BANGLADESH Arsenic song mamtaj produced by Sayed Tipu Sultan
UNICEF: Myanmar water threatened by arsenic contamination
Arsenic Poisoning in Bangladesh
ARSENIC : The Largest Mass Poisoning in History
Stripping Arsenic Contaminated Soils with Dave and Joe H20
Routes of Arsenic Contamination
What is Arsenic (Urdu Audio)
Arsenic in Cambodian water
USACE CLEANING UP ARSENIC IN NEW JERSEY
1.3. Routes of Exposure to Arsenic Contamination
Arsenic and Black Foot Disease BFD (The Case of Taiwan)
Arsenic Poisoning in Bangladesh
Arsenic in Kasur (Patoki), Pakistan
Nitrates,Carcinogens, Arsenic & Pharmaceuticals! In Water?
Element Project: Arsenic Commercial
Arsenic Testing
Socioeconomic impact of arsenic
Arsenic Contamination in Bangladesh
ARSENIC in Pakistan
Introduction to Arsenic Mitigation
Arsenic Health Impact
Arsenic Test
Arsenic : Point of Use Devices
Arsenic Clean Up
Arsenic : Teeth Decay Among Children
Excavation of arsenic impacted soils; environmental drilling
Arsenic : Iron Removal Processes
Arsenic Impacts
Arsenic : Coagulatin/Filtration Processes
ARSENIC : The Largest Mass Poisoning in History
Bright Ideas - Dr. Ernest Ledger
Soils Remediation and Environmental Drilling
UNICEF - Lo spettro dell' arsenico sui pozzi del Bangladesh
DOCUMENTAL SOLAMENTE ARSENICO
Informe Telenueve: Arsenico en el agua de Tigre(Parte 1)
Informe Telenueve: Arsenico en el agua de Tigre (Parte 2)
Minas de Esquel - Argentina - Vergonzoso
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Rezem Por Mim
Rezem Por Mim. por Adriles Ulhoa Filho
Um passeio com Maiakovisky
Na primeira noite
eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem :
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
Como Maiakovisky
Primeiro, mataram índios indolentes - primitivos donos das terras - por recusarem colaborar.
Depois, levaram o ouro de aluvião que brilhava no leito do córrego.
Eu nada pude fazer, pois nem sonhava nascer.
Mais tarde, trouxeram escravos para escarafunchar o morro.
Nada fiz mais uma vez, esperava a hora de ser.
Por certo tempo – eu já aqui - não mexeram em quase nada.
Não por algum respeito! Talvez uma trégua; um rearranjo da ambição.
Mas a aldeia calma não podia continuar sendo um Shangri-lá.
Começaram a falar em progresso.
A primeira providência foi destruir o teatro.
Então eu fui embora. Fui aprender a entender.
E continuou o progresso destruindo: casas, sobrados e ruas.
Arrancando pedras e mutilando becos.
Pondo o moderno no lugar.
Eu inerte como um coió!
Certo dia, achei demais! Basta, basta! Bati de frente.
Falei, escrevi e gritei! Gritei para o Mundo escutar:
Será que até nosso morro vão agora nos levar?
Só restará um buraco pra nossa tristeza enterrar?
Para esconder nossa inércia e a vergonha do nosso silêncio?
Avante, paracatuenses! Avante, precisamos agir.
Antes que acabe o morro
e fique só o
Rezem Por Mim.
Adriles Ulhoa Filho
Um passeio com Maiakovisky
Na primeira noite
eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem :
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
Como Maiakovisky
Primeiro, mataram índios indolentes - primitivos donos das terras - por recusarem colaborar.
Depois, levaram o ouro de aluvião que brilhava no leito do córrego.
Eu nada pude fazer, pois nem sonhava nascer.
Mais tarde, trouxeram escravos para escarafunchar o morro.
Nada fiz mais uma vez, esperava a hora de ser.
Por certo tempo – eu já aqui - não mexeram em quase nada.
Não por algum respeito! Talvez uma trégua; um rearranjo da ambição.
Mas a aldeia calma não podia continuar sendo um Shangri-lá.
Começaram a falar em progresso.
A primeira providência foi destruir o teatro.
Então eu fui embora. Fui aprender a entender.
E continuou o progresso destruindo: casas, sobrados e ruas.
Arrancando pedras e mutilando becos.
Pondo o moderno no lugar.
Eu inerte como um coió!
Certo dia, achei demais! Basta, basta! Bati de frente.
