quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Expansão da Kinross em Paracatu: pior do que um crime, é um erro

Setembro de 2008

Expansão da Kinross em Paracatu: pior do que um crime, é um erro

"Não faz sentido pagarmos à RPM-Kinross para que ela nos mate. Essa mineradora deve ser obrigada a paralisar imediatamente suas atividades danosas, indenizar a população de Paracatu, recuperar o ambiente, pedir desculpas ao povo brasileiro e retornar ao Canadá, de onde nunca deveria ter saído"


Sergio Ulhoa Dani (*)

A mineração de ouro a céu aberto da RPM-Kinross em Paracatu é inviável por razões econômicas, sociais, ambientais e sanitárias. Entre os principais motivos pelos quais defendemos a imediata cassação das licenças de mineração da RPM-Kinross em Paracatu e a responsabilização desta empresa, figuram os danos à saúde e as perdas de vidas humanas.

Se no Canadá, país de origem da Kinross Gold Corporation, mineração de ouro a céu aberto em perímetro urbano não é permitida, então não entendemos por que esta empresa canadense pode minerar ouro a céu aberto na cidade de Paracatu, Minas Gerais, Brasil? Se somos todos seres humanos, então o que não é bom para os canadenses, também não deve ser bom para os brasileiros, e a empresa e seus dirigentes, e também os nossos governantes, devem saber disso.

Várias substâncias químicas venenosas estão presentes nas rochas da mina de ouro de Paracatu, como chumbo, cádmio, crômio, cobre, mercúrio e arsênio, e são liberadas para o ambiente pela atividade da mineradora RPM-Kinross. Dessas substâncias, o metalóide arsênio talvez seja o mais danoso, e seus efeitos tóxicos e carcinogênicos no ser humano podem ser intensificados pelos demais elementos.

Para cada grama de ouro presente no minério, há cerca de 300 a 3000 gramas de arsênio. Considerando o valor médio de 1000 gramas de arsênio para cada grama de ouro extraído da mina de Paracatu, e o valor médio de 0,4 g de ouro por tonelada de minério processado pela RPM-Kinross (número divulgado pela empresa), então as mais de 300 milhões de toneladas do rejeito do minério depositado na barragem de rejeitos e nos tanques específicos da RPM-Kinross contêm cerca de 120 mil toneladas de arsênio finamente moído.

Se apenas 1% desse arsênio estiver numa forma biodisponível ou assimilável, já é uma quantidade suficiente para matar 6 bilhões de pessoas, ou toda a população de seres humanos que hoje habitam o planeta Terra. Se apenas 0,1% estiver biodisponível, já é veneno suficiente para matar toda a população das Américas. Para transformar Paracatu numa cidade fantasma, basta que 0,00001% desse arsênio esteja biodisponível. Os representantes da mineradora transnacional argumentam que neutralizam e descartam o arsênio adequadamente e com segurança – o que consideramos insuficiente e improvável, dado o enorme volume de arsênio mobilizado pela mineração e as inúmeras vias pelas quais esse arsênio pode ser lentamente liberado para o ambiente.

Os riscos de contaminação por arsênio e metais pesados antropogênicos estão aumentados em Paracatu, devido à atividade da mineração de ouro, conforme comprovado por várias análises químicas ambientais e relatórios, que foram só parcialmente publicados. A mineradora não consegue controlar totalmente as liberações lentas de compostos de arsênio e outros poluentes dos solos da mina a céu aberto, das poeiras, dos sedimentos e dos depósitos de rejeitos. Com base na literatura científica mundial sobre fluxos e concentrações globais de arsênio na atmosfera, estima-se uma deposição anual de 300 g de arsênio por hectare por ano no assentamento urbano de Paracatu. Há indícios que a mineração de ouro a céu aberto nos últimos 20 anos aumentou essa taxa de deposição. Com o projeto de expansão III almejado pela mineradora (ver nota 1, ao final deste artigo), essa taxa deve aumentar ainda mais, agravada pela drenagem ácida na mina, pelo aprofundamento da mina e rebaixamento do lençol freático, pelo clima quente e seco da cidade na maior parte do ano, pelos ventos e pelo tráfego de milhares de veículos, na mina e na cidade.

