impostos e, com certeza, quando para extrair o ouro é necessário espalhar arsênio sobre a cidade, os salários, rendas e impostos, servirão para tratar as doenças causadas e enterrar dignamente os mortos.

Pode ser preciso que as pessoas comecem a cair mortas no meio da rua para, então, acreditarem na ciência. Porém, as pessoas de "bem", instruídas e letradas, se haverão com suas consciências quando isto acontecer e o dinheiro do ouro maldito será combustível para o fogo do inferno que as queimará.