domingo, 8 de março de 2015

Custe o Que Custar em Paracatu


A temporada 2015 do programa CQC estréia segunda-feira, dia 09.03.2015 às 22:45 horas na BAND, uma das quatro maiores emissoras de TV do Brasil [1,2].

O quadro "Proteste Já" do CQC deve apresentar o caso da mineração de ouro a céu aberto em Paracatu. A mineração é conduzida pela transnacional canadense Kinross Gold Corporation, empresa autora da grave contaminação ambiental com arsênio, ácido sulfúrico, cianeto e outras substâncias. 

A Kinross também é acusada de uma série de violações dos direitos humanos, incluindo práticas corruptas como a realização de "pagamentos facilitadores" a autoridades de governo, homicídio e genocídio.

Para a reportagem em Paracatu, o CQC trouxe um balão que sobrevoou a área da mineradora, desde a comunidade Santa Rita, passando pela represa de rejeitos tóxicos, área industrial e área da cava da mina, pousando próximo à Rodoviária de Paracatu. O balão provocou as mais desencontradas conversas na cidade. 

Alertada pela presença dos reporteres em Paracatu, a gerência da mina teria entrado imediatamente em contato com Toronto. A Kinross e seus defensores políticos então começaram a fazer de tudo para impedir a exibição do programa. 

Na entrada da mina, os repórteres do CQC foram recepcionados pelos seguranças da Kinross. 

Rafaela Xavier, uma das defensoras da população afetada pela mineração sofreu um atentado com arma de fogo na semana em que o programa estava sendo gravado. Ela teve que sair de Paracatu, e está sob a proteção do serviço de proteção à testemunha.

A equipe do CQC foi recebida pelo Prefeito de Paracatu, que não imaginava qual seria o assunto tratado. Quando o entrevistador começou a questionar sobre a contaminação por arsênio, a assessora do Prefeito aprontou um reboliço, que foi filmado pela equipe, o que enriqueceu a matéria.

A Kinross estaria estudando a possibilidade de processar a BAND, caso a reportagem seja veiculada. Estariam apavorados com a atuação dos repórteres, que teriam classificado de "malucos".

Tudo indica que a Kinross está usando de diversos meios para impedir a exibição da matéria ou neutralizar seu efeito. Provavelmemente exibirão matéria paga em outras emissoras de TV e devem continuar sua tática conhecida de comprar e publicar matérias nos jornais locais, regionais, estaduais e nacionais, para encobrir a repercussão negativa que esperam da reportagem. 

Suspeita-se que a Kinross esteja fazendo pressões de todo o tipo contra a direção da BAND. Em um site da internet sobre a estréia da temporada de 2015 do CQC, o autor informa que "o alto comando da Bandeirantes, pelo sim pelo não, se mostra um tanto cauteloso. Prova disso é que o primeiro programa não será ao vivo, mas gravado horas antes, para possíveis correções de rumo."

Referências/links:

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Custe_o_Que_Custar

[2] http://www.band.uol.com.br/tv/noticias/100000738540/Gente-nova-na-bancada.html

[3] http://televisao.uol.com.br/colunas/flavio-ricco/2015/03/04/estreia-da-nova-temporada-do-cqc-sera-gravada.htm

quarta-feira, 4 de março de 2015

Something strange

Paracatu-MG, Brazil, March 3, 2015 – Something strange is happening in Paracatu, a 80000 inhabitant town in Brazil. The incidence of cancer has increased substantially since 1987, when Canadian Kinross Gold Corporation started Brazilian’s largest open cast gold mine in town. Scientists suspect that arsenic released from the hard rocks during the mining operations is a major cause of cancer in Paracatu, which Kinross denies. There is no oncology department in Paracatu, and the poor people cannot afford cancer treatment in private clinics in larger cities. Rafaela Xavier is a young attorney who serves as a bridge between these patients and a charity cancer hospital located in Barretos, some 500 km south from Paracatu. Since the beginning of her volunteer work some three years ago Rafaela has been increasingly black mailed, and her 5 year old daughter has been bullied. Recently, her just married husband was fired from his position at Kinross. Last week, somebody broke into Rafaela´s house and made a gun shooting as a ‘warning message’ against her participation in the segment "Proteste Já" (Protest Now) of the Brazilian CQC television programme aired by Band TV. Rafaela is under a state-run witness protection programme. She told about her lot in a recent interview recorded in an undisclosed place where she and her daughter moved to.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=NmlHutr25gM

