quinta-feira, 16 de abril de 2009

ANATOMIA DA EXPLORAÇÃO

ANATOMIA DA EXPLORAÇÃO

A mais evidente característica do explorador é que ele se esforça ao máximo para parecer "bonzinho".

Bonzinho no sentido popular de "mamãe".

O explorador é aquele que tira o que você tem e diz que está fazendo um bem porque lhe dá alguma coisa em troca.

Um tipo de explorador muito comum é o patrão do trabalho escravo que está sempre dizendo que as condições não são boas, mas que você come às custas do que ele lhe paga e, sem ele, estaria passando fome.

Com o passar do tempo as pessoas começam a acreditar que sem serem exploradas não conseguirão viver.

E é disso que o explorador gosta !

Ele gosta de ser tratado como "mamãe".

No link <http://www.rioparacatumineracao.com.br/projeto_expansao.php?id_category=5> a RPM/Kinross anuncia sua contribuição para a economia de Paracatu, interpretando os dados de forma a dar a impressão de que sem ela a cidade morrerá de fome, dizendo, por exemplo, que o volume de empregos poderá chegar a 10.840 com a expansão.

O IBGE (dados oficiais em <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1> anota em Paracatu uma população de 79.739 habitantes com um PIB per capita de R$ 8.708,00 e um limite de pobreza estimado em 49,58%, isto pode representar que o PIB dos pobres é 15 vezes menor do que o PIB dos não-pobres.

A planilha consultada não apresenta o valor do IOF-OURO, mas os 5,6 milhões de reais anuais anunciados pela RPM/Kinross significam que em cada R$ 100,00 que a Prefeitura gasta efetivamente em obras e instalações, POR ANO, a RPM/Kinross contribui com R$ 0,63.

No tocante ao repasse do FPM a contribuição da RPM/Kinross é de R$ 3,00 em cada R$ 100,00 que o Município recebe, POR ANO.

E vem a arrogância exploratória dizer que Paracatu morrerá por falta de R$ 3,63 reais em cada R$ 100,00 arrecadados POR ANO.

Dados em <http://www.ecodebate.com.br/2007/12/18/por-que-continuarmos-pobres-e-dependentes-mais-de-duzentos-anos-depois-de-tiradentes-artigo-de-sergio-ulhoa-dani/>.

A arrogância exploratória está dizendo que o governo local é incompetente, tão incompetente que o Município irá quebrar e o povo irá passar fome por conta dos R$ 3,00 a menos.

Bem, a arrogância exploratória quer nos fazer engolir que serão gerados 10.840 empregos na metodologia do Banco Mundial, quando na verdade a expansão criará apenas 154 novos postos de trabalho.

O "efeito-renda" em tal metodologia significa, grosso modo, que o vaqueiro da fazenda que vende o boi, o magarefe do frigorífico que abate o boi, o açougueiro que vende a carne, e o pasteleiro que vende pastel de carne, mais o empregado do supermercado que vende a farinha e o óleo, mais o da distribuidora que vende o gás, num total de seis pessoas, constituem emprego-renda gerado pela mineradora, tudo isto porque alguns empregados dela comem pastel na esquina.

Mamãe ameaça tirar seus R$ 3,63 e acredita que isto colocará a opinião pública a seu favor, ou seja, a RPM/Kinross acredita que o governo local é incompetente e o povo é preguiçoso e burro.

METADE DA POPULAÇÃO É POBRE e não melhorou de vida por causa dos anos de mineração.

METADE DA POPULAÇÃO CONTINUARÁ POBRE depois de mais 30 anos de mneração.

Alguns ganharão dinheiro direta ou indiretamente, dinheiro suficiente para se mudarem de Paracatu quando o "bicho pegar".

A METADE POBRE DA POPULAÇÃO ficará em Paracatu, sem os R$ 3,63 POR ANO, padecendo de escassez de água e excesso de arsênio e outros metais pesados.

Creiam ! os exploradores estrangeiros que se instalaram em Paracatu no ano de 1.700 e estão aqui até hoje, não se importarão se a população inteira de Paracatu morrer e eles puderem extrair ouro debaixo dos alicerces da Igreja Matriz.