Falei, escrevi e gritei! Gritei para o Mundo escutar:
Será que até nosso morro vão agora nos levar?
Só restará um buraco pra nossa tristeza enterrar?
Para esconder nossa inércia e a vergonha do nosso silêncio?
Avante, paracatuenses! Avante, precisamos agir.
Antes que acabe o morro
e fique só o
Rezem Por Mim.
Adriles Ulhoa Filho
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Depoimentos
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
A CORAGEM FEMININA NA DEFESA DA VIDA
A CORAGEM FEMININA NA DEFESA DA VIDA
Comenta Frei Gilvander Moreira (Santa a Aracruz? Malditas as Mulheres? 30/03/2006) o confronto do Movimento das Mulheres com a Aracruz Celulose, e cita:
"O que fere a consciência democrática de todos os brasileiros" é a redução violenta da biodiversidade, a exterminação da fauna e da flora brasileiras, a diminuição do volume de água nos locais do plantio, a contaminação do solo, da água dos rios e córregos pelo uso exagerado de herbicidas e outras substâncias tóxicas, provocando um grande desequilíbrio biológico com a infestação de pragas que atingem as residências e as produções agropecuárias da população vizinha ao eucaliptal."
Pesquisando no Google é vista a quantidade de notas sobre o conflito entre a Aracruz Celulose e os índios da região, notas que falam sobre a ocupação de terras indígenas para uso na exploração comercial da celulose e papel que é, na maior parte, exportada.
A agressão sócio-ambiental consistente na construção dos "desertos verdes" e diminuição da capacidade de sobrevivência e até mesmo expulsão de populações nativas de suas terras é defendida até pelos governos, em nome da economia do desenvolvimento.
A citação que faz Frei Gilvander é bastante para fazer entender o que acontece por lá e permitir a comparação com o que acontece em Paracatu, pois as diferenças não são significativas quando olhamos do ponto de vista das pessoas que sofrem os danos, principalmente quanto a " ... a diminuição do volume de água nos locais do plantio, a contaminação do solo, da água dos rios e córregos ..."
Lá os materiais tóxicos vem do plantio de eucalipto, aqui vem da mineração a céu aberto e movimentação do mineral.
Lá as mulheres, como que perdendo a paciência, tiveram que partir para a agressão ao patrimônio da Aracruz Celulose, destruindo mudas e laboratórios.
Podemos imaginar a quanto de pressão resistiram antes de tomarem a decisão, pressão que deve ter causado sofrimento tão grande que assumiram o risco.
É triste ver mulheres partindo para a violência porque as autoridades dos governos não souberam, não puderam, ou não quiseram estabelecer a paz sócio-ambiental através de medidas administrativas.
Proteger os pobres e os nativos parece não fazer parte do interesse dos governantes, mas o interesse eleitoral temos certeza de que faz parte.
Em Paracatu não chegamos ainda no estágio de perder a paciência apenas por falta de informação, vez que os danos sócio-ambientais decorrentes da mineração industrial não são visíveis para toda a população, embora estejam visíveis para o governo local.
As partes da cidade que estão sendo compradas pela mineradora RPM ou ameaçadas com servidão minerária, abrigaram e ainda abrigam mulheres humildes e pobres que nas suas humildes e pobres casas criaram seus filhos e netos, e estão sendo agredidas no seu direito natural de viver e morrer sobre a terra que adquiriram e edificaram com esforço.
Assim como o patrimônio é preservado no Centro Histórico de Paracatu, mantendo nos casarões a história da vida dos que neles moraram, devemos entender que por pouco que seja o tempo de existência da morada de uma família pobre uma história de vida está sendo formada.
O progresso, ou desenvolvimento, não pode acontecer com a destruição dos sentimentos humanos.
Por quase trezentos anos Paracatu viveu sem a RPM, e estes últimos vinte anos não mostram que as mudanças tenham sido boas a ponto de vender a cidade e a consciência do povo por algum dinheiro que deixará de entrar na economia daqui a trinta anos.
O ouro de Paracatu, mesmo levado pelos estrangeiros durante quase trezentos anos foi também garimpado pelos paracatuenses.
E Paracatu viveu três séculos construindo sua história, suas tradições, e produzindo inteligências notáveis para o Brasil.
Que história, tradição ou inteligência a RPM produziu nos últimos vinte anos?
Que história, tradição ou inteligência produzirá nos próximos trinta anos?
Que história, tradição ou inteligência será produzida pelo buracão que será deixado?