Paracatu-MG, Brasil, 3 de março de 2015 – algo estranho está acontecendo em Paracatu, uma cidade de 80000 habitantes no Brasil. A incidência de câncer aumentou substancialmente na cidade desde 1987, quando a canadense Kinross Gold Corporation começou a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil. Os cientistas suspeitam que o arsênio liberado da rocha dura durante as operações de mineração é das principais causas de câncer em Paracatu, o que a Kinross nega. Não há nenhum departamento de oncologia em Paracatu, e o povo pobre não pode pagar tratamento de câncer em clínicas privadas nas grandes cidades. Rafaela Xavier é uma jovem advogada que serve como uma ponte entre estes pacientes e um hospital filantrópico de câncer localizado em Barretos, cerca de 500 km ao sul de Paracatu. Desde o início do seu trabalho voluntário há cerca de três anos, Rafaela tem recebido cada vez mais ameaças anônimas, e sua filha de 5 anos de idade também tem sido intimidada. Recentemente, o marido recém casado foi demitido de seu cargo na Kinross. Semana passada, alguém invadiu a casa da Rafaela e fez disparos com uma arma de fogo como uma 'mensagem de aviso' contra sua participação no segmento "Proteste Já" do programa CQC da televisão brasileira que vai ao ar pela TV Band. Rafaela está sob um programa estatal de proteção à testemunha. Ela contou sua história em uma recente entrevista gravada em um lugar secreto fora de Paracatu, para onde ela e sua filha mudaram.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Como a Kinross trata suas vítimas em Paracatu

Por Sergio U. Dani, de Berna, Suíça

A publicação do artigo ‘Mineração dos Ossos’ na revista Ciência Hoje [1] provocou a reação tradicional da Kinross Gold Corporation e certos ‘especialistas’ e jornalistas de plantão: negar, mentir e tentar confundir suas vítimas, como se todos fôssemos burros e idiotas.

Um representante da Kinross chegou ao absurdo de dizer que ‘não existe qualquer evidência na literatura técnica e científica mundial de que a mineração de rochas e minérios auríferos sejam causadores de contaminação por arsênio’. Tenha paciência! Centenas de estudos publicados em revistas científicas de circulação internacional provam exatamente que a mineração de ouro é a principal fonte de liberação de arsênio para o ambiente [2] e causadora de sérios danos à saúde humana, das plantas e dos animais [3].

O representante da Kinross omite até mesmo um relatório oficial do Estado de Minas Gerais, preparado por cientistas e técnicos brasileiros e alemães e publicado em 2008, mostrando o grave problema da contaminação ambiental e do compartimento humano pelo arsênio liberado pela mineração de ouro no Quadrilátero Ferrífero  [4].

Desde 2009, a Kinross e a Prefeitura Municipal de Paracatu figuram como rés em uma Ação Civil Pública de precaução movida pela Fundação Acangau. Esta ação exige o custeio, por parte da Kinross, de um estudo epidemiológico clínico-laboratorial da intoxicação crônica da população de Paracatu pelo arsênio liberado pela Kinross. O estudo deveria ser conduzido por profissionais com competência comprovada através de currículo, de forma independente da indústria e do governo.

Até o momento, o Ministério Público Estadual não conseguiu fazer a Kinross atender essa exigência. Em vez disso, um ‘estudo’ foi contratado pela prefeitura de Paracatu, sem licitação, e pago, com dinheiro do contribuinte, ao CETEM, um órgão do governo, por intermédio de uma empresa privada, a FUNCATE. Dois detalhes saltam aos olhos nessa história: há anos, o CETEM presta serviços à Kinross, e o próprio governo federal representa fortemente o interesse da indústria da mineração, fonte escancarada de recursos para a corrupção visível.

O ‘estudo’ coordenado por Zuleica Castilhos (uma farmacêutica e bioquímica do CETEM) cometeu a façanha de reunir erros metodológicos tão grosseiros e resultados tão pobres e inconsistentes que simplesmente não permitem tirar conclusões acerca da situação epidemiológica da intoxicação crônica da população de Paracatu pelo arsênio liberado pela Kinross.

Interessante é o caso da química Virgínia Ciminelli, professora da UFMG com fortes ligações pessoais e profissionais com o governo e a indústria de mineração. Ciminelli recebe apoio financeiro da Kinross para fazer estudos de interesse da transnacional canadense em Paracatu. Seu marido, Renato Ciminelli transita pela indústria de mineração e o governo. 

Virgínia Ciminelli compareceu a um seminário organizado pela Kinross em Paracatu para dizer que ‘todos os dados aos quais teve acesso sobre possível contaminação na água, casos de poeira e contaminação clínica, arsenopirita e cianeto nenhum desses resultados apontam nenhum risco para a população paracatuense, que pode ficar tranqüila’. Obviamente, ninguém ficou tranqüilo com tanto disparate. Ciminelli não é médica, não possui competência profissional na área de saúde, mas anda fazendo diagnóstico e aconselhamento em Paracatu.