NÃO DEIXEM A ARROGÂNCIA EXPLORATÓRIA MATAR AS ÁGUAS DE PARACATU.

SALVEMOS AS ÁGUAS, SALVEMOS O POVO, SALVEMOS A NOSSA DIGINIDADE.

Conheça a LEI DAS ÁGUAS DE PARACATU-MG em:

http://alertaparacatu.blogspot.com/

http://acangau.net/blog2.php

Apóie a campanha pela aprovação da lei, assine o Pacto pelas Águas e divulgue.

Serrano Neves

Presidente do Conselho Curador da Fundação Acangaú

quarta-feira, 15 de abril de 2009

População e vereadores aderem ao Pacto pelas Águas de Paracatu


População e vereadores aderem ao Pacto pelas Águas de Paracatu

Centenas de pessoas e seis dos dez vereadores de Paracatu já deixaram sua assinatura de adesão ao Pacto pelas Águas de Paracatu. Os pactuantes declaram, como moradores da cidade de Paracatu, Minas Gerais, ter conhecimento da existência da mineração de ouro feita pela Rio Paracatu Mineração SA (RPM-Kinross) e se preocupar com os impactos ambientais e sociais já causados e que poderão ser causados pela III etapa de expansão, e pelo destino sócio-econômico e ambiental da cidade e seus arredores quando terminar a mineração. Apóiam a criação do SISTEMA SERRA DA ANTA como de interesse público primário para salvaguardar as águas de abastecimento da cidade e uso nas propriedades rurais. Apóiam os Vereadores e o Prefeito na iniciativa da LEI DAS ÁGUAS DE PARACATU que garantirá o abastecimento de água para o presente e para o futuro.
 
Vereadores que já assinaram o pacto (posição em 15 de abril de 2009):
 
Glewton de Sá Guimarães (Professor Glewton) - PMDB
Graça Jales - PSB
João Batista dos Santos (Joãozinho Contador) - PSDB
Romualdo Gonçalves Ulhoa (Dr. Romualdo) - PDT
Rosival Araújo (Rosival do Sindicato) - PT
Vânio Ferreira de Oliveira (Soldado Vânio) - PT
 
A voz do povo sobre o projeto de Lei das Águas de Paracatu:
 
"Projeto totalmente aprovado. Tem total fundamento." Gilson G. Aragão.
 
?Eu apóio essa campanha porque, se a gente não apoiar essa campanha e deixar construir essa barragem, vai atrapalhar a vida de outras pessoas.? Ariane Siqueira Nascimento, estudante.
"Tudo certo!" Tarcísio Gomes Gonçalves, publicitário.

?Eu apóio a campanha de coração mesmo. Temos que acordar agora, e cortar o mal pela raiz, para amanhã não chorar o leite derramado.?  Gaspar Gonçalves dos Santos, morador do bairro Paracatuzinho.

?É primordial proteger as águas para o futuro dos nossos filhos e netos.? Maria Tereza, professora.
?É lógico que eu apóio a campanha, na hora. E no que eu puder ajudar, eu ajudo. A RPM não pode construir aquela barragem da maneira que eles estão querendo construir. Tem que pensar no povo, não só em si mesmos. E tem mais, eles destroem tudo e não recuperam nada.? Moisés ?Lobo?, caminhoneiro.
?Apóio a campanha, porque estamos no caminho certo.? Manoel Martins Gonçalves, funcionário público.
 
