quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ação democrática em defesa do bairro Amoreiras atinge objetivo (*)

Paracatu, 25 de novembro de 2008

Ação democrática em defesa do bairro Amoreiras atinge objetivo (*)

Moradores do bairro Amoreiras, de Paracatu, liderados pelo microempresário Oswaldo Roque e pela professora Dirce Guimarães, e apoiados pelos vereadores eleitos, o médico Romualdo Ulhoa e Sílvio Magalhães, o ex-vereador Gaspar Chaveiro e o médico e cientista, Dr. Sergio Dani, presidente da Fundação Acangaú, participaram de uma manifestação pacífica contra o modo como a mineradora transnacional RPM-Kinross vem tratando a comunidade. 

A manifestação, que contou também com a participação de moradores do bairro Alto da Colina, consistiu na distribuição de tiras de pano amarelo manchado de vermelho, simbolizando o ouro manchado de sangue. Em ofício, os moradores solicitaram previamente o apoio da Polícia Militar, que compareceu ao local. 

Durante a manifestação, que coincidiu com a inauguração do projeto de expansão da RPM-Kinross, carros de som tocaram a moda de viola inédita, "Paracatu dos Sem Ouro", de autoria do Procurador de Justiça, Paulo Maurício Serrano Neves, e do joalheiro e violeiro, João do Ouro.

Os manifestantes abordaram os convidados da cerimônia de inauguração, distribuindo as tiras de pano na estrada de acesso à mineradora. O registro das imagens foi feito pelo cinegrafista Alessandro Silveira de Carvalho, um dos autores do filme "Ouro de Sangue", que documenta as várias faces do impacto sócio-ambiental da mineração de ouro a céu aberto em Paracatu. Os moradores exigiram respeito da mineradora, o desvio do trânsito industrial da empresa das ruas do bairro, a limpeza dos veículos antes de sair da mina, a eliminação da lama, da poeira e dos ruídos.

A manifestação foi encerrada na Câmara Municipal, onde as lideranças, representadas por Oswaldo Roque, Ranulfo Neiva, Duguai de Andrade e Sílvio Magalhães, juntamente com o Dr. Sergio Dani, reuniram-se com cinco representantes da mineradora RPM-Kinross. Na reunião, foram apresentadas 16 reinvidicações da comunidade, para implantação a curto prazo, visando corrigir parte dos impactos sócio-ambientais causados pela mineradora. 

Os representantes da RPM-Kinross comprometeram-se a analisar e implantar as medidas solicitadas. Na ocasião, foram nomeados os senhores Oswaldo Roque, Ranulfo Neiva e Duguai de Andrade, como os primeiros membros efetivos do Conselho Comunitário do Instituto Sócio-Ambiental Autônomo que será criado em Paracatu para gerir as ações de recuperação sócio-ambiental.

"Esperávamos contar com a presença do presidente mundial da Kinross, Sr. Tye Burt, a esta reunião. Infelizmente o Sr. Burt não compareceu, e enviou membros da diretoria e da assessoria de comunicação da empresa", informou o presidente da Fundação Acangaú. "Esperamos que a empresa honre a promessa de mudança de comportamento através da execução das medidas apresentadas e a adoção do novo modelo de gestão proposto", concluiu Dani.

Para Valéria Marcondes, chefe da comunicação da Kinross, a mineradora tem operado mudanças profundas no sentido de realinhar-se com a comunidade de Paracatu. "A colaboração com a Fundação Acangaú e o Instituto Serrano Neves deverá servir como um modelo inovador de gestão sócio-ambiental para o Brasil", conclui.
-------------------------------------------------------
(*) Da redação do Jornal Alerta Paracatu. 
Saiba mais em: 
www.alertaparacatu.blogspot.com e www.acangau.net