As emissões novas de arsênio somam-se à fração liberada do arsênio acumulado no ambiente durante 20 anos de mineração a céu aberto, constituindo a quantidade que pode ser efetivamente reabsorvida pelas pessoas, causando doenças. Essa quantidade e seus efeitos ainda são desconhecidos pela população de Paracatu, pela comunidade científica e pelas autoridades, por falta de um estudo epidemiológico clínico-patológico-laboratorial e atuarial abrangente. É incompreensível que a mineradora RPM-Kinross seja autorizada a expandir sua atividade minerária em Paracatu, nestas condições precárias. Um grama de arsênio numa forma inorgânica (por exemplo, o trióxido de arsênio, arsenatos e arsenitos de alumínio e ferro, arsênio sulfetado, espécies voláteis de arsênio e várias outras espécies) pode matar até 7 pessoas adultas. Em tese, o arsênio depositado anualmente em Paracatu seria suficiente para matar toda a população da cidade, se fosse absorvido de uma só vez pelas pessoas. Isso claramente não se verifica, porque o arsênio não é depositado de uma só vez, mas sim ao longo do ano, ininterruptamente. Nessa condição, ele não causa morte aguda das pessoas, e sim intoxicação crônica e seus efeitos, entre os quais sobressai o câncer. Quando uma substância é carcinogênica, não existe dose de exposição segura, devendo-se atentar para o fato de que toda a população está potencialmente exposta ao risco de câncer.

Os funcionários da mina são a parte da população mais diretamente exposta ao risco de intoxicação, mas eles são mais resistentes, porque são adultos saudáveis selecionados pela mineradora para trabalhar em um ambiente contaminado. Quando chegam a apresentar sintomas de intoxicação, como já observamos em Paracatu e deverá piorar com a expansão da mina e o passar dos anos, significa que a situação já está crítica para o restante da população. Os fetos, os bebês e as crianças são mais vulneráveis ao risco de intoxicação crônica, porque eles absorvem e acumulam mais arsênio relativamente aos adultos. Em um levantamento preliminar, encontramos alguns casos de crianças, adolescentes e adultos jovens com sinais sugestivos de intoxicação crônica, como manchas de pele e ceratoses (nódulos e espessamento da pele). Já existe um aumento aparente dos casos de câncer, hipertensão arterial e afecções do trato respiratório, que precisam ser avaliados, em um estudo epidemiológico clínico- patológico-laboratorial e atuarial.

Quando esses sinais aparecem, devemos considerar que os riscos de câncer e outras doenças causadas pela intoxicação crônica por arsênio já estão aumentados na população em geral, e entre as crianças, adolescentes, adultos jovens e idosos, em especial. Trabalhos científicos publicados em revistas de circulação internacional detectaram incidências de diversos tipos de câncer (especialmente cânceres de pele, pulmão, bexiga e renal) aumentadas de até 50 vezes os valores regulatórios, em comunidades vizinhas às minas contaminadas por arsênio. Arsênio não tem cheiro nem gosto e os efeitos da intoxicação crônica podem demorar para ser observados. Fêmeas de animais de laboratório grávidas, alimentadas com dietas contendo concentrações de arsênio típicas de ambientes humanos contaminados, produzem filhotes que desenvolvem mais câncer na idade adulta que o normal.

Os efeitos da intoxicação crônica por arsênio se manifestam em vários sistemas: (i) pele e unhas (lesões múltiplas de pele, como manchas avermelhadas que ficam marrom-escuras com o tempo – a chamada melanose, podendo aparecer num padrão característico, semelhante a "gotas de chuva sobre a poeira"; ceratoses, que são nódulos ou placas de pele endurecida nas mãos, pés, pernas e braços, que podem aparecer de um ano até depois de mais de 20 anos de exposição crônica ao arsênio; lesões pré-cancerosas e cancerosas, como Doença de Bowen – carcinoma celular escamoso in situ que ocorre no tronco, em lesões múltiplas que variam de 1 mm a 10 mm – e carcinomas espino-celulares e baso-celulares; unhas dos dedos da mão finas e frágeis, apresentando linhas esbranquiçadas); (ii) sistema nervoso (dores de cabeça, neuropatia periférica, confusão mental, diminuição do QI verbal e da memória); (iii) sistema cardiovascular (hipertensão arterial e cardiopatia isquêmica e suas conseqüências, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral); (iv) sistema hematopoiético (aplasia medular, anemia, leucopenia, trombocitopenia, leucemia); (v) sistema digestivo (náuseas, vômitos, diarréia, dores abdominais, hemorragia intestinal, lesões e tumores do fígado); (vi) sistema urinário (câncer renal e câncer de bexiga); (vii) sistema respiratório (rinites, laringites, traqueobronquites, asma e câncer de pulmão); (viii) sistema reprodutivo (abortos, mal-formações congênitas - bebês que nascem com baixo peso, aberrações genéticas ou defeitos físicos); (ix) sistema endócrino (câncer de próstata, diabetes e outras alterações hormonais).