?Apóio com certeza essa campanha, pois se é em função de uma riqueza para Paracatu, é bom prevenir agora. Se as águas secarem, como é que nos faremos? Nossos governantes têm que tomar a decisão certa, senão o nosso país vai por água abaixo.? Carmo Jesus, aposentado.
?Impediram a construção da barragem porque faz mal ao meio-ambiente. Qualquer coisa que desrespeita o meio-ambiente não pode. Mandaram um bilhetinho lá pra escola, para responder o que era o melhor e o pior para Paracatu. Eu disse que o pior para Paracatu é a RPM. A RPM é uma fábrica de doenças. Eu apóio a campanha, porque tem que proteger todas as águas, e tem que dar uma cobertura para o produtor rural.? Eduardo Monteiro dos Santos, agricultor.
?Achei a vitória do Varjão de Minas maravilhosa, uma grande vitória. Isso é a gente lutando pelo que é nosso. A gente tem mais é que ser a favor das águas, com certeza. Eu gosto de ir para a cachoeira, eu gosto de nadar, a gente tem é que preservar a natureza.? Irani Fonseca, vendedora.
"Em prol da melhoria da qualidade das águas, pois não aguento mais ficar pagando água mineral". Paulino José de Brito Júnior
 
?Estou feliz com a vitória desse grupo que conseguiu derrubar pelo menos uma parte dos sonhos que a RPM tem de nos destruir. A tecnologia deles pode até ser boa, mas nascente não tem reposição. Nascente é dom, é presente de Deus a cada espaço em que nós vivemos. São milhões de anos para construir uma nascente. Se eles destruírem, não nascerá outra.? Eni Sílvia, professora e educadora.
 
"No Canadá é proibido minerar a céu aberto nas cidades, por que aqui pode?" Álison Carlos Martins Felipe

?A sociedade tem que estar unida nesta luta em prol do bem geral em Paracatu. Lutar pelos nossos direitos é exercer a cidadania.? Joana Igídio, funcionária da Câmara Municipal de Paracatu.

?Eu sou a favor do meio ambiente. A água é o bem mais precioso que a gente tem, e no futuro será mais ainda. Eu acho que tivemos uma vitória. A comunidade de Paracatu é quem deve decidir sobre a nossa água. Isso é assunto de interesse nosso. O governo pode até acompanhar, mas a decisão é do povo de Paracatu, sem dúvida nenhuma.? Agostinho Ranieri Barbosa Jr., farmacêutico.
"Apóio plenamente esse projeto; devemos salvar nossa cidade, precisamos de água limpa". Luciana Monteiro dos Santos

?O assunto água é importantíssimo, porque sem água não há vida. Por isso, preservar as nascentes dos nossos rios é uma causa justa.? Coraci da Silva Neiva Batista, professora aposentada e presidente da Academia de Letras do Noroeste de Minas.

?A vitória do Varjão foi muito importante, porque nós precisamos de água. Com esse tempo, com essa seca, nós não podemos desfazer de mais três nascentes. Se não proteger, Paracatu vai acabar dentro da RPM, não é?? Maria José, comerciante.
 
?Eu acho um absurdo o que a RPM está fazendo aqui, cortando as nascentes. Isso não faz nenhum sentido. Não é só o ser humano que depende da água. Todo ser vivo depende da água, a substância mais pura da natureza. Depois nós é que teremos que pagar caro por essa água.? Fábio Guimarães, funcionário municipal.
 
"Fora RPM (colônia de exploração, basta!)". Nattasha Campos.
 
?Tomar decisões sobre a nossa água sem nos avisar é impossível, porque água é elemento vital para nós. Cabe primáriamente ao município decidir sobre esse assunto. Se dessa situação nós, o povo de Paracatu, não nos doermos, quem cuidará da nossa vida?? Lavoisier Albernaz, cineasta e professor.
 
"Devemos nos preocupar com o futuro da nossa Paracatu." Luiz Ubaldo Jesus da Silva.
 
?Não só eu como toda a população de Paracatu está vibrando com a vitória de Varjão de Minas. Precisávamos de alguém para colocar as coisas no lugar. Porque quem sofre é a população. A RPM está aí, mas vai embora, deixa a poluição e nós ficamos. Quem tem que decidir é a população, que é quem usa a água. O governo simplesmente tem que acatar o que a população decide. Sou totalmente a favor da campanha, porque se acabarem com o manancial próximo à cidade, nós vamos viver de que? De lama?? Nilton Neiva Batista, empresário.
"Importantíssimo." Glewton de Sá Guimarães, professor e vereador.
 