São perguntas que as mulheres de Paracatu precisam fazer a si mesmas e responder com a consciência de que seus filhos e os filhos de seus filhos têm direito a uma vida feliz nesta terra, sem a dependência de que uma mineradora estrangeira fique distribuindo benefícios, pois a mineradora, um dia, não mais existirá, e a "transformação social" e a "assistência social" que fazem acabará.
Sem mineradora e sem ouro a quem pediremos mais transformação e mais assistência?
Possível que alguma empresa de turismo se estabeleça, nos mesmos moldes de distribuir benefícios, para explorar a visitação no "deserto minerário".
Precisamos colocar as coisas no lugar, restabelecer o meio ambiente ecologicamente equilibrado, para evitar perder a paciência.
As mulheres de Paracatu podem ser exemplo para o Brasil e para o mundo de que a consciência feminina da geração e manutenção da vida pode ser um agente transformador da sociedade, garantindo a geração e manutenção das vidas no futuro.
Cylene Gama
Gestora Operacional do Instituto Serrano Neves
Mulheres na Defesa da Água e da Vida - MUDE A VIDA
www.serrano.neves.nom.br
Comenta Frei Gilvander Moreira (Santa a Aracruz? Malditas as Mulheres? 30/03/2006) o confronto do Movimento das Mulheres com a Aracruz Celulose, e cita:
"O que fere a consciência democrática de todos os brasileiros" é a redução violenta da biodiversidade, a exterminação da fauna e da flora brasileiras, a diminuição do volume de água nos locais do plantio, a contaminação do solo, da água dos rios e córregos pelo uso exagerado de herbicidas e outras substâncias tóxicas, provocando um grande desequilíbrio biológico com a infestação de pragas que atingem as residências e as produções agropecuárias da população vizinha ao eucaliptal."
Pesquisando no Google é vista a quantidade de notas sobre o conflito entre a Aracruz Celulose e os índios da região, notas que falam sobre a ocupação de terras indígenas para uso na exploração comercial da celulose e papel que é, na maior parte, exportada.
A agressão sócio-ambiental consistente na construção dos "desertos verdes" e diminuição da capacidade de sobrevivência e até mesmo expulsão de populações nativas de suas terras é defendida até pelos governos, em nome da economia do desenvolvimento.
A citação que faz Frei Gilvander é bastante para fazer entender o que acontece por lá e permitir a comparação com o que acontece em Paracatu, pois as diferenças não são significativas quando olhamos do ponto de vista das pessoas que sofrem os danos, principalmente quanto a " ... a diminuição do volume de água nos locais do plantio, a contaminação do solo, da água dos rios e córregos ..."
Lá os materiais tóxicos vem do plantio de eucalipto, aqui vem da mineração a céu aberto e movimentação do mineral.
Lá as mulheres, como que perdendo a paciência, tiveram que partir para a agressão ao patrimônio da Aracruz Celulose, destruindo mudas e laboratórios.
Podemos imaginar a quanto de pressão resistiram antes de tomarem a decisão, pressão que deve ter causado sofrimento tão grande que assumiram o risco.
É triste ver mulheres partindo para a violência porque as autoridades dos governos não souberam, não puderam, ou não quiseram estabelecer a paz sócio-ambiental através de medidas administrativas.
Proteger os pobres e os nativos parece não fazer parte do interesse dos governantes, mas o interesse eleitoral temos certeza de que faz parte.
Em Paracatu não chegamos ainda no estágio de perder a paciência apenas por falta de informação, vez que os danos sócio-ambientais decorrentes da mineração industrial não são visíveis para toda a população, embora estejam visíveis para o governo local.
As partes da cidade que estão sendo compradas pela mineradora RPM ou ameaçadas com servidão minerária, abrigaram e ainda abrigam mulheres humildes e pobres que nas suas humildes e pobres casas criaram seus filhos e netos, e estão sendo agredidas no seu direito natural de viver e morrer sobre a terra que adquiriram e edificaram com esforço.
Assim como o patrimônio é preservado no Centro Histórico de Paracatu, mantendo nos casarões a história da vida dos que neles moraram, devemos entender que por pouco que seja o tempo de existência da morada de uma família pobre uma história de vida está sendo formada.
O progresso, ou desenvolvimento, não pode acontecer com a destruição dos sentimentos humanos.