A intoxicação crônica por arsênio pode se manifestar através de sinais inespecíficos, como mialgia, fraqueza muscular, dor abdominal e sudorese excessiva. Por que nem todas as pessoas expostas ao risco adoecem, ou adoecem de forma diferente, ou em épocas diferentes? Por causa dos diferentes graus de exposição e das diferenças genéticas e fisiológicas naturais entre as pessoas. Por exemplo, uma grande porcentagem da população (30-40%) que bebe água contaminada com arsênio pode apresentar níveis elevados de arsênio na urina, cabelo e unhas, sem mostrar sintomas clínicos aparentes, como lesões de pele. Nem por isso, essas pessoas estão a salvo dos efeitos carcinogênicos do arsênio. Acredita-se que as pessoas que conseguem eliminar o arsênio de forma mais eficiente estão mais protegidas, enquanto as que eliminam o arsênio mais lentamente acumulam esse veneno no organismo, e adoecem mais cedo e de forma mais grave. Já existem testes de DNA capazes de indicar se uma pessoa é do tipo metabólico "rápido" ou "lento".

Nos Estados Unidos, estimativas do valor de uma vida humana para os sistemas de saúde e para fins de cálculo de indenizações por perdas e danos à saúde provocados por riscos ambientais variam de US$ 1,5 milhão a US$ 20 milhões de dólares. Em 2000, a Agência de Proteção Ambiental, EPA, daquele país, estimou em US$ 6,1 (seis milhões e cem mil dólares) o valor de cada vida perdida por causa da intoxicação crônica por arsênio, ou seja, cerca de 10 milhões de reais. Se multiplicarmos esse valor pelo tamanho da população de Paracatu mais exposta ao risco (10 mil pessoas, ver nota 2, ao final deste artigo) chegaremos, hoje, a um valor de 60 bilhões de dólares, cerca de 100 bilhões de reais em indenizações a que essas pessoas e o sistema de saúde público têm direito.

A produção total de ouro prevista para o projeto de expansão III da RPM-Kinross, estimada em 450 toneladas, avaliadas hoje em 21 bilhões de dólares, não dará para pagar nem metade dessas indenizações, e muito menos as indenizações das crianças que nascerão nas próximas décadas e a recuperação ambiental obrigatória. Mas, se depender apenas da vontade da empresa e da fraca legislação minerária brasileira, somente 2% do valor da produção total (ou o equivalente a menos de 1% das indenizações pelas vidas perdidas), ficam em Paracatu, na forma de impostos, royalties e compensações financeiras. Então a expansão da mina não é viável, mesmo porque nenhuma atividade econômica paga com vidas humanas pode ser considerada "viável". Não faz sentido pagarmos à RPM-Kinross para que ela nos mate.

Os riscos relacionados com arsênio são um assunto global, e os danos sócio-ambientais decorrentes de 20 anos de mineração de ouro estão evidentes em Paracatu. Vários cientistas, médicos e voluntários de diversas profissões, neste país e no exterior, estamos empenhados, desde 2007, em levantar e difundir as evidências científicas sobre a intoxicação crônica por arsênio e metais pesados em Paracatu. Resta ao povo brasileiro e ao povo canadense, às autoridades dos dois países e às cortes nacionais e internacionais acionarem a empresa mineradora transnacional Kinross Gold Corporation e seus dirigentes, obrigando-os a paralisar imediatamente a mineração em Paracatu, custear todas as despesas com os estudos, monitoramentos e cuidados médicos da população, pagar todas as indenizações devidas, recuperar desde já o ambiente degradado, pedir desculpas ao povo brasileiro e voltar para sua casa, no Canadá, de onde nunca deveriam ter saído.