"E vivam as Santas Águas de Paracatu!" Sergio Ulhoa Dani, médico e cientista.
 
-- 
Sergio Ulhoa Dani
Reserva do Acangaú, zona rural
Caixa postal 123 
38.600-000  Paracatu MG
Brasil
srgdani@gmail.com
(+55 38) 9913-4457
(+55 38) 9966-7754

terça-feira, 14 de abril de 2009

Encontro discute criação de unidades de conservação em Paracatu

Paracatu, 13 de abril de 2009

Encontro discute criação de unidades de conservação em Paracatu

A FETAEMG promoveu um encontro na sede do Sindicato dos Produtores Rurais de
Paracatu, entre produtores rurais da Área de Proteção Especial (APE) da
bacia do Ribeirão Santa Isabel, representantes do IEF-Instituto Estadual de
Florestas, IGAM-Instituto de Gestão das Águas de Minas Gerais e Ministério
Público. Os vereadores Soldado Vânio e Rosival Araújo, que apóiam o projeto
da Lei das Águas de Paracatu (veja em www.acangau.net), também estavam
presentes.

O encontro foi marcado por discussões e cobranças. Os produtores rurais
discordaram da maneira como o processo de criação de unidades de conservação
estava sendo conduzido pelo IEF. O órgão trabalha com a hipótese de criação
de um parque estadual de 10 mil hectares na APE, e os produtores rurais
defendem a criação de um mosaico de unidades de conservação de preservação
permanente e uso sustentável, com a participação dos produtores locais e da
comunidade.

Eduardo Nascimento, assessor da FETAEMG, lembrou que o Estado de Minas
Gerais criou milhares de hectares de parques estaduais, mas não regularizou
nem 20% dessas áreas, criando sérios problemas sócio-ambientais. Denunciou o
engodo da utilização de recursos do FHIDRO para regularização fundiária.
"Esses recursos são primariamente destinados a projetos de conservação de
bacias hidrográficas, e somente podem ser usados para regularização
fundiária quando há sobras, e a tendência é de não haver sobras", explicou
Nascimento. Ele alertou para o risco de criação de unidades de conservação
por decreto estadual: "Enquanto os decretos para reforma agrária podem ser
contestados, os decretos para criação de unidades de conservação não podem
ser contestados. Então o processo não é democrático. Precisamos de soluções
mais civilizadas".

"Queremos honestidade, clareza e responsabilidade", alertou Sergio Ulhoa
Dani, presidente da Fundação Acangaú e membro da APACAN-Associação dos
Produtores de Água do Acangaú. "O Estado simplesmente não tem recursos para
comprar 10 mil hectares e indenizar e reassentar as famílias dos produtores
rurais desapropriados para a criação de um parque desse tamanho. O Estado
também não tem capital humano para cuidar de um patrimônio desses, próximo a
uma cidade de 90 mil habitantes. É muito mais fácil, econômico, eficaz e
sustentável trabalhar com os produtores rurais, sem retirá-los de suas
propriedades. A lei permite e estimula a criação de Reservas Particulares de
Patrimônio Natural, além de várias outras modalidades de unidades de
conservação de uso sustentável, como as Reservas Extrativistas, e modelos
produtivos, como o modelo dos produtores de água, que cumprem a função
social da propriedade".

Félix Melo, presidente da Associação de Produtores Rurais da Chapada, citou
o exemplo do Parque Municipal de Paracatu, de 200 hectares, que encontra-se
em situação de abandono, desde sua criação. "O que dizer de um parque
estadual de 10 mil hectares? Eu posso falar da incapacidade de gestão do
Estado, porque eu sou funcionário do Estado, e eu não confio na gestão
do Estado", concluiu.

O Sistema Serra da Anta é a área-alvo da criação de unidades de conservação
em Paracatu, por tratar-se de um aquífero montanhoso de importância vital
para o abastecimento de água da cidade de Paracatu. O modelo de produtores
de água foi implantado em parte desse território, pela iniciativa privada de
alguns proprietários rurais organizados numa associação de produtores de
água, a APACAN. Estima-se que as mais de 100 barraginhas ou bolsões de
captação de água, curvas-de-nível e estradas ecológicas construídas pelos
sócios da APACAN já produzem 40 milhões de metros cúbicos de água por ano.