Por quase trezentos anos Paracatu viveu sem a RPM, e estes últimos vinte anos não mostram que as mudanças tenham sido boas a ponto de vender a cidade e a consciência do povo por algum dinheiro que deixará de entrar na economia daqui a trinta anos.
O ouro de Paracatu, mesmo levado pelos estrangeiros durante quase trezentos anos foi também garimpado pelos paracatuenses.
E Paracatu viveu três séculos construindo sua história, suas tradições, e produzindo inteligências notáveis para o Brasil.
Que história, tradição ou inteligência a RPM produziu nos últimos vinte anos?
Que história, tradição ou inteligência produzirá nos próximos trinta anos?
Que história, tradição ou inteligência será produzida pelo buracão que será deixado?
São perguntas que as mulheres de Paracatu precisam fazer a si mesmas e responder com a consciência de que seus filhos e os filhos de seus filhos têm direito a uma vida feliz nesta terra, sem a dependência de que uma mineradora estrangeira fique distribuindo benefícios, pois a mineradora, um dia, não mais existirá, e a "transformação social" e a "assistência social" que fazem acabará.
Sem mineradora e sem ouro a quem pediremos mais transformação e mais assistência?
Possível que alguma empresa de turismo se estabeleça, nos mesmos moldes de distribuir benefícios, para explorar a visitação no "deserto minerário".
Precisamos colocar as coisas no lugar, restabelecer o meio ambiente ecologicamente equilibrado, para evitar perder a paciência.
As mulheres de Paracatu podem ser exemplo para o Brasil e para o mundo de que a consciência feminina da geração e manutenção da vida pode ser um agente transformador da sociedade, garantindo a geração e manutenção das vidas no futuro.
Cylene Gama
Gestora Operacional do Instituto Serrano Neves
Mulheres na Defesa da Água e da Vida - MUDE A VIDA
www.serrano.neves.nom.br
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Cylene
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
ECONOMIA DE SUBSISTÊNCIA E GARIMPO ARTESANAL NÃO-FORMAL
ECONOMIA DE SUBSISTÊNCIA E GARIMPO ARTESANAL NÃO-FORMAL
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
...
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
A economia brasileira vai bem, mas a economia do povo não vai igual, como demonstram os programas governamentais de assistência às faixas de baixa renda.
O IBGE anota no grupo de renda até R$ 400,00 mensais (que inclui os sem renda) que 32,73% das famílias vivem de rendimento não monetário. (http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pof/2002/tab212.pdf)
Em nome da inclusão e da geração de renda a pobreza é aliada à remoção de resíduos prejudiciais ao meio-ambiente ou aproveitáveis pela economia formal que não os alcançaria com competitividade pois os custos formais de apropriação são bem mais elevados do que os da "pobreza coletora".
A essa "pobreza coletora" é vedado, e combatido pelos governos, o acesso não-formal a bens naturais minerais incluídos na produção formal.
A política de "fechar os olhos" ao acesso não-formal opera enquanto a atividade é de baixa densidade e dispersa, não havendo interesse em formalizar, ou no mínimo reconhecer e autorizar, pois a máquina administrativa não é competente para lidar com grandes grupos de pequenos, vez que é montada para lidar com pequenos grupos de grandes.
A máquina administrativa tem enorme dificuldade em gerir pessoas, como demonstram os serviços públicos de massa, seja por inabilidade, seja por carência de suporte financeiro, seja pela notável incapacidade de fiscalizar as atividades autorizadas.
Assim, é mais fácil para o governo ser intolerante com o não-formal e combatê-lo com seus regramentos e poder de polícia, quando não o faz com a própria "polícia", e transformar os fundamentos da República em uma espécie de "poder assistencialista" que acalma as carências, melhora as estatísticas e rende dividendos político-eleitorais.
Paracatu, em Minas Gerais, é uma cidade de bicentenária atividade extrativa de ouro.
Em Paracatu a atividade garimpeira artesanal acompanhou a história da cidade ao lado da exploração que transfere, até hoje, o ativo aurífero para o exterior.
A característica atual, marcante da história garimpeira de Paracatu, é o privilégio minerário para uma empresa (hoje a canadense Kinross) que se intitula Rio Paracatu Mineração, em detrimento de outras formas de garimpo menores.
O uso do mercúrio na apuração do ouro é nocivo e sua proibição é mais do que válida, mas o fato de o mercúrio ter sido utilizado e danado com o meio ambiente não é razão para que seja vedado, na sua modalidade menor de sobrevivência, o garimpo artesanal no horizonte raso do solo (horizonte da vida) com pequenas caixas de lavagem e bateia, sem uso de mercúrio e com suporte de qualificação para o manejo do ambiente de atuação.
