domingo, 4 de setembro de 2016

Arsênio de Paracatu é problema local, municipal, estadual, federal e global

Um grupo de cientistas norte-americanos chegou à conclusão que a emissão de arsênio na América do Sul e seu transporte atmosférico transcontinental tornou-se um problema global [1].


Vídeo: https://youtu.be/x1SgmFa0r04

O vídeo acima mostra o resultado de um ano de observações da NASA sobre a dissipação de um poluente atmosférico, o CO2. O vídeo mostra claramente o transporte atmosfèrico deste poluente, a partir das fontes poluidoras. Fenômeno semelhante de transporte ocorre com qualquer poluente atmosfêrico, seja na forma de gás ou material particulado. 

No caso do arsênio, existem estudos que comprovam o transporte atmosférico por milhares de quilômetros e a deposição, por precipitação em regiões distantes da fonte poluidora.





Vídeo: https://youtu.be/qkY5oFQD2cc

Esse outro vídeo da NASA explica sobre o monitoramento da qualidade do ar.




Vídeo: https://youtu.be/ygulQJoIe2Y

Esse outro vídeo da NASA mostra o transporte de poeira do deserto do Sahara até a Amazônia.


Saiba mais:

O arsênio liberado pela mineração de ouro a céu aberto em Paracatu está se dissipando no ambiente, pela atmosfera, pelas águas superficiais e subterrãneas, e já contamina o compartimento humano, conforme provado em diversos levantamentos e fartamente documentado por relatórios e até duas teses defendidas na UFMG-Universidade Federal de Minas Gerais.

Diversas publicações científicas implicam a atmosfera como via de transporte do arsênio inorgânico por milhares de quilômetros de distância da fonte poluidora, para não falar de outras evidências que dispensam estudos ou levantamentos, exemplificadamente, o caso do desastre das barragens de mineração de Mariana, que resultou na dissipação de toneladas de rejeitos de minério tóxico por centenas de quilômietros ao longo do Rio Doce, até atingir o Oceano Atlântico. Apenas a possibilidade ou risco de rompimento das gigantescas barragens de rejeitos tóxicos da Kinross sobre os afluentes do Rio São Francisco em Paracatu já constitui grave perigo, tendo em vista a importância do Rio São Francisco, o "rio da integração nacional" para o transporte, a geração de energia, a desedentação humana e animal, a irrigação e a produção agrícola em diversos Estados e regiões do Brasil, inclusive voltada para exportação.

Levantamentos conduzidos pela própria mineradora Kinross de Paracatu ou seus contratados ou financiados, como CETEM, Faculdade de Lavras e "Instituto Nacional de Tecnologia em Recursos Minerais Água e Biodiversidade" (Virgínia Ciminelli) indicam que uma fração do arsênio inorgânico liberado pela mineração de ouro está bioacessível e já atinge o compartimento humano em Paracatu. Nenhum desses levantamentos teve como objetivo estudar os efeitos da intoxicação crônica na população, embora milhares de pessoas apresentem contaminação pelo arsênio, conforme dados preliminares de dosagem de arsênio urinário.

Levantamentos independentes da mineradora indicam contaminação grave e persistente do compartimento humano, com vários casos comprovados de intoxicação crônica pelo arsênio em Paracatu, inclusive um caso grave de intoxicação que cursou com sintomas de intoxicação sub-aguda, incluindo sintomas gastrointestinais, neuropatia e aborto.

A literatura mundial especializada sobre arsênio é rica de levantamentos e estudos sobre a intoxicação crônica pelo arsênio inorgânico, e não deixa dúvida que inexiste dose segura para uma substância cancerígena como o arsênio.

Referência:
[1] Wai KM, Wu S, Li X, Jaffe DA, Perry KD. Global Atmospheric Transport and Source-Receptor Relationships for Arsenic. Environ Sci Technol. 2016;50:3714-20. Arsenic and many of its compounds are toxic pollutants in the global environment. They can be transported long distances in the atmosphere before depositing to the surface, but the global source-receptor relationships between various regions have not yet been assessed. We develop the first global model for atmospheric arsenic to better understand and quantify its intercontinental transport. Our model reproduces the observed arsenic concentrations in surface air over various sites around the world. Arsenic emissions from Asia and South America are found to be the dominant sources for atmospheric arsenic in the Northern and Southern Hemispheres, respectively. Asian emissions are found to contribute 39% and 38% of the total arsenic deposition over the Arctic and Northern America, respectively. Another 14% of the arsenic deposition to the Arctic region is attributed to European emissions. Our results indicate that the reduction of anthropogenic arsenic emissions in Asia and South America can significantly reduce arsenic pollution not only locally but also globally.