A família de Isabel Neiva vive na Fazenda Biboca há mais de trezentos anos,
conservando com amor e dedicação importantes nascentes de água e matas
ciliares na face oeste da Serra da Anta. A família Ulhoa está ali há cinco
gerações e constituiu a RPPN do Acangaú, uma reserva de mais de 3 mil
hectares de cerrados e matas preservadas. No outro lado da serra, Ranulfo
Neiva fez brotar água da pedra com suas barraginhas. "Esses são valores
humanos que devem ser respeitados e reconhecidos como essenciais para a
sobrevivência, a sustentabilidade e a segurança hídrica de Paracatu",
indicou Eduardo Nascimento.

Decidiu-se pela criação de uma comissão ou grupo de trabalho, com a
participação dos produtores rurais e outros representantes da comunidade,
para assessorar e legitimar as decisões do IEF.

-- 
Sergio Ulhoa Dani
Reserva do Acangaú, zona rural
Caixa postal 123
38.600-000 Paracatu MG
Brasil
srgdani@gmail.com
(+55 38) 9913-4457
(+55 38) 9966-7754

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Save the Santa Rita river and save Paracatu

Save the Santa Rita river and save Paracatu

Sergio Ulhoa Dani statement at the Paracatu City Hall in March 16th, 2009 

Rivers are our brothers. Whatever happens to them shall happen to us because all things are connected like the blood that unites us all. The shining water that moves in the streams and rivers is not just water, but the blood of our ancestors (1). This is a profound truth; if life depended on water in the past, it is not less true today and it shall not be lesser in the future. Water is life. Water is the blood that flows through our veins. We are water!

But our existence in Paracatu is threatened. These modern murderers mean to, slowly, kill us by thirst. First, our brother, the Rico Creek, was depleted by them and became poor. Then they bled to death our brothers little Domingos and little Antony, the São Domingos and Santo Antônio creeks. Now they want to kill our sister little Rita, the Santa Rita river – greedier and greedier for gold. The question remains as to whether we will be able to quench our own thirst after our family has been annihilated to satiate this RPM-Kinross Canadian transnational mining company? 

In the past we used to drink water straight from the  Rico creek, from the São Domingos creek, from the Santo Antônio creek, from the Termas creek, from the Santa Rita river, or from the Mestre-de-Campo water thrench and from various wells that reached down to the underground water. The city grew and water had to be pumped up through artesian wells. Most of the wells have now dried up or been contaminated – they had to be labeled inactive. As from 1996 we have been pumping water from the Santa Isabel river – 20 km away, at a skyrocketing energy price.

A power blackout, however, can stop water servicing to the city, affecting household, industrial and hospital usage. It happened already in Paracatu, during Mayor Manoel Borges’ time. It happened elsewhere too, as in New York in the seventies, and it lasted 25 hours. So these are not hypothetical situations that I mention, which could be irresponsibly called terrorism of my own. This is a warning about a very serious problem. It has happened not only in Paracatu but elsewhere as well and it is likely to occur again, generating a catastrophe in Paracatu due to lack of water. 

Human beings can resist 40 days with no food, but without water only up to 3 days. Ladies and gentlemen, be aware! We are talking about water and food safety measures and about life support in Paracatu – already under serious threat. 

We are neglecting a precious resource, rich and sacred water springs close to the city. It is crystal like, transparent freshwater, pure and good quality water which has already quenched our thirst in Paracatu in the 18th century, and which must be saved to do the same in future. I am talking about our sacred water reservoir, the Santa Rita river basin, specially at the Machadinho Valley, where once the Mestre-de-Campo water trench used to flow trough natural fall, bringing good quality, inexpensive water down to the downtown area of Paracatu. 


But while populations multiply and heat and pollution increase, our sacred sources of water and life run the risk of disappearing under the slurry of a transnational company. I ask "Are we to allow this barbarian crime, this act of irresponsibility and nonsense?” 