(*) Sérgio Dani é médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil; doutor em medicina pela Medizinische Hochschule Hannover, Alemanha; pós-doutorado no Instituto de Pesquisa de Proteína da Universidade de Osaka, Japão; pós-doutorado no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, São Paulo, Brasil; livre-docente em Genética pela Universidade de São Paulo, Brasil; cientista e presidente da Fundação Acangaú, Paracatu, Brasil. srgdani@gmail.com.

Figuras:






Leituras sugeridas e notas:

Ackerman F, Heinzerling L (2002) The $6.1 Million Question. Working Paper No. 01-06, Global Development and Environment Institute. Tufts University, Medford MA 02155, USA. http://ase.tufts.edu/gdae

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Deschamps E, Matschullat J (orgs.) Arsênio Antropogênico e Natural: um Estudo em Regiões do Quadrilátero Ferrífero. Belo Horizonte, 2007, FEAM, 330 p.

Diaz Barriga,F, Santos MA, et al. (1993) Arsenic and cadmium exposure in children
living near a smelter complex in San Luis Potosi, Mexico. Environ Res 62(2): 242-
50.

Kapaj S, Peterson H, Liber K, Bhattacharya P. (2006) Human health effects from chronic arsenic poisoning – a review. J Environ Sci Health A Tox Hazard Subst Environ Eng. 2006;41(10):2399-428.

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Polizzotto ML, Kocar BD, Benner SG, Sampson M, Fendorf S. (2008) Near-surface wetland sediments as a source of arsenic release to ground water in Asia. Nature. Jul 24;454(7203):505-8.

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Nota 1: O projeto de expansão III da mineradora RPM-Kinross prevê o aprofundamento da mina atual em 100 metros e sua extensão para a região noroeste. O projeto também prevê a construção de uma nova barragem de rejeitos com capacidade para armazenar mais de um bilhão de toneladas de rejeitos, quatro vezes a capacidade da barragem atual. A nova barragem soterrará um vale com três nascentes importantes do Ribeirão Santa Rita, um importante curso d’água que fornece água para usos agrícolas em Paracatu. A agricultura é a principal atividade econômica do município, que possui 40 mil hectares de lavouras irrigadas. O volume de água necessário para atender o projeto de expansão III da mina da RPM-Kinross daria para irrigar 120 mil hectares de lavouras. O represamento da água das chuvas numa nova barragem de rejeitos da mineradora e sua contaminação por arsênio e metais pesados assusta os agricultores e a população de Paracatu.

Nota 2: A população de Paracatu é de 100 mil habitantes, em 2008. Para fins de estimativa, consideramos que a parte mais vulnerável dessa população são as pessoas nascidas a partir do ano de 1980, as que são mais sensíveis ao arsênio, seja pela idade, seja pela constituição genética, algo em torno de 10.000 pessoas, em 2008. Essa estimativa concorda com a de Allan Smith, da Universidade da Califórnia em Berkeley, segundo a qual uma em cada 10 pessoas morre em decorrência da exposição crônica ao arsênio.

ENVENENAMENTO FOTOGRAFADO EM PARACATU

Prezado visitante,

com a colaboração da UFMG o Grupo de Alerta contra o envenamento crônico por arsênio iniciou a coleta de amostras de poeira da cidade de Paracatu para análises. Na oportunidade foram fotografadas e identificadas pessoas que apresentam lesões características do envenenamento por arsénio. Outros materiais orgânicos e alimentos também foram coletados para análise.

As autoridades municipais permanecem inertes diante do pedido de providências protocolizado já se vão dois meses. Segundo informação o processo está no departamento jurídico, que parece estar cuidando de caracterizar a omissão que dará ensejo a uma Ação Popular.