Para terminar o festival de afirmações absurdas e análises fraudulentas, uma jornalista entrevistou o médico Gustavo Baumgratz Lopes, presidente da Sociedade Mineira de Cancerologia [5]. Lopes aparentemente nunca esteve em Paracatu e nunca publicou sequer um único estudo científico sobre a intoxicação crônica por arsênio. Seu nome simplesmente não consta em nenhum dos principais bancos de dados de publicações científicas, Pubmed e Scopus.

Esse colega teria afirmado que as pessoas de Paracatu não estariam adoecendo de câncer por causa do arsênio, e sim por causa de uma certa ‘tendência mundial devido ao avanço dos diagnósticos, que são cada vez mais precoces, bem como à maior longevidade da população e ao estilo de vida sedentário.’ Lopes claramente desconhece a distribuição etária da população de Paracatu, a nosologia do município e suas precárias condições de assistência à saúde.

Para Lopes, ‘o aumento do número de pacientes com câncer, no mundo, se deve à mudança dos hábitos das pessoas, principalmente as ligadas ao tabagismo, comum entre as décadas de 1960 e 1980. A obesidade e o sedentarismo também têm relação cada vez mais forte com o aparecimento de tumores’.

Em outras palavras, o discurso de Lopes tende a jogar a culpa nos pacientes – os pacientes e seus péssimos hábitos de saúde seriam os culpados pelo câncer, não a poluição ambiental causada pela transnacional canadense Kinross.

Mais adiante na entrevista, o colega afirma que ‘os tipos de câncer mais comuns causados pelo arsênio são do pulmão (localizado na pleura) e de bexiga’. Aparentemente, o colega confundiu o arsênio com o asbesto, causador de mesotelioma. ‘Se houvesse um surto de câncer de bexiga, aí sim, teríamos um elemento mais forte para fazer a associação’, insiste Lopes.

O desconhecimento da literatura médica e científica pelo representante dos oncologistas mineiros é lamentável e perigoso. A Kinross se aproveita de estudos epidemiológicos fraudulentos conduzidos por não-médicos e afirmações levianas de médicos despreparados para continuar impune suas atividades geocidas e genocidas em Paracatu.

A atenção que a Kinross dá à questão em Paracatu é tentar demonstrar que a poeira fugitiva da mina não oferece perigo nem causa dano e que as pessoas expostas dezenas de anos ao arsênio presente na poeira estão adquirindo câncer ‘por conta própria’, ao invés de simplesmente realizar o levantamento epidemiológico examinando pessoas.

Finalmente, o tratamento perverso que a Kinross dá às suas vítimas em Paracatu é submetê-las às opiniões de certos ‘especialistas’ mais interessados em defender a transnacional, que em esclarecer e resolver o problema da intoxicação crônica da população pelo arsênio.


Referências: 

[1] Dani SU. 2014. A mineração dos ossos. Ciência Hoje 321:22-27.

[2] Dani SU. 2010. Gold, coal and oil. Medical Hypotheses 74:534–541.

[3] Eisler R. 2004. Arsenic hazards to humans, plants, and animals from gold mining. Rev Environ Contam Toxicol. 180:133-65.

[4] Arsênio Antropogênico e Natural - Um estudo em regiões do Quadrilátero Ferrífero. FEAM, Belo Horizonte, 2008. Estudo coordenado pela Enga. Quimica Eleonora Deschamps, financiado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). Esse trabalho teve como parceiras a Fundação Ezequiel Dias (Funed), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade de Freiberg e o Instituto de Química da Água, da Alemanha.

[5]  Suposta liberação de arsênio por mineradora assusta população de Paracatu. Reportagem de Fernanda Nazaré, publicada em 09/02/2015 no http://sites.uai.com.br/app/noticia/encontrobh/atualidades/2015/02/09/noticia_atualidades,152200/suposta-liberacao-de-arsenio-por-mineradora-assusta-populacao-de-parac.shtml

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Especialistas denunciam grave contaminação ambiental na maior mina de ouro do país - Portal Planeta Osasco

Especialistas denunciam grave contaminação ambiental na maior mina de ouro do país - Portal Planeta Osasco:

O Hospital de Câncer de Barretos, cidade localizada a mais de 550 km de Paracatu, é a principal referência no tratamento de câncer para os moradores. O número de casos é tão grande que o município conta com uma casa de apoio para abrigar familiares e pessoas em tratamento. Em 2012, pelo menos 500 paracatuenses eram tratados lá. João Paulo garante que o número de doentes tem aumentado. Ele afirma que também é alto o índice de doenças respiratórias, principalmente em crianças. 

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