RPM-Kinross strategy to keep the town under siege, forcing the population to flee, makes it easier to this mining company to have access to the underground richness. Isn’t that the same strategy adopted by Israel towards the Palestinians?

The notorious Brazilian lawyer and environmentalist Ana Echevenguá describes this war strategy quoting the Jerusalem Post newspaper in 1990:

“It is difficult to conceive any consistent political solution toward Israel survival which does not contemplate a complete and continuous control by Israel over water and sewage systems and associated infra-structure which includes distribution and road network that are essential for its operation, maintenance and access".  These were words from the then Israeli Minister of Agriculture about the need of Israel to control the Cisjordanian water resources, through occupation of that territory.

There is an identical situation here in Paracatu, where RPM-Kinross is acquiring land in the Machadinho Valley, dismantling a traditional community, in order to get control and access to the Valley and to its water.

The 1993 Oslo Peace Agreement determined that the Palestinians should have stronger control and more access to water in their region. However at that time Haim Gvirtzman, professor at the Hebrew University, declared that from the 600 million annual cubic meters of water retrieved from the Judea and Samaria water reservoirs, 500 million were meant to cope with 1/3 of Israeli needs. According to him that approach generated an acquired right to water. Questioned about Palestinian rights he added that Israel had to be concerned only with the minimal life standards for Palestinians – i.e. just to cover urban needs – from 50 to 100 million of annual cubic meters. Israel, he added, could cope with such a loss. However no agricultural activity should be allowed because that would imply greater loss for Israel. Certainly, he continued, we must not allow the Palestinians to supply the water needs for the Gaza strip from the mountain aquifers. If by purifying sea water becomes a realistic solution we shall then let they do it to supply for the need of the Gaza strip residents.

Again here we see such an incredible similarity. The Santa Rita river basin, due to its proximity to Paracatu town, and due to its availability of rich land and water resources, is the ideal place for food production and water supply to Paracatu. Along this basin, there are many farms that rely on irrigation to keep on producing food. In fact, the Santa Rita-São Pedro-Entre Ribeiros hydrographic basin is the most important site for irrigated agriculture in the Paracatu district. All this is being dismantled or threatened by water allowances given by the state government to the mining company. The government and RPM-Kinross claim that there are still technical solutions and water left to Paracatu, namely the pumping and cleaning of water from the Santa Isabel river. It is also expensive water, but this is a problem left to the Palestinians of Paracatu.

War for water allows for everything, as the Israelis bomb small and large size water containers. They also confiscate water pumps, they destroy water wells, they prohibit opening of new wells and new water springs. Israel irrigates 50% of its agricultural land, whereas agriculture in Palestinian sites demands previous authorization.

RPM-Kinross has got the largest water allowance in the Paracatu district. It is water enough to irrigate an area of over 100 thousand hectares, that is, an area three times as large as the area currently irrigated in Paracatu. For what?

Property over water sources is an old greedy approach. British and French alike had defined frontiers in the Middle East, specially in the Palestinian region, aiming for the Jordan River waters site.

As from 1948 Israel prioritizes projects, belligerent ones included, to grant their water control in the region. 

“Joint management”, “partnership”, “egalitarian water consumption”, “ecologic residual flow volumes”, ethics and water consensus – words that sound nice on paper, at negotiation tables, in the media... Utopia though, in real practice.

RPM-Kinross managers and mining representatives – let me remind you that you have already mutilated or buried down 3 vital streams in Paracatu and we now understand you are getting ready to bury down the Santa Rita river springs in order to make feasible a new tailings dam. 

This is a warning letter, be aware that the Santa Rita river is family to us. Do not touch it. Do not disturb our little sister Ritinha, as we put it.  This is family business, for the great family of Paracatu.

We shall not tolerate you to annihilate any of our brothers or sisters – sentencing us to die from thirst. Do not damp your trash into our sacred waters because by doing so you are causing more bloodshed.

Whatever happens to the Santa Rita river, shall happen to people because there is a connection among everything.