Abaixo fotos ilustrativas de Lesões de pele em crianças, adolescentes e adultos jovens em Paracatu, MG, agosto de 2008. Fotos e copyright: P. Rezende e S.U. Dani.







quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Mineração, política e alienação em Paracatu

Mineração, política e alienação em Paracatu

Por João Benedito Pereira de Souza (*)

No dia 14 de abril de 2008, a cidade de Paracatu assistiu à uma audiência pública, organizada pela Comissão de Meio da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais. De um lado a mineradora RPM-KINROSS que atua na região Cruz das Almas – Morro do Ouro nesta histórica cidade, representada pelo senhor Victor Hugo Belo (Gerente Geral), funcionários, políticos, e imprensa. Do outro lado o senhor Sergio Ulhoa Dani que empunhou a bandeira em defesa da sociedade paracatuense e conservação do meio ambiente sadio.
É certo que a sociedade precisa da mineração, como necessita de varias outras atividades para a sua subsistência econômica. Mas o que não pode ser admissível são os paracatuenses continuarem nas trevas da ignorância, assistindo que nossas riquezas sejam retiradas do nosso seio sem receber nada por isso, como aconteceu no período colonial, e que não possamos falar da nossa insatisfação em relação à degradação e a poluição que está sendo acometida nesta cidade. Se fossemos uma nação desenvolvida essa reunião deveria ter abarcado o quanto eles vão nos pagar sobre os lucros, para continuar suas atividades. Se fossemos uma nação desenvolvida dotada de políticos sérios e competentes eles nem estariam aqui, haveria uma empresa brasileira fazendo o papel que os estrangeiros estão desempenhando no nosso quintal, teriam investido em educação para desenvolver ciência e tecnologia para nós mesmo sermos tutores dos nossos próprios recursos, mas ao invés de políticos temos mercenários no poder.
É fato lastimável que cidadãos que se dizem representantes de Paracatu vistam a camisa da RPM-KINROSS e venham a público, defender as mazelas do capital internacional em nosso território; enquanto deveriam vestir a camisa do Brasil e de Paracatu, e defender-nos; será que nos jogos olímpicos de Pequim eles torceram pro Canadá e Inglaterra? Na mesma linha se encontram outros segmentos da sociedade e funcionários dessa empresa a se manifestarem de forma evasiva, demonstrando a falta de conhecimento em história, política e economia. Pobre hoje pode comprar um "carrim"... Só faltou um agradecimento explícito por Paracatu ter sido um dos pólos da escravidão do negro num passado não tão distante. O nosso vice-prefeito deveria mobilizar suas bases políticas no Congresso Nacional para quem sabe pedir a nacionalização de pelo menos 50% das ações dessa empresa em favor da sociedade paracatuense. Da imprensa não devemos nem comentar, pois, quase toda ela não passa de garoto- propaganda dessa mineradora.
O que assistimos é o que se denomina alienação do grande capital que vai abocanhando tudo com sua boca voraz por mais lucros, para os seus acionistas, em que a vida não tem valor algum. São eles o grupo do G-7, que controlam a economia capitalista, responsáveis pelos infortúnios que acometem a humanidade contemporânea.


(*) Licenciado em Geografia pela Faculdade do Noroeste de Minas – FINOM
   Pós-Graduando em Sociologia pelo Instituto ProMinas – Ipatinga - MG

Postado por
Serrano Neves
Procurador de Justiça

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Arsenic's cancer paradox resolved - Solucionado o paradoxo do câncer causado por arsênio

Arsenic's cancer paradox resolved
(EM PORTUGUÊS AO FINAL DA PÁGINA)

10:25 14 November 2001
From New Scientist Print Edition.
Robert Adler

A surprising new genetic mechanism may explain arsenic's paradoxical ability to cause some cancers and cure others. Researchers say the discovery may lead to improved treatments for some kinds of leukemia, and supports the need for strict limits on environmental arsenic exposure.

Chi Dang and Wen-Chien Chou at Johns Hopkins University School of Medicine, in Maryland, noticed that arsenic caused certain kinds of cancer cells to puff up and die. They found many chromosomes in these cells were fused end-to-end.

This implicated telomerase, an enzyme that keeps the end parts of chromosomes, called telomeres, intact. "Once we saw the fused chromosomes, we knew that telomerase might be responsible," says Dang.

The researchers found that arsenic suppresses the hTERT gene, which codes for one of the two building blocks of telomerase. They further showed that reduced telomerase shortened telomeres in dividing cells, causing frequent end-to-end chromosomal tangles.