A possibilidade de formalização do garimpo artesanal individual, na conformidade da legislação examinada, pela complexidade e custos de obtenção da concessão, deixa à margem o garimpo de subsistência.
O garimpo de subsistência não é, por sua natureza atividade regular nem operação econômica. Sua feição está mais para coleta e escambo do que para economia de mercado, vez que ocorre como geração de renda para provimento pessoal e familiar, sem geração de excessos formadores de ativos, figura bastante próxima da "economia de subsistência".
A forma artesanal de subsistência não confere ao seu praticante nenhum avanço para cima do patamar da pobreza, mantendo-o, mesmo dentro da formalidade, no entorno da linha de corte de R$ 400,00 (quatrocentos reais) mostrada pelo IBGE.
Garantir a subsistência dos incapazes para o trabalho é atribuição do governo, mas o provimento dos capazes para o trabalho pode ser obtido pelas próprias mãos e garantir isto também é atribuição do governo.
É necessário e urgente que o governo, por seus agentes - e pior, por particulares que se sentem protegidos - pare de constranger, ameaçar, prender e processar os que praticam o garimpo artesanal de sobrevivência.
Espera-se dos governos, num Estado Democrático de Direito, com ordem jurídica e regime democrático, que os princípios expressos na Constituição da República recebam interpretação que supere o ordenamento jurídico positivo que, na espécie mineração, protege mais os bens de uma mineradora do que os de um pequeno proprietário rural.
Espera-se dos brasileiros e brasileiras que prestam seu trabalho a essas mineradoras estrangeiras que levam 100 e deixam apenas 2, a compreensão de que a defesa de seus empregos não implica em venda das suas consciências nem a tolerância com práticas devastadoras do meio-ambiente e de indignificação de pessoas.
Bastaria um pouco mais de vontade política dos nossos governantes, um pouco mais de gestão social, e um pouco mais de trabalho para que o povo de Paracatu não precisasse se desdobrar em agradecimentos por "benefícios sociais" realizados com o dinheiro do próprio ouro extraem do nosso solo.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
...
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
A economia brasileira vai bem, mas a economia do povo não vai igual, como demonstram os programas governamentais de assistência às faixas de baixa renda.
O IBGE anota no grupo de renda até R$ 400,00 mensais (que inclui os sem renda) que 32,73% das famílias vivem de rendimento não monetário. (http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pof/2002/tab212.pdf)
- "Excluídos os programas de transferência de renda, de Benefício de Prestação Continuada (BPC), além das aposentadorias e pensões, o índice de de pobres na população brasileira passaria de 30,1% para 41,7%.
- A publicação aponta o BPC como uma das mais importantes inovações da política social entre 1995 e 2005, por atender “a um público até então excluído de qualquer mecanismo público de transferência de renda”." http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/04/12/materia.2007-04-12.0110170462/view acessado em 30.01.08 às 18:01
- "Observa-se que o setor de subsistência aqui considerado compreende o conjunto de atividades econômicas e relações de trabalho que propiciam meios de subsistência e/ou ocupação a uma parte expressiva da população, mas tais relações não são reguladas pelo contrato monetário de trabalho assalariado, nem visam primordialmente à produção de mercadorias ou de serviços mercantis com fins lucrativos."
- O SETOR DE SUBSISTÊNCIA NA ECONOMIA E NA SOCIEDADE BRASILEIRA: GÊNESE HISTÓRICA, REPRODUÇÃO E CONFIGURAÇÃO CONTEMPORÂNEA - Guilherme Costa Delgado - Brasília, junho de 2004
- http://www.ipea.gov.br/pub/td/2004/td_1025.pdf acessado em 30.01.08 as 17:30
Em nome da inclusão e da geração de renda a pobreza é aliada à remoção de resíduos prejudiciais ao meio-ambiente ou aproveitáveis pela economia formal que não os alcançaria com competitividade pois os custos formais de apropriação são bem mais elevados do que os da "pobreza coletora".
A essa "pobreza coletora" é vedado, e combatido pelos governos, o acesso não-formal a bens naturais minerais incluídos na produção formal.
A política de "fechar os olhos" ao acesso não-formal opera enquanto a atividade é de baixa densidade e dispersa, não havendo interesse em formalizar, ou no mínimo reconhecer e autorizar, pois a máquina administrativa não é competente para lidar com grandes grupos de pequenos, vez que é montada para lidar com pequenos grupos de grandes.
