terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sintomas da intoxicação crônica por arsênio em Paracatu.

Sergio U. Dani, de Heidelberg, Alemanha, 22 de fevereiro de 2011.

Se você mora em Paracatu e apresenta um ou mais dos seguintes sintomas:

. manchas claras ou escuras na pele,
. manchas claras nas unhas,
. pele "cascuda", principalmente nas palmas das mãos e dos pés,
cotovelo e joelhos,
. insônia,
. sonolência,
. irritabilidade,
. dor de cabeça,
. perda de memória ou "memória fraca",
. câimbras nos músculos das extremidades,
. sensação de formigamento, perda de sensibilidade, ou dor nas extremidades,
. fadiga muscular,
. perda da capacidade auditiva ("surdez"),
. perda da capacidade gustativa ("não sente bem os gostos"),
. vista embaçada,
. fraqueza,
. alterações no exame de sangue, como anemia, etc.,
. infecções repetidas, gripe com complicações, uso recorrente de
antibióticos, etc.
. diarréia,
. hepatomegalia (aumento do tamanho do fígado),
. pressão alta do sangue,
. alteração no eletrocardiograma (por exemplo, prolongamento do intervalo QT),
. alteração nos vasos do coração (conforme visto na sonografia cardíaca),
. infertilidade ou abortos repetidos,
. tosse crônica,
. asma,
. diabetes ou "açúcar no sangue",
. problema nos rins (por exemplo, diminuição da relação uréia/creatinina no plasma, insuficiência renal, inchaço nas pernas, alterações nos rins demonstradas pela sonografia, etc.),
. filho ou filha com problema neurológico ou malformação congênita,

então você pode estar apresentando sinais da intoxicação crônica por arsênio.

A concentração de arsênio no ar de Paracatu é alta por causa da mineração de ouro a céu aberto da mineradora transnacional canadense Kinross Gold Corporation. O arsênio está presente na rocha da mina.
Quando a mineradora quebra e mói a rocha, ela libera o arsênio para o ambiente na forma de poeira e gás. Arsênio não tem cheiro, nem gosto, nem cor. Os efeitos da intoxicação crônica por arsênio a longo prazo incluem diversas formas de câncer, doenças cardiovasculares, doenças
renais e doenças neurológicas, como a doença de Alzheimer.

A intoxicação crônica da população de Paracatu causada pelo arsênio liberado pela Kinross é um crime. Não aceite que a mineradora diga que "o arsênio está dentro dos limites da lei". Isso é uma mentira, simplesmente porque não existe dose segura para a exposição ao arsênio.

Procure seu médico, seu advogado e os Promotores de Justiça.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Mineração e decadência

Sergio U. Dani, de Heidelberg, Alemanha, em 20 de fevereiro de 2011.

O geólogo Marcio Santos escreve sobre os impactos irreversíveis da mineração de ouro em Paracatu no artigo intitulado "Mineração e decadência" (leia o artigo em:
http://professor-marciosantos.blogspot.com/2011/02/mineracao-e-decadencia.html).

A comparação das fotos que postou mostra o vermelho e o cinza em Gongo Soco e o acinzentado da arsenopirita em Paracatu. A mina de Paracatu é a maior mina de ouro do Brasil, a maior a céu aberto, a que tem o menor teor de ouro do mundo e a maior quantidade de arsênio, tudo isso no perímetro urbano de uma cidade de 100 mil habitantes a 200 km da capital federal, na bacia do principal tributário do Rio São Francisco. Estão liberando 1 milhão de toneladas de veneno que estava guardado na rocha há bilhões de anos, com o apoio de autoridades governamentais brasileiras e canadenses, afetando uma vasta população indefesa. A quantidade de veneno liberada seria suficiente para exterminar toda a humanidade. Por enquanto, está servindo para aumentar cronicamente o número de mortes por câncer, aborto espontâneo e outras doenças em Paracatu. O aumento da violência em Paracatu, conforme descrito pelo geólogo, pode não ser apenas fruto da injustiça sócio-econômica, pois comportamento violento também é descrito na literatura científica como um dos efeitos da intoxicação crônica por arsênio. Suspeita-se que já houve também casos de êxito letal por intoxicação aguda por arsênio, como o de um menino que se afogou em um dos tanques arsenicosos da mineradora transnacional Kinross Gold Corporation, e as milhares de aves e outros bichos que morrem na mina e nos seus arredores, todo ano. Para continuar seu projeto criminoso em Paracatu, a mineradora transnacional canadense chegou a eliminar uma comunidade Quilombola inteira para dar lugar a uma bacia de rejeitos tóxicos, inclusive assassinando dois membros da comunidade a tiros. Até agora estávamos falando em genocídio e decadência social.

Talvez devêssemos falar em geocídio e extinção em massa.
Com genocidas não se faz acordo

Sergio Ulhoa Dani, de Heidelberg, Alemanha, em 19 de fevereiro de 2011

Corre o boato que o Ministério Público de Minas Gerais teria feito acordo com a mineradora transnacional genocida Kinross. Essa informação não procede, porque com genocidas não se faz acordo. O boato só pode ter se originado da própria mineradora. De imediato, parece que a mineradora transnacional genocida já está usando o boato do “acordo” para dizer que já foi tudo “acordado” com o MP, então está tudo “resolvido”. Não é a primeira vez que a mineradora faz “lavagem verde” dos seus crimes usando a imagem do Ministério Público. A farsa da revitalização do Córrego Rico é um exemplo. De “acordo” em “acordo”, a mineradora faz crer que o MP lava suas mãos, e assim deixa a mineradora mais livre para continuar suas obras altamente rentáveis de destruição, poluição e morte.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cresce o número de casos de câncer em Paracatu

Cresce o número de casos de câncer em Paracatu: indícios e população apontam transnacional canadense Kinross como culpada

Mineradora genocida recorre a falácias para ocultar o aumento de câncer relacionado à extração de ouro em Paracatu. Mas a ciência e o povo revelam a verdade.

Por Sergio U. Dani (*), em 19 de Janeiro de 2011

O número de casos de câncer aumentou significativamente em Paracatu nos últimos anos, informa um relatório de consultoria contratado pela Kinross, mineradora de ouro transnacional canadense.

A informação foi prestada numa Ação Civil Pública movida pela Fundação Acangaú contra a mineradora. A Fundação acusa a mineradora de genocídio pela liberação de arsênio em Paracatu, município de 100 mil habitantes do noroeste de Minas Gerais.