The researchers think the accumulation of these genetic mix-ups killed the cells. "Cancer cells are normally deficient in telomerase, and they rearrange their genetic material to their advantage," says Dang. "The arsenic shuffles it some more, just enough to make them commit suicide and die."

Brink of catastrophe

Calvin Harley, Chief Scientific Officer at Geron Corporation, in Menlo Park, California, agrees. "Cancer cells are basically on the brink of telomere catastrophe. So any inhibition of telomerase can lead to cell death." In the last decade, researchers in China, Europe and the United States found that the compound arsenic trioxide was dramatically effective against acute promyelocytic leukemia (APL) that had become resistant to other chemotherapy.

Many researchers have worked to clarify arsenic's ability to kill APL cells quickly, but the new findings imply a new mechanism. "I find this intriguing," says Martin Privalsky, a molecular biologist at the University of California, Davis. "It suggests an additional, previously unknown, longer term effect."

Like Dang, Privalsky thinks the new findings may also clarify the cancer-causing effect of arsenic. "That's been a mystery for a long time," he says. "Environmental doses are very small, but over a long time the accumulation of chromosomal abnormalities could be important."

Journal reference: Journal of Clinical Investigation (vol 108, p 1)

Solucionado o paradoxo do câncer causado por arsênio

10:25 14 de Novembro de 2001
Origem: New Scientist Print Edition.
Robert Adler


Um novo e surpreendente mecanismo da genética pode explicar a condição paradoxal do arsênio como agente causador e como agente de cura do câncer. Os pesquisadores afirmam que a descoberta pode conduzir a melhoria do tratamento para alguns tipos de leucemia e pontuam a necessidade de limites rígidos á exposição ambiental por arsênio.


Chi Dang e Wen-Chien Chou da Johns Hopkins University School of Medicine, em Maryland (USA) constataram que o arsênio pode agir em células de alguns tipos de câncer, fazendo com que elas se desenvolvam de forma anormal e morram.Eles descobriram que muitos dos cromossomas destas células eram inter-conectados pelas extremidades.



Isto implicava em telomerase, uma enzima que mantém intacta as extremidades dos cromossomas , os chamados telômeros. " Uma vez que constatamos a interconexão dos cromossomas, sabíamos que a telomerase poderia ser a responsável", afirmou Dang.


Os pesquisadores descobriram que o arsênio suprime o gene hTERT que codifica para um dos dois blocos de construção da telomerase. Eles demonstraram posteriormente que a telomerase reduzida , diminuía os telômeros em células divididas , resultando no freqüente emaranhado das extremidades dos cromossomas.


Os pesquisadores inferiram que o acúmulo destas mixagens genéticas matavam as células. " Células de câncer são normalmente deficientes em telomerase e assim reagrupam seu material genético para vantagem própria", afirma Dang. " O arsênio potencializa este embaralhamento, o suficiente para provocar o suicídio e morte destas células. "

Na iminência de uma catástrofe.

" As células cancerosas se situam, basicamente, na iminência de uma catástrofe. Assim , qualquer inibição da telomerase pode conduzir a morte da célula. " Na década passada, pesquisadores na China, na Europa e nos Estados Unidos descobriram que o composto de trióxido de arsênio era surpreendentemente eficaz contra a leucemia promielocítica aguda ( APL - acute promyelocytic leukemia ) , que havia se tornado resistente a outras quimioterapias.


Muitos pesquisadores envidaram esforços para esclarecer a capacidade do arsênio para matar rapidamente as células APL, mas os novos achados implicavam em novo mecanismo. " Eu acho isto intrigante, " disse então Maryin Privalsky , biólogo molecular na Universidade da Califórnia , Davis. " Sugere um efeito adicional de longo e maior prazo , previamente desconhecido ."


Como Dang, Privalsky acha que os novos achados podem esclarecer os efeitos de câncer causado por arsênio. " Isto tem se mantido um mistério por um longo tempo, " ele diz. " AS DOSES AMBIENTAIS PODEM SER PEQUENAS, MAS A LONGO PRAZO O ACÚMULO DE ANORMALIDADES CROMOSSÔMICAS PODE SER RELEVANTE."

Journal de referência: Journal of Clinical Investigation (vol 108, p 1)