A máquina administrativa tem enorme dificuldade em gerir pessoas, como demonstram os serviços públicos de massa, seja por inabilidade, seja por carência de suporte financeiro, seja pela notável incapacidade de fiscalizar as atividades autorizadas.
Assim, é mais fácil para o governo ser intolerante com o não-formal e combatê-lo com seus regramentos e poder de polícia, quando não o faz com a própria "polícia", e transformar os fundamentos da República em uma espécie de "poder assistencialista" que acalma as carências, melhora as estatísticas e rende dividendos político-eleitorais.
Paracatu, em Minas Gerais, é uma cidade de bicentenária atividade extrativa de ouro.
Em Paracatu a atividade garimpeira artesanal acompanhou a história da cidade ao lado da exploração que transfere, até hoje, o ativo aurífero para o exterior.
A característica atual, marcante da história garimpeira de Paracatu, é o privilégio minerário para uma empresa (hoje a canadense Kinross) que se intitula Rio Paracatu Mineração, em detrimento de outras formas de garimpo menores.
O uso do mercúrio na apuração do ouro é nocivo e sua proibição é mais do que válida, mas o fato de o mercúrio ter sido utilizado e danado com o meio ambiente não é razão para que seja vedado, na sua modalidade menor de sobrevivência, o garimpo artesanal no horizonte raso do solo (horizonte da vida) com pequenas caixas de lavagem e bateia, sem uso de mercúrio e com suporte de qualificação para o manejo do ambiente de atuação.
A possibilidade de formalização do garimpo artesanal individual, na conformidade da legislação examinada, pela complexidade e custos de obtenção da concessão, deixa à margem o garimpo de subsistência.
O garimpo de subsistência não é, por sua natureza atividade regular nem operação econômica. Sua feição está mais para coleta e escambo do que para economia de mercado, vez que ocorre como geração de renda para provimento pessoal e familiar, sem geração de excessos formadores de ativos, figura bastante próxima da "economia de subsistência".
A forma artesanal de subsistência não confere ao seu praticante nenhum avanço para cima do patamar da pobreza, mantendo-o, mesmo dentro da formalidade, no entorno da linha de corte de R$ 400,00 (quatrocentos reais) mostrada pelo IBGE.
- "A presidência da Associação dos Garimpeiros de Pedra Lavrada - Asgapala - tem registro de mais de 800 garimpeiros atuando no setor, com retirada mensal de R$ 320 a R$ 500, um salário que pode ser complementado com a produção do artesanato mineral."
- Artesãos ganham equipamentos de lapidação e expandem negócios - 31-Jul-2007
- http://www.paraiba.pb.gov.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=24181 acessado em 30.01.08 as 17:30
- A dignidade da pessoa humana consistente e ganhar o sustento com as próprias mãos pode ser assegurada mesmo quando o trabalho é realizado de maneira informal.
Garantir a subsistência dos incapazes para o trabalho é atribuição do governo, mas o provimento dos capazes para o trabalho pode ser obtido pelas próprias mãos e garantir isto também é atribuição do governo.
É necessário e urgente que o governo, por seus agentes - e pior, por particulares que se sentem protegidos - pare de constranger, ameaçar, prender e processar os que praticam o garimpo artesanal de sobrevivência.
Espera-se dos governos, num Estado Democrático de Direito, com ordem jurídica e regime democrático, que os princípios expressos na Constituição da República recebam interpretação que supere o ordenamento jurídico positivo que, na espécie mineração, protege mais os bens de uma mineradora do que os de um pequeno proprietário rural.
Espera-se dos brasileiros e brasileiras que prestam seu trabalho a essas mineradoras estrangeiras que levam 100 e deixam apenas 2, a compreensão de que a defesa de seus empregos não implica em venda das suas consciências nem a tolerância com práticas devastadoras do meio-ambiente e de indignificação de pessoas.
Bastaria um pouco mais de vontade política dos nossos governantes, um pouco mais de gestão social, e um pouco mais de trabalho para que o povo de Paracatu não precisasse se desdobrar em agradecimentos por "benefícios sociais" realizados com o dinheiro do próprio ouro extraem do nosso solo.
Não temais ímpias falanges
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil;
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil;
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Hino da Independência do Brasil tem letra de Evaristo da Veiga e música de D. Pedro I.
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